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Resenha Crítica | VIPs (2010)

Marcelo Nascimento da Rocha é um nome comum e muitos dificilmente o associariam como sendo de alguém popular. Pois trata-se do nome real do paranaense que deu o que falar ao assumiu a identidade de Henrique Constantino, então filho do dono na companhia aérea Gol. Porém, essa não foi a única farsa do estelionatário atualmente preso em Cuiabá. Todos os seus golpes são descritos no documentário “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso” e também no livro homônimo, ambos assinados por Mariana Caltabiano. Já o longa-metragem de estreia de Toniko Melo, “VIPs”, faz um retrato ficcional do personagem real.

Wagner Moura é quem incorpora Marcelo em algumas fases de sua vida. Prestes a atingir a maioridade, é possível notar duas particularidades neste personagem. A primeira corresponde ao seu fascínio por aviões, algo herdado de seu pai piloto (Norival Rizzo). A segunda, a habilidade em imitar qualquer outra pessoa, como testemunhamos num acontecimento em sala de aula. A história passa a engrenar quando Marcelo abandona sua mãe (Gisele Froes), indo para Mato Grosso do Sul. Como piloto sem experiência prévia, passa a trabalhar para traficantes. Mais velho, dá o golpe que lhe rendeu maior notoriedade, passando-se por Henrique Constantino.

Para encarar o papel, Wagner Moura dispensou a possibilidade de desenvolvê-lo conhecendo na prisão o verdadeiro Marcelo Nascimento da Rocha. A decisão reforça a intenção dos envolvidos, fazendo de “VIPs” uma experiência que se distancia ligeiramente das pesquisas de Mariana Caltabiano. Com isto, “VIPs” ganhou um contorno pesado de drama psicológico. As motivações expostas poderiam soar inconvincentes, mas há aqui um intérprete defendendo a difícil missão de dar várias faces para um personagem tão difícil.

Título Original: VIPs
Ano de Produção: 2010
Direção: Toniko Melo
Roteiro: Bráulio Mantovani e Thiago Dottori, baseado no livro “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, de Mariana Caltabiano
Elenco: Wagner Moura, Juliano Cazarré, Emiliano Ruschel, Gisele Fróes, Arieta Correia, Jorge D’Elía, Roger Gobeth, Amaury Jr., João Francisco Tottene e Norival Rizzo
Cotação: 3 Stars

8 Comments

  1. O grande destaque deste filme, sem dúvida, é a atuação do Wagner Moura, que prova, mais uma vez, aqui, que é um grande camaleônico e o melhor ator brasileiro da atualidade. Em relação ao filme em si, acho que o roteiro tem alguns pontos bem falhos, mas nada que acabe prejudicando o resultado final obtido pelo diretor.

    • Kamila, seu comentário pontua bem o que é “VIPs”. Provavelmente Wagner Moura entrará na minha lista de melhores atuações masculinas durante o ano de 2011.

  2. Esperava bem mais desse filme, que parece dividido em blocos (a cada 20 minutos, uma história diferente, ao meu ver)… Só vale mesmo pra comprovar que o Wagner Moura é, possivelmente, o melhor ator brasileiro de sua geração!

    • Matheus, acredito que este estranhamento venha da própria história do Marcelo, que realmente se passou por várias pessoas ao longo de seus golpes. Mas há mesmo um problema de transição entre atos tão distintos.

  3. […] Punch – Mundo Surreal” é um deleite estético | Wagner Moura novamente camaleônico em “VIPs” | Não há moralismos no inventivo “Sem Limites” | “Ricky” é um dos melhores filmes de […]

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