Skip to content

Resenha Crítica | Beleza Adormecida (2011)

Quando foi exibido na noite de abertura do Festival de Cannes no ano passado, “Beleza Adormecida” obteve reações divididas. Meses depois, o filme chegou aos cinemas americanos, rendendo através da imprensa comentários que iam de elogios ao debut da australiana Julia Leigh até de frustrações pelas respostas que sua narrativa não oferece. Recentemente exibido em circuito limitado no Brasil, “Beleza Adormecida” mais uma vez consegue o feito de conquistar opiniões tão divergentes. Temos definitivamente um filme que você amará ou odiará.

A trama é polêmica. Lucy (Emily Browning, de “Sucker Punch – Mundo Surreal”) é uma jovem estudante universitária que se divide em vários trabalhos. Em um momento, Lucy está em um escritório trabalhando com uma fotocopiadora. Em outro, ela serve de cobaia em um laboratório. A resposta dada para um anúncio fará Lucy embarcar numa jornada erótica que nos fará compreender melhor o que se passa com ela, alguém cuja vida particular se limita a visitas a um amigo viciado em drogas ou a contatos telefônicos esporádicos com a mãe.

Após fazer uma entrevista com Clara (a excelente Rachael Blake, de “Lantana”), Lucy é encaminhada para uma luxuosa residência onde deverá trabalhar por uma noite servindo vinho e comida vestindo apenas lingerie. Clara deixa claro que as selecionadas que se saírem bem ao executarem essas tarefas serão promovidas para uma atividade melhor remunerada e, obviamente, mais obscura. Trata-se de adormecer e transformar-se em objeto de poder para velhos anônimos ricos, por sua vez orientados a não penetrá-la ou bater em seu corpo frágil.

Com apenas vinte e três anos, Emily Browning surpreende na difícil tarefa de não apenas se despir, mas de manter a condição passiva de sua personagem em fortes cenas onde é dominada sem que nada possa fazer. No entanto, o melhor de “Beleza Americana” está na maneira como Julia Leigh optou em dirigir seu próprio roteiro. A interação de personagens e a atmosfera densa de algumas cenas remetem ao trabalho da colega Jane Campion, de “O Piano”.

Assim como Lucy, outros personagens de “Beleza Adormecida” estão presos em uma existência em que a única certeza é o fim dela e que aguardam por um “baque” para despertá-los, como um sujeito que, ao conversar com Lucy em um bar, diz que algumas pessoas fingem a própria morte enquanto ele assume fingir a própria vida. Trata-se de um sentimento que nem as imagens de “Beleza Adormecida” conseguiriam traduzir perfeitamente.

Título Original: Sleeping Beauty
Ano de Produção: 2011
Direção: Julia Leigh
Roteiro: Julia Leigh
Elenco: Emily Browning, Rachael Blake, Ewen Leslie, Peter Carroll, Chris Haywood,Hugh Keays-Byrne, Les Chantery, Eden Falk, Mirrah Foulkes e Henry Nixon
Cotação: 3 Stars

5 Comments

  1. Kamila Kamila

    Tenho muita curiosidade em assistir a este filme, mas o fato de ele ter passado completamente despercebido em todo lugar me desanima por completo.

    • Kamila, não acredito que o filme passou despercebido, uma vez que ele rendeu vários comentários, especialmente quando exibido no Festival de Cannes e no Festival do Rio. No entanto, acredito que ele não ganhou um lançamento digno aqui no Brasil (em São Paulo ele foi exibido em apenas um cinema). Mas compreendo, já que é um tipo de filme para um público bem restrito.

  2. Engraçado que apesar da recepção bastante negativa que teve em Cannes, desde lá eu já me interessava pela atmosfera que o filme parecia apresentar. Mas, de fato, vendo o filme, dá uma forte impressão de coisa sem perspectiva, muito embora exista um conceito estético bem definido no filme. As coisas só não deslancham porque é difícil se importar com os conflitos da personagens. Tudo é muito frio e anódino, sem graça. Acho muito diferente da efusividade de O Piano, já que você citou o filme.

    • Rafael, me recordo que quando “Beleza Adormecida” foi exibido em Cannes não houve uma recepção tão negativa assim. Me parece que nem foi vítima de vaias (algo que atingiu até o vencedor da Palma de Ouro, “A Árvore da Vida”). E compreendo a experiência que você teve com o filme, mas a minha foi bem oposta.

  3. Eduardo pepe Eduardo pepe

    Gostei e não gostei do filme. Ele tem cenas marcantes,adorei a atuação da Rachael Blake e o visual do filme é ótimo, mas o filme não desenvolve a maioria das personagens e temas, possui diálogos soltos e certa pretensão em soar complexo, quando, na verdade, é ligeiramente oco. É uma experiência interessante e diferente (isso explica a exebição em cannes), mas falta muita coisa para que os temas sejam melhor apresentados, desenvolvidos e questionados.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: