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Resenha Crítica | Martha Marcy May Marlene (2011)

Martha. Marcy May. Marlene. O que esses três nomes femininos que compõem o título do primeiro longa-metragem de Sean Durkin têm em comum? Mais do que se espera. Provavelmente, trata-se das três identidades em algum momento adotadas por Elizabeth Olsen. Na verdade, ela é Martha, virou Marcy May ao entrar em um estranho culto comandado por Patrick (John Hawkes, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por “Inverno da Alma“) e, se houver muita desatenção, e possível não reconhecê-la como Marlene em alguma etapa da história, cujo início se dá com a fuga de Marcy May do casarão na floresta que habitou por quase dois anos.

A seguir, Martha é aquela que ligará para Lucy (Sarah Paulson), sua irmã mais velha que tenta com Ted (Hugh Dancy) engravidar. Sem ter para onde ir, Lucy hospeda Martha em uma bela casa para onde vai apenas quando Ted consegue alguns dias consecutivos de folga. Sem aviso prévio, a narrativa costura assim o dia a dia de Martha e Lucy e alguns episódios de Marcy May convivendo com Patrick e outros elementos de seu culto, como o por vezes ameaçador Watts (Brady Corbet) e a novata Sarah (Julia Garner).

Nessa alternância entre passado e presente é possível compreender o contraste entre ambos os cenários e, talvez, o quanto eles atingiram a sanidade de Martha. Em alguns diálogos, especialmente aqueles com o cunhado Ted, e possível notar em Martha o quanto aquela existência de aparências a enoja. Por outro lado, a interação com todos aqueles que compõem o culto de Patrick revelam que o modelo de vida serena antes prometida, que inclui o desapego do bem material com intenção de produzir com as próprias mãos o que é necessário para sobreviver, se mostra mais selvagem do que deveria.

Em sua estreia como atriz, Elizabeth Olsen tem aqui a meta que provavelmente seria recusada por muitas intérpretes veteranas. Diante de uma narrativa complexa também escrita por Sean Durkin, Olsen precisa processar para o público toda a paranoia de suas personagens. Não apenas lida perfeitamente com a tarefa digna de uma indicação ao Oscar que infelizmente não deve acontecer como nos faz esquecer que é, na vida real, irmã mais nova das gêmeas Mary-Kate Olsen e Ashley Olsen, talvez as mais insuportáveis que se vê por aí. Seu olhar atinge o público com a capacidade de transmitir a turbulência que a habita, rendendo uma experiência mais perturbadora do que dedicada em dar resolução aos enigmas que inevitavelmente ficarão com a conclusão em aberto.

Título Original: Martha Marcy May Marlene
Ano de Produção: 2011
Direção: Sean Durkin
Roteiro: Sean Durkin
Elenco: Elizabeth Olsen, John Hawkes, Sarah Paulson, Hugh Dancy, Brady Corbet, Julia Garner, Christopher Abbott, Maria Dizzia, Louisa Krause, Adam David Thompson, Allen McCullough, Gregg Burton, Lauren Molina, Louisa Braden Johnson, Tobias Segal, Michael Chmiel e Diana Masi
Cotação: 4 Stars

16 Comments

  1. FYC:
    Best Actress in a Leading Role [Elizabeth Olsen]
    Best Actress in a Supporting Role [Sarah Paulson]

  2. Bem ansioso para ver esse, em especial por essas duas atrizes para quais você está fazendo o FYC. E não sabia que a Olsen é irmã daquelas insuportáveis, rs.

    • Vinícius, por incrível que pareça ela é sim. Os tablóides americanos andam dizendo que as duas estão morrendo de inveja da Elizabeth depois da repercussão desse filme, rs.

  3. Uma das maiores frustrações que tenho em relação a esse filme é ver que a elogiadíssima performance da Elizabeth Olsen tem sido solenemente ignorada na atual temporada de premiações. Será que o parentesco dela com as irmãs Olsen a prejudicou???

  4. Ah, e parabéns pelo belíssimo novo layout do blog. Eu AMEI!!!!

    • Kamila, definitivamente não é isto. Infelizmente, o papel feito pela atriz aqui não consegue muito reconhecimento fora das premiações alternativas e independentes. Mas fico na expectativa de estar enganado e ser surpreendido.

      Ah, e muitíssimo obrigado por ter comentado a mudança. Fico feliz que tenha gostado. ^^

    • Desde já de olho em todos os projetos que a Elizabeth Olsen está envolvida. Essa garota vai longe!

  5. Esse filme tem cara de ser sensacional. E que elenco curioso (no bom sentido, claro)! Tenho boas expectativas e já tenho um pouco de pena pelo esquecimento nas premiações.

    • Luis, é uma produção sensacional, mas nem todo mundo vai curtir. Eu mesmo fiquei dias para escrever esta resenha, vendo a experiência difícil proporcionada pelo filme.

  6. […] entre os demais sem dúvidas foi da jovem Elizabeth Olsen. O seu extraordinário trabalho em “Martha Marcy May Marlene” já lhe rendeu ao menos uma dúzia de prêmios e indicações, que surpreendentemente tem […]

  7. […] Exibido ano passado no circuito nacional, o uruguaio “A Casa” despertou a curiosidade em inúmeros espectadores por obter um feito curioso: contar uma história em um único plano-sequência. Até o momento, o único filme conhecido ao fazer este experimento com sucesso foi “Arca Russa”, filme de 2002 dirigido por Alexandr Sokurov. Ok, o espectador mais atento conseguia ver, sem muitas dificuldades, os cortes durante a narrativa. O que valia era o medo crescente, daqueles de fazer qualquer um dormir com a luz acessa. Se o remake “A Casa Silenciosa” tinha algo para contribuir seria a melhora na história, pois “A Casa” desapontava por uma resolução aquém das expectativas. Porém, de bom nesta refilmagem americana só mesmo a presença de Elizabeth Olsen, que confirma aqui o talento já notado em “Martha Marcy May Marlene“. […]

  8. […] Em sua estreia como atriz, Elizabeth Olsen tem aqui a meta que provavelmente seria recusada por muitas intérpretes veteranas. Diante de uma narrativa complexa também escrita por Sean Durkin, Olsen precisa processar para o público toda a paranoia de suas personagens. Não apenas lida perfeitamente com a tarefa digna de uma indicação ao Oscar que infelizmente não deve acontecer como nos faz esquecer que é, na vida real, irmã mais nova das gêmeas Mary-Kate Olsen e Ashley Olsen, talvez as mais insuportáveis que se vê por aí. Seu olhar atinge o público com a capacidade de transmitir a turbulência que a habita, rendendo uma experiência mais perturbadora do que dedicada em dar resolução aos enigmas que inevitavelmente ficarão com a conclusão em aberto. + […]

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