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Resenha Crítica | A Dama de Ferro (2011)

Margaret Thatcher é uma figura pública que ainda rende grande destaque quando se discute a política britânica. Atualmente com oitenta e seis anos de idade, Thatcher é notória por ser a primeira mulher ao assumir o cargo de primeiro-ministro no Reino Unido, com um mandato que durou onze anos. Apelidada de A Dama de Ferro por sua postura e determinação adotadas em toda sua carreira política, Margaret Thatcher é uma personagem que qualquer atriz veterana imploraria para interpretar. Ironicamente, a responsabilidade de encarná-la na tela recaiu justamente sob os ombros de uma americana, Meryl Streep. O trabalho da intérprete realmente cativou, rendendo a ela sua 17ª indicação ao Oscar e vitória na mais recente edição do Globo de Ouro.

Se não fosse a curiosidade em ver Meryl Streep no papel, certamente “A Dama de Ferro” seria solenemente ignorado, pois Phyllida Lloyd (que dirigiu Meryl Streep no constrangedor musical “Mamma Mia!”) não faz um filme à altura de Margaret Thatcher – não à toa, os britânicos bateram o pé diante da forma como se desenha a história da ex-primeira-ministra. Em pouco mais de uma hora e meia, “A Dama de Ferro” desvenda Margaret Thatcher desde a juventude até seu recente estado de reclusão. A garra desta mulher é reconhecida quando, na pele da jovem Alexandra Roach, aceita se casar com Denis (Harry Lloyd) não sob a condição de levar uma vida medíocre como esposa, mas como alguém que deseja deixar sua marca na história através da política. Este e outros momentos cruciais são exibidos a partir de lembranças de uma Margaret Thatcher já senil e feita por uma Meryl Streep com maquiagem indicada ao Oscar que parece “engessar” todas suas expressões.

Mais do que mostrar a forte influência que Margaret Thatcher passou a exercer como primeira-ministra, “A Dama de Ferro” procura fazê-lo de modo imparcial, permitindo que o público possa julgá-la positivamente ou negativamente diante de sua postura, algumas vezes questionável em episódios que vão desde protestos contra o fim de distribuição gratuita de leite em escolas até a renúncia de seu cargo ao perder o apoio de seu próprio partido. Mesmo assim, esta escolha em como retratá-la resulta frustrada pela falta de harmonia em como “A Dama de Ferro” encaixa esses acontecimentos, uma mistura de imagens de arquivo com encenações. E se não bastasse a falta de semelhanças entre Meryl Streep e Alexandra Roach para encarnar fases de um mesmo papel (algo que causa muita estranheza na transição de atos), “A Dama de Ferro” comete uma falta grave no excesso de espaço reservado mais para os devaneios na velhice de Margaret Thatcher representados em imaginárias aparições de Denis (Jim Broadbent faz o personagem em idade mais avançada) e menos para suas conquistas e declínio.

Título Original: The Iron Lady
Ano de Produção: 2011
Direção: Phyllida Lloyd
Roteiro: Abi Morgan
Elenco: Meryl Streep, Jim Broadbent, Alexandra Roach, Harry Lloyd, Olivia Colman, Iain Glen, Nicholas Farrell, John Sessions, Anthony Head, Julian Wadham, Richard E. Grant, Angus Wright, Roger Allam, Michael Pennington, Nick Dunning, Matthew Marsh e Willie Jonah
Cotação: 1 Star

5 Comments

  1. Acho que todos nós já sabíamos que a direção seria um problema nesse filme. A Phyllida Lloyd é um caso complicado demais… Fico triste pela Meryl Streep. Porque esse papel foi feito pra ganhar um Oscar e com um filme assim não sei se as chances dela ganhar ficam prejudicadas.

  2. Concordamos que o filme é péssimo (e a culpa é toda da incompetente da Phyllida Lloyd), mas discordamos no que se refere ao desempenho da Meryl. Para mim, ela conseguiu superar a maquiagem, longe de ser, por exemplo, apenas uma boa caracterização como a de Glenn Close em “Albert Nobbs”. A cena em que Thatcher se despede de Denis é um exemplo disso.

  3. […] como outro tema em foco. Quando isto acontece, o texto de Abi Morgan (que escreveu recentemente “A Dama de Ferro”) e também de Steve McQueen se mostra totalmente moralista, dando importância ao velho valor de […]

  4. […] que após anos e mais anos de indicações finalmente conquistou o seu terceiro Oscar por “A Dama de Ferro”. O vacilo da edição foi o esquecimento da interpretação arrasadora de Tilda Swinton em […]

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