Resenha Crítica | Deus da Carnificina (2011)

Escrita pela francesa Yasmina Reza em 2006, a peça teatral “Le Dieu du carnage” foi um sucesso. Ácido, o texto era encenado por apenas quatro intérpretes no palco. Houve até uma adaptação brasileira, com direção de Emílio de Mello e Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti no elenco. Quando a versão cinematográfica foi confirmada com o cineasta franco-polonês Roman Polanski após o período que se encontrava detido com o mandato de prisão emitido pelo crime de pedofilia, a expectativa era de ver, guardadas as devidas distinções, um novo “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, obra-prima de Mike Nichols.

O casal Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz, o único com desempenho digno de algum elogio) visita o casal Longstreet (Jodie Foster e John C. Reilly) após o desentendimento entre seus filhos num parque em Nova York. Na cena de abertura, visualizamos com a câmera distante de Polanski o jovem Zachary, filho dos Cowan, acertando o rosto de Ethan, filho dos Longstreet, com uma vareta, lhe custando dois dentes quebrados. A intenção do quarteto é resolver de forma pacífica a briga entre Zachary e Ethan. Porém, o encontro vai se alongando e os quatro personagens, antes gentis até demais, vão trocando farpas até a discussão ir além da razão que os reúnem no apartamento que serve como único cenário de toda a história.

Mesmo que Roman Polanski seja reconhecido como um cineasta de dramas pesados (“O Pianista”, “Macbeth”) ou thrillers psicológicos ou sobrenaturais (“Repulsa ao Sexo”, “O Bebê de Rosemary”), “Deus da Carnificina” não é um filme estranho em sua filmografia. Volta e meia o cineasta injeta doses de humor cortante em suas narrativas e em “A Morte e a Donzela” (um de seus melhores filmes, protagonizado por Sigourney Weaver, Ben Kingsley e Stuart Wilson) Polanski também lidou com poucos personagens num único ambiente. A diferença é que em “Deus da Carnificina” a mistura dessas características não dão certo.

Passados vinte minutos (o filme não alcança oitenta minutos de duração), alguns diálogos se justificam apenas para que exista o confronto verbal entre os dois casais, o que não aconteceria com naturalidade numa possibilidade real. Meia hora depois, o quarteto se serve com alguns drinques e o circo é armado, com direito a interpretações constrangedoras de Kate Winslet e Jodie Foster. Como teatro, “Deus da Carnificina” provavelmente tinha um texto delicioso. Como cinema, “Deus da Carnificina” é uma frustração.

Título Original: Carnage
Ano de Produção: 2011
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Roman Polanski e Yasmina Reza, baseado na peça “Le Dieu du carnage”, de Yasmina Reza
Elenco: Kate Winslet, Christoph Waltz, Jodie Foster, John C. Reilly, Elvis Polanski  e Eliot Berger

Data:
Filme:
Deus da Carnificina
Avaliação:
2
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

3 Comentários em Resenha Crítica | Deus da Carnificina (2011)

  1. Parece que esse filme sofre daquela maldição de longas que reúnem grandes atores. Isso nunca parece dar certo… Mesmo assim, vou conferir com certeza.

  2. Quando assisti ao trailer de “Carnage”, tive uma forte impressão que seria decepcionante. E, pelo jeito, o filme de Polanski é exatamente isso. Meu maior medo é que “Carnage” seja completamente teatral, sem linguagem cinematográfica…

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