Resenha Crítica | Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Ao morrer em novembro de 2004 devido a um ataque cardíaco, o jornalista Stieg Larsson deixou um testamento para milhares de fãs da literatura policial: a trilogia “Millenium”, sujo sucesso não pôde desfrutar. Composta pelos capítulos “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, “A Menina Que Brincava Com Fogo” e “A Rainha Do Castelo De Ar”, a trilogia “Millenium” é uma febre e a adaptação cinematográfica era apenas uma questão de tempo para acontecer. O problema é que inventaram de fazer não uma, mas duas versões para “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”. Pior: num curto intervalo de tempo e, no fim das contas, quase idênticas.

A primeira versão foi produzida em 2009 na Suécia. Conduzido por Niels Arden Oplev, “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” é só elogios. Retratou uma Suécia sórdida com brilhantismo, usou o que havia de melhor no romance de Stieg Larsson e eliminou toda a sobra presente em algumas passagens, tornou-se a produção Suécia mais bem-sucedida da história e ainda revelou Noomi Rapace para o mundo. Já a versão americana conduzida por David Fincher, “Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, não passa de um genérico.

Oscar por “A Lista de Schindler”, Steven Zaillian parece apenas adaptar o texto da dupla de roteiristas da versão anterior, não o romance de Stieg. O maior diferencial, óbvio, é fazer personagens suecos falar inglês e comer junk food do McDonald`s. Lisbeth Salander (Rooney Mara) e Mikael Blomkvist (Daniel Craig) são os protagonistas. Lisbeth é uma hacker com passado obscuro que nas mãos de seu novo tutor (Yorick van Wageningen) se transforma em vítima de abuso sexual. Mikael é o polêmico jornalista responsável pela revista Millenium acusado por difamação.

Enquanto aguarda sua sentença, Mikael é contratado pelo milionário Henrik Vanger (Christopher Plummer) para desvendar o desaparecimento de Harriet Vanger, sobrinha que sumiu do mapa há quarenta anos. Henrik é o dono das poderosas indústrias Vanger e aposta que alguém de sua própria família possa ter matado Harriet. Quem e porquê são os mistérios que Mikael deve elucidar. Já Lisbeth Salander é contratada para investigar se há algo comprometedor no histórico profissional e privado de Mikael. Uma vez descoberta pelo próprio Mikael, Lisbeth usa suas habilidades para auxiliá-lo.

Excetuando o rigor técnico (não muito diferente do filme de 2009, especialmente a fotografia de Jeff Cronenweth, que emula o tom sépia dos flashbacks) e algumas soluções distintas (como os créditos de abertura e a conclusão), “Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” definitivamente não apresenta nada que tenha algum ineditismo que o liberte de comparações. Repete-se aqui o mesmo episódio do início do ano passado com o lançamento de “Deixe-me Entrar”, que reprisou o horror de “Deixe Ela Entrar” em versão soft. Para americanos com preguiça de ler legenda, “Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” poderá ser um programa satisfatório.

Título Original: The Girl with the Dragon Tattoo
Ano de Produção: 2011
Direção: David Fincher
Roteiro: Steven Zaillian, baseado no romance “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, de Stieg Larsson
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Stellan Skarsgård, Steven Berkoff, Robin Wright, Yorick van Wageningen, Joely Richardson, Geraldine James, Goran Visnjic, Donald Sumpter, Ulf Friberg, Bengt C.W. Carlsson, Tony Way, Per Myrberg, Moa Garpendal, Julian Sands e Embeth Davidtz

Data:
Filme:
Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres
Avaliação:
21star1stargraygraygray
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

4 Comentários em Resenha Crítica | Millennium: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

  1. Assisti ele com a pulga atrás da orelha. E apesar de não ter sido tão insuportável quanto eu imaginei, achei que valeu o filme. Só achei exagerado as tantas indicações ao Oscar. E Noomi Rapace já é mito!

  2. Acho que o fator mais incômodo é a refilmagem tão próxima do original – o qual, aliás, foi muito bem nos EUA (para um filme de língua não-inglesa). Outra ligeira decepção é a falta de ousadia de Fincher: todo o hype levava a crer que seria algo extremamente violento, inovador, ousado, mas não é.

    Enfim, é um programa interessante, que entretém (ao menos quem não gostou muito do original, como eu), porém supérfluo.

    • Lembro-me quando publiquei a resenha da versão sueca e ter me deparado com um comentário negativo seu. Para um filme feito de cópias de várias coisas, a única coisa que julgo superior é a versão de “Is Your Love Strong Enough” tocada nos créditos finais, rs.

2 Trackbacks & Pingbacks

  1. Retrospectiva 2012 | Cine Resenhas
  2. Terapia de Risco | Cine Resenhas

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: