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Resenha Crítica | Sombras da Noite (2012)

A novela americana “Sombras da Noite” foi exibida pelo canal ABC entre 1966 e 1971. Muito popular, teve centenas de episódios produzidos e atualmente ainda preserva uma legião de fãs. Infelizmente, o acesso que nós, jovens, temos a “Sombras de Noite” é praticamente nulo, mas é possível imaginar o espírito desta cultuada produção através da adaptação cinematográfica assinada por Tim Burton. Inseparáveis, Burton e Johnny Depp se depararam conversando sobre a novela nos bastidores de “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, nascendo daí os planos para um dia levarem a história para os cinemas.

A breve primeira parte da história se passa no século XVIII. Nela, Barnabas Collins (papel de Johnny Depp), é um rico habitante da cidade de Collinwood, Tennessee, perdidamente apaixonado por Josette DuPres (a novata Bella Heathcote). O relacionamento termina em tragédia, pois o amor que Angelique Bouchard (Eva Green) tem por Barnabas não é correspondido. Bruxa, Angelique provoca a morte dos pais de Barnabas e também de Josette. Insatisfeita, transforma Barnabas em vampiro e o aprisiona em um caixão a sete palmos da superfície da terra.

Aproximadamente dois séculos depois, Barnabas finalmente consegue se libertar e retorna para a mansão que morava. Surpreende-se com a presença de seus “futuros parentes”. No caso, Elizabeth (Michelle Pfeiffer, que volta a trabalhar com Tim Burton após “Batman – O Retorno”, de 1992) e Roger Collins (Jonny Lee Miller), pais de Carolyn (Chloë Grace Moretz) e David (Gulliver McGrath). Além dos Collins, há na mansão a doutora Julia Hoffman (Helena Bonham Carter), a babá Victoria (Bella Heathcote novamente) e os serviçais Willie Loomis (Jackie Earle Haley) e a senhora Johnson (Ray Shirley). Os Collins possuem um negócio de pesca, mas perderam espaço no mercado para Angelique, ainda viva e obstinada em arruinar o sobrenome de Barnabas.

Apesar dos primeiros momentos serem conduzidos sem muita firmeza por Tim Burton, “Sombras da Noite” passa a engrenar ao inserir Barnabas em um cenário em que tudo lhe é desconhecido. O roteirista Seth Grahame-Smith foi feliz em situar a sua história em plenos anos 1970, a época da geração sexo, drogas e Rock n’ Roll. Como é de praxe na filmografia de Tim Burton, a atmosfera é de uma beleza gótica que apenas o cineasta é capaz de apresentar no cinema contemporâneo. Também não faltam interpretações que se sobressaiam (Eva Green domina o filme como a vilã Angelique e Michelle Pfeiffer o engrandece com sua beleza gélida hipnótica) e excelentes piadas, sendo a melhor envolvendo a participação especial do cantor Alice Cooper, que segundo Barnabas é a mulher mais feia que ele já viu.

O que transforma “Sombras da Noite” em um filme apenas mediano é a maneira como Tim Burton manipula os elementos de horror da história. Quando eles se apresentam, o diretor se contém o máximo possível. Maior leveza na condução funcionou muito bem em “Alice no País das Maravilhas”, mas não em “Sombras da Noite”. É verdade que tudo pode ser reflexo da censura catorze anos que a fita recebeu. No entanto, isto não justifica algumas passagens mal resolvidas presentes especialmente no ato final, em que outras criaturas noturnas e aparições fantasmagóricas invadem a tela sem qualquer sutileza.

Título Original: Dark Shadows
Ano de Produção: 2012
Direção: Tim Burton
Roteiro: Seth Grahame-Smith, baseado na série televisiva de Dan Curtis
Elenco: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter, Eva Green, Jackie Earle Haley, Jonny Lee Miller, Bella Heathcote, Chloë Grace Moretz, Gulliver McGrath, Ray Shirley, Ivan Kaye, Susanna Cappellaro, Josephine Butler, William Hope, Christopher Lee e Alice Cooper
Cotação: 3 Stars

7 Comments

  1. Também achei que da metade para o fim o filme se perdeu já que muitos personagens somem e de repente aparecem do nada no decorrer da narrativa…exemplo maior é o papel da Chloë Grace Moretz. Mesmo assim, gostei mais desse filme que Alice.

    • Fabrício, para mim a única personagem que se perdeu na história foi a Victoria. Você começa o filme imaginando que tudo será contado através da perspectiva dela, mas daí não demora para nos enganarmos com isso. E eu gosto mais de “Alice no País das Maravilhas”, que considero excelente.

  2. No fundo, é um filme super divertido, disfarçado de gótico de horror. Também acho a primeira parte melhor desenvolvida. Na verdade, o final é um caos. E pela origem novelesca, com tantos personagens, fica difícil pro filme dar conta de todos eles bem, a maioria se perde no caminho. Mas podia ser bem pior, hein. Para quem não se reinventa, o Burton até que se saiu bem.

    • Rafael, como respondi aí pro Fabrício, o único personagem que achei que ficou realmente perdido na história foi Victoria. Mas é bacana saber que não fui o único que me diverti com o filme. Mesmo que ele seja um pouco mais que razoável, acho que o povo está descendo o pau no Tim Burton injustamente.

    • Matheus, mesmo em seus momentos menores, eu não me canso do Tim Burton. Afinal, é um dos meus cineastas favoritos.

  3. amei amei esse filme foi um dos melhores de tim e johnny a lenda do cavaleiro sem cabeca e d + sera que vai ter sombras da noite 2.

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