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Resenha Crítica | De Coração Partido (2009)

Há várias perspectivas já trabalhadas quando o argumento dramático em pauta é uma criança no meio da briga entre duas famílias ou pais separados que lutam para ter a sua guarda integral. O filme independente “De Coração Partido” tem um ponto de partida original e que a princípio o difere de tantos outros exemplares. De um lado, há um casal de passado errante que busca por uma nova chance. Do outro, pais que podem dar do bom e do melhor e que justamente pelo alto poder aquisitivo têm um caráter meio questionável.

Wendy (Mira Sorvino) foi agredida pelo marido alcoólatra Roy (Barry Pepper) e não teve alternativa a não ser mandá-lo para a prisão e cumprir um programa de reabilitação. Solto sete anos depois, Roy diz que está curado e que planeja com Wendy construir uma família. Wendy revela neste momento que já estava grávida antes de ele partir e que entregou seu filho ainda recém-nascido para a adoção. Como não houve consentimento do Roy nesta ação, há uma lei de Ohio que pode favorecê-los no sentido de reaver a criança, atualmente vivendo com Jack (Cole Hauser) e Molly Campbell (Kate Levering). O casal Campbell é incapaz de ter um filho e irão cometer atitudes pouco recomendáveis para ficar com Joey (Maxwell Perry Cotton), o filho legítimo de Wendy e Roy.

Acompanhar a história até sabermos com quem o pequeno Joey ficará gera alguma tensão dramática. O que o diretor Jon Gunn, junto com a dupla de roteiristas Michael Lachance e Stephen J. Rivele, não compreende é que é preciso ir além disso. Com isto, “De Coração Partido” lida de forma apenas trivial o conflito estabelecido, fazendo com que Joey, justamente o elemento em jogo, seja encarado apenas como mero figurante enquanto esses dois casais sofrem por ele. No meio de tanto dramalhão, salva-se apenas a performance de Mira Sorvino, convincente na pele de uma mulher sempre encurralada nas circunstâncias que se moldam.

Título Original: Like Dandelion Dust
Ano de Produção: 2009
Direção: Jon Gunn
Roteiro: Michael Lachance e Stephen J. Rivele, baseado no romance de Karen Kingsbury
Elenco: Mira Sorvino, Barry Pepper, Cole Hauser, Kate Levering, Maxwell Perry Cotton, L. Scott Caldwell, Abby Brammell, Kirk B.R. Woller e Brett Rice
Cotação: 2 Stars

9 Comments

  1. Gosto muito do Barry Pepper. Acho que ele é um dos atores mais subestimados de Hollywood. Uma pena que esse filme não tenha rendido o esperado. Pelo menos, vale para rever a Mira Sorvino, que andava um tanto sumida.

    • Barry Pepper, gosto do Barry Pepper. Especialmente em “Três Enterros”, em que ele oferece grande entrega ao papel. Já a Mira Sorvino não anda sumida, não. O problema é que há anos ela está metida em projetos insípidos como este.

  2. Abrao Abrao

    Eu particularmente gostei, apesar de dramalhão é de fato tocante e tendo em vista que alguns dramalhões hoje em dia são tão forçados que da vontade de rir, acho que o filme cumpre o Objetivo.
    Sobre o garoto ( Joey ) ser quase um figurante no filme eu até concordo com a critica, mas convenhamos é um filme de baixo orçamento, imagina achar um pequeno tão bom que não estragasse o filme ficando em primeiro plano, onde tem um ator mirim
    assim??? quanto custaria????

    • Abrao, pois uma coisa nada tem a ver com a outra. O fato de um projeto contar com um orçamento baixo não significa que ele seja incapaz de contratar um bom elenco. Já vi filmes filmados com aproximadamente 300 mil dólares que contam com um elenco extraordinário.

  3. Giselle Gomes Giselle Gomes

    Alex e Abrão, pelos comentários acima percebo que ambos, ainda, não são pais. Só pode. Vcs estão sendo muito técnicos e não estão percebendo a sensibilidade da história que envolve um sentimento único e verdadeiro. O amor incondicional! O filme tem um história bem realista e perfeita nos detalhes. Todas as mensagens são passadas sutIlmente através de gestos e palavras. Um ótimo exemplo é a frase da Wendy no final. Ela fala: – Fale pra ele que ele tem duas mães. Uma que o amou tanto que não o deixou ir e outra que o amou tanto que teve que fazer isso.” Eu como mãe vi nesta frase o resumo de toda a história. Não achei a família Campebel de carater duvidoso. Alí era uma família verdadeira em desespero para não perder seu filho. E Mira Sorvino, magnanima em sua interpretação, toma a decisão de deixar o filho com os pais adotivos no momento em que, toda machucada, encontra uma foto dela com o bebê na maternidade. Um filme de muita sensibilidade, não teve como não se envolver emocionalmente. Simplesmente perfeito!

  4. GISELLE GOMES, eu também não achei o caráter dos pais adotivos duvidoso, só vi a luta e o desespero de um casal prestes a perder um filho. Também achei perfeito.

  5. Discordo desta resenha na parte em que diz que a criança é encarada apenas como mero figurante, a verdade é que os pais são tão cuidadosos que fazem com que o menino não perceba o que está acontecendo de fato. E eu não classificaria como um dramalhão, o filme passa muita emoção pelo fato de ser um assunto delicado que as pessoas não precisam nem ter tido filho para poder entender. Achei o filme excelente e as atuações impecáveis!

  6. Beto, concordo na parte em que diz de que o espectador não precisa necessariamente ter um filho para se emocionar com o filme, algo que contradiz a afirmação da Giselle. Não gosto do personagem do garotinho, ele me soou um objeto sem personalidade em disputa.

  7. Giselle, esta fala da Wendy é de fato marcante e, não à toa, destaco a interpretação sensível de Mira Sorvino neste drama. No entanto, me permita discordar sobre a sua afirmação de que é preciso ser um pai ou uma mãe para apreciar um filme como “De Coração Partido”. Enfim, o cinema é assim mesmo. Um filme tem o poder tanto de atrair como de nos afastar.

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