O Mágico

Hoje considerado um dos maiores gênios que o cinema francês já teve, Jacques Tati viveu um longo período de decadência iniciado com o fracasso em bilheteria de “Playtime – Tempo de Diversão”. Como um dos produtores desta comédia atualmente considerada um clássico, Jacques Tati entrou numa crise financeira que jamais foi capaz de superar. Isto talvez justifique a razão do roteiro de “O Mágico”, originalmente escrito por Tati, ganhar as telas apenas agora, em forma de animação em longa-metragem pelas mãos de Sylvain Chomet, responsável por “As Bicicletas de Belleville”.

Quase sem diálogos, “O Mágico” traz como protagonista um senhor que guarda muitas semelhanças com o próprio Jacques Tati. Trata-se de um ilusionista que vive de fazer apresentações para pequenas plateias. Numa turnê na Escócia, conhece uma garotinha que passa a acompanhá-lo. Não nasce aqui um relacionamento amoroso e sim o despertar de um lado paternal que o velho ilusionista não imaginava que existia dentro de si.

Merecidamente indicado ao Oscar 2011 na categoria de Melhor Animação (perdeu para “Toy Story 3“), “O Mágico” é uma animação de traços tradicionais cada vez mais raros de serem produzidas pela invasão da tecnologia em computação gráfica que atinge todo o gênero atualmente. Diferencia-se também entre os demais por trazer uma história melancólica (a bela música também composta por Sylvain Chomet dá realce a essa atmosfera) que seduzirá muito mais o público maduro do que o infantil, resultando numa resolução maravilhosa e inesquecível por pincelar um cenário cuja aspereza não deixa espaço para nenhuma ilusão.

Título Original: L’illusionniste
Ano de Produção: 2010
Direção: Sylvain Chomet
Roteiro: Sylvain Chomet e Jacques Tati
Vozes de: Jean-Claude Donda e Eilidh Rankin
Cotação: 4 Stars

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em O Mágico

  1. Concordo que esse é um filme de animação bastante diferenciado. Eu, particularmente, gostei de “O Mágico”. É um filme muito bem feito, bastante nostálgico e que fala sobre a arte de uma forma bastante melancólica.

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