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Resenha Crítica | A Chave de Sarah (2010)

Ainda que mais de meio século tenha se passado desde o fim da Segunda Guerra Mundial, há sequelas em muitas pessoas diretamente ligadas ou não neste que foi um dos episódios mais trágicos de toda a História. Isto se sente intensamente no cinema, havendo filmes recentes como “O Menino do Pijama Listrado“, “O Leitor” e “A Espiã” que se dedicam em dar suas versões distintas sobre o mesmo período. “A Chave de Sarah” é a obra mais recente em contribuir com um tema que, apesar de excessivamente explorado, não evidencia muitos sinais de esgotamento.

“A Chave de Sarah” tem frescor porque sua narrativa, adaptada de um best seller de Tatiana De Rosnay, tem um recurso interessante ao focar, com quase o mesmo tempo em cena, duas protagonistas de épocas distintas. A primeira é a pequena Sarah (a fantástica Mélusine Mayance, que já se mostrara promissora em “Ricky“, de François Ozon). Filha de franceses judeus, Sarah comete um ato drástico em uma situação desesperadora: o de trancar em seu guarda-roupa o irmão caçula quando soldados nazistas invadem seu apartamento. Capturados, Sarah e seus pais são reclusos e, posteriormente, separados. Sarah é a única a conter a chave capaz de abrir o guarda-roupa e corre contra o tempo para salvar o irmão.

Simultaneamente, acompanhamos a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) em dias atuais. Coincidentemente, o apartamento que vivia seu sogro era habitado pela familia de Sarah, os Strazynski. Isto a motiva a desenvolver uma extensa matéria sobre judeus deportados na França de 1942, exatamente o ano em que a história de Sarah transcorre. Porém, desvendar o que aconteceu com Sarah parece influenciar Julia em muitas atitudes particulares, como a decisão em abortar após se descobrir grávida de Bertrand (Frédéric Pierrot), um homem que não ama como antes.

Cineasta até então inexpressivo (realizou o pavoroso “A Prisioneira”, thriller estrelado por Mischa Barton disponível em DVD), o francês Gilles Paquet-Brenner faz um bom trabalho em “A Chave de Sarah”, mantendo equilíbrio entre as duas histórias e nunca usando meios manipulativos para tornar mais dramáticas algumas resoluções naturalmente tristes. Mas é importante também frisar que uma vez mostrada a chegada de Sarah ao seu destino, algo mostrado no meio da metragem, “A Chave de Sarah” vai perdendo gradativamente seu impacto.

Título Original: Elle s’appelait Sarah
Ano de Produção: 2010
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Roteiro: Gilles Paquet-Brenner e Serge Joncour, baseado no romance “A Chave de Sarah”, de Tatiana De Rosnay
Elenco: Kristin Scott Thomas, Mélusine Mayance, Aidan Quinn, Niels Arestrup, Frédéric Pierrot, Michel Duchaussoy, Dominique Frot, Natasha Mashkevich, Gisèle Casadesus, Sarah Ber, Arben Bajraktaraj, Karina Hin, James Gerard, Joseph Rezwin, Kate Moran, Paul Mercier e Charlotte Poutrel
Cotação: 3 Stars

3 Comments

  1. O que mais me atrai neste filme, além da trama, que parece ser bem interessante, com certeza é a Kristin Scott Thomas, que parece estar ótima aqui!

    • Kamila, dizer que a atriz está ótima é chover no molhado. Ainda assim, o grande desempenho da fita é mesmo da pequena Mélusine Mayance. Essa menina tem futuro! O filme chega em DVD em fevereiro. Portanto, assista. ;-)

  2. Por mais que tenha um clichê ou outro aqui e ali, também gostei desse filme, principalmente pela denúncia que faz sobre o massacre de judeus pelos próprios franceses. Sem falar na presença incrível que a Scott Thomas possui. Ela é muitas vezes responsável por transformar um texto às vezes piegas e forçado em algo mais valorozo e verdadeiro. A cena final é de botar qualquer um pra chorar.

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