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Resenha Crítica | Pina (2011)

Reconhecida como uma das maiores coreógrafas e dançarinas que o mundo artístico já teve, Pina Bausch partiu em 2009 deixando um extenso trabalho que ainda repercute. Colaborou com Wim Wenders antes de saber que tinha um câncer (foi diagnosticada apenas alguns dias antes de morrer) para a realização de um filme que destacasse todo o processo para números de dança tão arrebatadores. Sem a presença de Pina Bausch, o diretor alemão de “Asas do Desejo“ decidiu seguir em frente e entrega “Pina”, documentário em tom de homenagem.

Através de imagens de arquivo, Pina Bausch exibe sua entrega à dança e as experiências que a inspiravam como coreógrafa. Entram assim os dançarinos que se dedicaram totalmente em representar o que Pina criou, rendendo apresentações que há toda uma interação entre seres humanos, suas emoções e a harmonia entre os quatro elementos da natureza.

Se os números já não fossem suficientemente maravilhosos, Wim Wenders planejou “Pina” em 3D, tornando o documentário o primeiro filme de arte em 3D e joia rara num cenário tão saturado com o uso inadequado do formato. Além do mais, muitas danças vão além dos palcos, sendo apresentadas em locações externas. É uma pena que este espetáculo de encher os olhos faça questão de quebrar a interação que há entre o público e a dança sempre nos instantes em que Wim Wenders tenta desenhar o perfil de Pina Bausch com o auxílio de depoimentos de cada um dos dançarinos.

Título Original: Pina
Ano de Produção: 2011
Direção: Wim Wenders
Roteiro: Wim Wenders
Elenco: Pina Bausch, Regina Advento, Malou Airaudo, Ruth Amarante, Rainer Behr, Andrey Berezin, Damiano Ottavio Bigi, Bénédicte Billet, Ales Cucek, Clementine Deluy, Josephine Ann Endicott, Lutz Förster, Pablo Aran Gimeno, Mechthild Grossmann, Silvia Farias Heredía, Ditta Miranda Jasjfi, Barbara Kaufmann, Nayoung Kim, Daphnis Kokkinos, Ed Kortlandt, Eddie Martinez, Dominique Mercy, Thusnelda Mercy, Cristiana Morganti, Morena Nascimento, Nazareth Panadero, Helena Pikon, Fabien Prioville, Jean-Laurent Sasportes, Franko Schmidt, Azusa Seyama, Julie Shanahan, Julie Anne Stanzak, Michael Strecker, Aida Vainieri, Anna Wehsarg e Tsai-Chin Yu
Cotação: 3 Stars

11 Comments

  1. Mas desenhar o perfil de Pina não seria justamente um das expectativas num filme cujo título é o da própria coreógrafa? Só acho que a maneira com que o Wenders faz isso, através das considerações de seus dançarinos, é muito pertinente quando o próprio trabalho de dança que ela desenvolvia tinha muito de ouvir e trazer as experiências pessoas de cada membro do grupo. Essa coisa de tirar a dança do palco e jogá-la no “mundo real” é um outro movimento muito pertinente que o filme faz. Mas além disso, me parece que é a primeira vez que o 3D é utilizado como comentário subjetivo dentro do filme. Porque importa não só a potencialização do espetáculo visual das danças, mas também a ideia de como a dança de Pina era tridimensional no sentido de poder alcançar níveis vários e intensos na sensibilidade humana.

    • Rafael, com certeza, mas acredito que Wim Wenders não foi feliz na decisão de adicionar os depoimentos dos dançarinos justamente nos números de dança. Comparo a experiência de ver este filme com a de ver um espetáculo de dança. Num espetáculo, quero estar desligado de tudo ao meu redor, concentrando as minhas atenções unicamente no que está no palco. O filme oferece essa experiência e faz interrupções justamente no meio de cada apresentação, com depoimentos que deveriam ser inseridos ou como introdução ou conclusão. Não tenho certeza se com a ligeira resenha acima consegui convencer com essa minha insatisfação. Por outro lado, sua opinião sobre o uso do 3D em “Pina” não poderia ser mais perfeita.

  2. Confesso: achei “Pina” lindíssimo, mas com um ritmo extremamente arrastado. Não é para qualquer público…

    • Olha, eu admito que houve momentos em que deu vontade de dar um cochilo sempre que aqueles depoimentos invadiam a tela…

  3. Eu achei esse filme extremamente belo, sensorial e envolvente. Acho que Wim soube transpor para as telas o que eu achava impossível, que era a delicadeza e os sentimentos que Pina soube passar para os palcos. Algo incrível!

    • Luis, não tenho dúvidas de que Wenders conseguiu este feito, mas ele o fez com algumas imperfeições.

  4. Lucas Lucas

    Assisti Pina para fazer um trabalho de faculdade, mas não consegui ficar acordado durante o filme, na verdade foi bem desestimulante, talvez por não conhecer o trabalho dela.

    • Lucas, já conhecia o trabalho de Pina Bausch antes de assistir ao documentário. No entanto, apesar daquelas belas coreografias e todo o apuro estético, também não posso negar o fato de ter ficado levemente entediado na sala de cinema, pois os depoimentos dos dançarinos comprometem muito o resultado.

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