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Resenha Crítica | Em Um Mundo Melhor (2010)

Com algumas obras em sua filmografia, a cineasta dinamarquesa Susanne Bier pôde expor na sua visão de autora como um ato de violência consegue atingir drasticamente seus personagens. Apenas para nos atermos a exemplos recentes, em “Coisas Que Perdemos Pelo Caminho” a personagem de Halle Berry precisa encarar a difícil missão de cuidar sozinha de seus filhos e oferecer apoio ao personagem de Benicio Del Toro quando seu marido interpretado por David Duchovny é assassinado. No ainda mais denso “Brothers”, o protagonista feito por Ulrich Thomsen surta ao retornar para seu lar após ser dado como morto em combate no Iraque. No recente “Em Um Mundo Melhor”, a diretora busca dar mais enfoque a este tema que tanto a persegue. Faz assim aquele que talvez seja o filme mais perspicaz de sua carreira, laureado com o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro no ano passado.

O roteiro escrito por Anders Thomas Jensen acompanha duas famílias. Primeiro somos apresentados a Christian (William Jøhnk Nielsen) e ao seu pai Claus (Ulrich Thomsen). Christian é um garoto que apresenta mudança de comportamento desde o falecimento de sua mãe, o que se reflete na maneira como trata Claus e a difícil adaptação num novo ambiente escolar. Ele se torna amigo de Elias (Markus Rygaard), por sua vez uma vítima de bullying cujo pai, Anton (o soberbo Mikael Persbrandt, que aparecerá em “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada”), reveza-se entre salvar o próprio casamento e trabalhar na África num campo de refugiados.

Uma vez estabelecido o perfil de cada um dos membros da família de Christian e Elias, “Em Um Mundo Melhor” traça um painel universal de atos violentos que serão vivenciados ou protagonizados por cada um. As passagens mais comoventes são dedicadas a Anton, que faz todo o possível para afastar Elias da irracionalidade que toma conta de muitos indivíduos ao mesmo tempo em que encara seus próprios dilemas quando presta cuidados médicos a um líder de uma facção responsável pela barbárie provocada contra os inocentes que luta para salvar todos os dias. Ninguém, independente de nacionalidade, raça ou classe social, está imune deste mundo violento. Mesmo assim, Susanne Bier acerta em cheio ao apresentar uma resolução esperançosa de que é possível iniciar uma mudança a partir de nós mesmos.

Título Original: Hævnen
Ano de Produção: 2010
Direção: Susanne Bier
Roteiro: Anders Thomas Jense
Elenco: Mikael Persbrandt, Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, William Jøhnk Nielsen, Markus Rygaard, Wil Johnson, Gabriel Muli, Satu Helena Mikkelinen, Camilla Gottlieb, Toke Lars Bjarke, Anette Støvelbæk e Kim Bodnia

5 Comments

  1. Eu gostei muito desse filme. Achei excelente, pra falar a verdade, especialmente na forma como fala da violência, pelo olhar das duas crianças e das reações dos incrédulos pais.

    • Kamila, notei que muitos criticaram o filme só porque ele venceu o Oscar (quase todos, assim como eu, torciam para “Incêndios”). Prêmios à parte, gosto muito do trabalho de Susanne Bier aqui, ela amadureceu muito como cineasta.

  2. […] uma paleontóloga contratada pelo cientista norueguês Sander Halvorson (Ulrich Thomsen, de “Em Um Mundo Melhor”) para avaliar um organismo vivo. Removido da Antártica, essa descoberta faz Sander montar uma […]

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