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Resenha Crítica | Albert Nobbs (2011)

Quase vinte anos se passaram desde que surgiu o desejo de Glenn Close levar “Albert Nobbs” dos palcos para as telas de cinema. Protagonista da peça homônima exibida em 1982, Glenn Close quase filmou o longa-metragem no início da década passada, contando com o húngaro István Szabó na direção. Mais um tempo se passou e, depois de uma celebrada carreira na tevê, Glenn Close finalmente conseguiu concretizar “Albert Nobbs”, contando agora com o colombiano Rodrigo García por trás da câmera, mesmo cineasta que a conduziu nos dramas “Coisas Que Você Pode Dizer Só de Olhar Para Ela” e “Questão de Vida”.

Justifica-se a demora para a adaptação cinematográfica de “Albert Nobbs” pelo seu argumento polêmico. É sobre uma mulher que, sob a identidade de Albert, se veste de homem para trabalhar e economizar o suficiente para abrir seu próprio negócio, uma tabacaria. Situada na Irlanda do século XIX, a narrativa reserva para o público um acontecimento chocante logo em seu início: a verdade sobre Albert Nobbs desvendada por Hubert Page (a extraordinária Janet McTeer, indicada ao Oscar em 2000 por “Livre Para Amar” e que merece uma nomeação como atriz coadjuvante no próximo ano), outra mulher a se passar por homem.

O relacionamento entre esses dois personagens releva a intenção por traz do roteiro assinado por John Banville e também por Glenn Close. Numa realidade onde nenhuma mulher é capaz de obter independência sem a interferência masculina, resta para essas mulheres viverem sob uma máscara para finalmente viverem suas metas tão modestas. Uma abordagem que precisa ser conduzida com uma delicadeza que apenas Rodrigo García seria capaz de processar. Porém, o cineasta, tão afeito a filmes com um sem-número de histórias paralelas sempre conectadas em seus desfechos, não está num terreno seguro, enfrentando agora uma história que não oferece mais do que uma perspectiva.

Assim, fica difícil compreender a razão de dar tanto realce para figuras como dos serviçais Helen Dawes e Joe Macken, jovens que iniciam um relacionamento complicado e que passam a interferir nos planos de Albert Nobbs. Sendo encarnados por Mia Wasikowska e Aaron Johnson em performances fracas, tais personagens apenas desviam os focos que deveriam ser concentrados apenas em Albert Nobbs e Hubert Page e anulam a emoção que o público apresentaria no clímax do filme.

Título Original: Albert Nobbs
Ano de Produção: 2011
Direção: Rodrigo García
Roteiro: Glenn Close e John Banville
Elenco: Glenn Close, Janet McTeer, Mia Wasikowska, Aaron Johnson, Brendan Gleeson, Brenda Fricker, Pauline Collins, Mark Williams, Maria Doyle Kennedy, Bronagh Gallagher, John Light, Antonia Campbell-Hughes, Phoebe Waller-Bridge, Annie Starke, Emerald Fennell, Kenneth Collard, Serena Brabazon, Judy Donovan, Daniel Costello e Jonathan Rhys Meyers

11 Comments

  1. FYC:
    Best Performance by an Actress in a Leading Role [Glenn Close]
    Best Performance by an Actress in a Supporting Role [Janet McTeer]
    Best Achievement in Makeup

    Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Song [Lay Your Head Down]

  2. Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

    Rodrigo Garcia tem dessas coisas mesmo de queres dar atenção a todos os personagens, sendo eles principais ou não. Mas este eu verei com certeza

    • Marcelo, mesmo que o filme tenha me desapontado bastante, creio que ele seja válido pelo bom trabalho de Glenn Close e Janet McTeer.

  3. Uma pena a linda canção que encerra o filme não ter sido lembrada no Oscar — na pior seleção desde, sei lá, sempre. Mais lamentável, entretanto, é um filme com tamanho potencial dramático não saber aproveitá-lo. Nobbs é um personagem trágico e profundamente humano, de anseios profundos expressos nos olhares sublimes de Glenn Close — atuação tão econômica que justamente se perde quando precisa largar frases expositivas ou pensamentos verbalizados. Fico comovido com a trajetória de Albert Nobbs e Hubert Page; faltou roteiro e direção dar maior atenção a ela.

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