A Árvore da Vida

Com uma carreira que se iniciou em 1969, o americano Terrence Malick rodou apenas cinco filmes e um curta-metragem. Mesmo esporádico, é considerado como um dos maiores realizadores ainda vivo, tendo obras cujas cenas parecem ser concebidas com extrema meticulosidade. Atualmente, Malick está muito mais ativo, já que tem vários filmes na agenda após “A Árvore da Vida”. Em estágio de pós-produção, “Voyage of Time” e um drama romântico ainda sem título protagonizado por Rachel McAdams e Ben Affleck devem estrear no ano que vem. “Lawless” e “Knight of Cups” ainda estão em fase de pré-produção.

Em “A Árvore da Vida”, acompanhamos episódios da vida que foram definitivos na formação do caráter de Jack (Sean Penn), que atualmente encara no automático o trabalho e o relacionamento com a esposa (Joanna Going). Além do mais, é um homem triste, cujo comportamento espelha alguém que ainda não superou as experiências que teve na infância com o senhor O’Brien, seu rígido pai interpretado por Brad Pitt.

A sinopse entrega um drama familiar, mas o nome de Terrence Malick no projeto indica algo que vai muito além disso. Abre “A Árvore da Vida” com a mãe de Jack (Jessica Chastain, em performance singular) recebendo a notícia da morte de um de seus três filhos. Passado o luto, a história retrocede, mostrando o casal O’Brien tendo o primeiro filho e, em paralelo, o Big Bang. Tudo com o uso de imagens extraordinárias que constroem uma narrativa totalmente distinta dentro do que se vê no cinema contemporâneo.

Com isto, temos um filme onde há uma forte experiência sensorial e, com ela, discussões sobre Fé e Ciência. Nada melhor então do que ter a família O’Brien com sua existência totalmente crível para representar a proposta de Terrence Malick, mas há um problema com a chegada do último ato de “A Árvore da Vida”. Isto se dá com a tentativa de tornar mais sólidos os tormentos do Jack adulto, ingênuos avaliando que o que ele é hoje se baseia apenas na educação rigorosa de seu pai – não à toa, o próprio Sean Penn, feliz com os projetos que participou, se mostrou insatisfeito com o produto final de “A Árvore da Vida”. Numa tentativa de compartilhar os sentimentos tumultuados que cercam o início e o fim, a vida e a morte, “Melancolia” é uma obra tão recente quanto “A Árvore da Vida”, mas que se mostra mais completa.

Título Original: The Tree of Life
Ano de Produção: 2011
Direção: Terrence Malick
Roteiro: Terrence Malick
Elenco: Brad Pitt, Jessica Chastain, Hunter McCracken, Laramie Eppler, Tye Sheridan, Fiona Shaw, Jessica Fuselier, Nicolas Gonda, Will Wallace, Kelly Koonce, Bryce Boudoin, Jimmy Donaldson, Kameron Vaughn, Cole Cockburn, Dustin Allen, Brayden Whisenhunt, Joanna Going e Sean Penn
Cotação: 3 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

6 Comentários em A Árvore da Vida

  1. O melhor do ano pra mim, incontestável! Essa coisa da “formação do caráter” me parece o ponto crucial do filme, exatamente onde o Malick parece querer chegar. É como se ele perguntasse: O que nos forma como indivíduos? Quem ou o quê é responsával por isso? E acho que o filme tem sua coesão, apesar da estrutura não-linear e repleta de significados. Ao mesmo tempo, é incrível como o Malick filma bem, nos deixando íntimos daquelas pessoas, sem o menor traço de marcação ou impostação para um filme tão grandioso. Coisa de gênio!

    • Rafael, não tenho o que me queixar do Malick diretor. Fiquei maravilhado com “A Árvore da Vida” da primeira a última cena. Agora em relação do Malick roteirista, bem, tenho lá minhas queixas. Compreendo e concordo com sua opinião, mas não consigo me convencer totalmente com o perfil que ele desenha de Jack.

    • Vinícius, o filme não encabeçará minha lista de favoritos de 2011, mas é uma obra que permanecerá na minha memória por um bom tempo, sem dúvida. Já “Melancolia” a experiência é indescritível, filme maravilhoso.

  2. Não consigo definir se gosto ou não do filme. Achei ele cansativo, mas ao mesmo tempo, foi uma experiência única. Sensorial, visual e totalmente não linear, mas que prende por sua beleza. A trilha sonora atrelada com sequencias de imagens (principalmente a do Big Bang) é belíssima.

    Abs!

    • Natalia, creio que o grupo dos indecisos do qual você é membro é muito maior do que aquele que definitivamente gostou ou detestou “A Árvore da Vida”, rs. É um bom filme, dou para ele uma avaliação positiva, mas fico por aqui.

      Abraços.

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