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Resenha Crítica | Os Olhos de Julia (2010)

Fãs do cinema fantástico e de terror que se prezem sempre ficam antenados nos projetos que contam com a assinatura do mexicano Guillermo del Toro. Isto porque a criatividade deste extraordinário realizador parece inesgotável. Diretor de “Hellboy” e “O Labirinto do Fauno”, Guillermo del Toro também produz longas-metragens de cineastas iniciantes, mas tão talentosos quanto ele. Foi del Toro quem bancou “O Orfanato”, talvez o melhor thriller espanhol dos últimos anos. Agora é a vez de Guillem Morales mostrar a que veio com o apoio de del Toro em “Os Olhos de Júlia”, o segundo longa-metragem de sua carreira e com lançamento previsto no Brasil para este mês direto em DVD pela distribuidora Universal.

Além do nome de Guillermo del Toro como produtor, “Os Olhos de Júlia” tem outra semelhança com o citado “O Orfanato”: a atriz Belén Rueda como protagonista. Ela vive a Júlia do título, bem como a sua irmã Sara. Além de gêmeas, Júlia e Sara têm uma rara doença que as fazem perder a visão gradativamente. Prestes a cometer suicídio e num estágio de cegueira muito mais avançado, Sara é misteriosamente assassinada. Ao receber a notícia, Júlia passa por um período de estresse que preocupa o seu marido Isaac (Lluís Homar), pois fortes choques emocionais podem prejudicar a sua deficiente visão. A superação da perda seria o maior problema para Júlia caso ela não se sentisse constantemente observada por um estranho, criando hipóteses de alguém ligado a morte de Sara está querendo algo com ela.

Espectadores que sentem calafrios com sequências que envolvam contato direto com olhos precisam se precaver: “Os Olhos de Júlia” é cheio desses momentos. A boa notícia é que o suspense vai muito além disso, criando um jogo sublime de perspectivas. Já tendo corrido metade da narrativa, a protagonista é sujeita a uma cirurgia que a faz ficar com os olhos totalmente vendados. Deste ponto em diante, Guillem Morales conduz a história de forma quase subjetiva, obrigando o espectador a ficar na condição de personagem.

A escolha não é fácil e por isto é raro ver diretores, por mais experientes que sejam, adotá-la em suas realizações. Afinal, é preciso um esforço muito grande para que tudo não saia dos eixos, tendo diversos elementos para serem lidados (que passam de marcação até enquadramento e iluminação adequados) que precisam de atenção redobrada. O experimentalismo de Guillem Morales é tão perfeito que o resultado é digno de prêmios e influências para outros cineastas. Ao final, o espectador desvenda os mistérios junto com Júlia e se o realizador se excede ao acrescentar uma ou duas ações descartáveis ao menos as outras virtudes reconhecidas compensam qualquer erro. É uma experiência como há muito não se testemunhava e que ainda traz claras influências dos melhores giallos, gênero literário e cinematográfico produzido na Itália.

Título Original: Los ojos de Julia
Ano de Produção: 2010
Direção: Guillem Morales
Roteiro: Guillem Morales e Oriol Paulo
Elenco: Belén Rueda, Lluís Homar, Pablo Derqui, Francesc Orella, Joan Dalmau, Boris Ruiz, Daniel Grao, Clara Segura, Andrea Hermosa e Julia Gutiérrez Caba
Cotação: 4 Stars

5 Comments

  1. […] para o mercado de home vídeo se beneficiaram bastante aqui. O primeiro foi o espanhol “Os Olhos de Julia“, que recebeu três avaliações (o mínimo para encabeçar o ponto crítico) positivas, […]

  2. […] de cada imagem que produzem. Algumas evidências disso podem ser vistas em “O Orfanato” e “Os Olhos de Julia”. Respectivamente dirigidos por Juan Antonio Bayona e Guillem Morales, ambos os filmes são […]

  3. Eckhart Muller Eckhart Muller

    Gostei demais desse filme, não desgrudei da tela do inicio ao final. Achei a estória fabulosa e muito inteligente com reviravoltas, os atores muito bons, a direção também muito boa. Não é um filme caríssimo como os americanos, mas é muito melhor que muitos filmes dos States. Precisamos aprender a fazer filmes como os espanhóis, roteiros inteligentes e atores maravilhosos! Chega de filme brasileiros violentos ou comédias bobas, não dá mais!

    • Eckhart, até hoje me pego impressionado por “Os Olhos de Julia”, especialmente ao rememorar a direção de Guillem Morales, de uma habilidade extraordinária fazer a gente sentir na pele a angústia vivida pela personagem da grande Belén Rueda. E por falar em Hollywood, ainda bem que eles não inventaram a besteira de refilmar essa história, não é mesmo?

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