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Resenha Crítica | Jovens Adultos (2011)

Mavis Gary (Charlize Theron) é um tipo de protagonista que raramente é retratada no cinema. Não há muito que dizer de positivo sobre esta mulher de 37 anos, que em certos instantes parece não se tocar de que a fase gloriosa de jovem mais desejada e popular do colégio há muito se passou. Mavis tem comportamentos egoístas, fala o que quer e jamais força uma mudança neste ponto atual e medíocre da sua vida, mas ela também não é uma má pessoa. É na maneira minuciosa e honesta com que a roteirista Diablo Cody (Oscar por “Juno”) desenha esta personagem que está o maior mérito de “Jovens Adultos”.

No momento em que a história inicia, Mavis está divorciada, com um deadline para finalizar o último volume de uma série de livros juvenis (ela é uma ghost writer) e reclusa em seu apartamento na maior parte do dia executando atividades banais como comer alimentos nada nutritivos e se exercitar através da tevê.

Eis que um e-mail deixa Mavis inquieta. Seu namorado nos tempos do colégio, Buddy Slade (Patrick Wilson), ainda vive na cidade de Mercury, Minnesota, e está casado com Beth (Elizabeth Reaser). Talvez por engano, uma mensagem foi encaminhada para Mavis avisando que haverá uma comemoração para o primeiro bebê do casal. Mavis enxerga aí a possibilidade de retornar aos tempos áureos de sua vida revendo todas aquelas pessoas até então deletadas de sua memória.

Afastada dos cinemas (sua última participação se deu em uma participação especial em “A Estrada”), Charlize Theron retorna perfeita em “Jovens Adultos”. Linda e talentosa, Charlize consegue nos fazer criar uma enorme empatia com Mavis, alguém na qual, querendo ou não, todo mundo tem um pouco. Já Diablo Cody, além de conceber esta grande personagem, cria inúmeros diálogos espertos. Muitos dos instantes em que Mavis tenta reconquistar Buddy são brilhantes.

Infelizmente, “Jovens Adultos” não consegue alçar voos mais altos com Jason Reitman conduzindo esta história. Não há dúvidas de que o cineasta canadense está construindo uma filmografia muito mais válida em comparação com os filmes mais recentes do seu pai, Ivan Reitman. Por outro lado, sua marca autoral contamina a história com uma frieza incômoda. Pouco se sente o peso que o passado de Mavis tem sobre ela e muito menos as consequências emocionais de um casamento fracassado. Nas mãos de um cineasta como Alexander Payne, que com “Eleição” fez Reese Witherspoon incorporar um papel tão fascinante quanto o de Charlize Theron, “Jovens Adultos” seria um arraso de filme.

Título Original: Young Adult
Ano de Produção: 2011
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Elenco: Charlize Theron, Patton Oswalt, Patrick Wilson, Elizabeth Reaser, Collette Wolfe, Jill Eikenberry, Richard Bekins, Mary Beth Hurt, Kate Nowlin, Elizabeth Ward Land, Louisa Krause e J.K. Simmons

9 Comments

  1. Pelo jeito, a nova parceria da dupla Jason Reitman – Diablo Cody não deu certo. Que pena! De qualquer jeito, quero assistir “Jovens Adultos” especialmente para conferir a elogiada atuação de Charlize Theron e por causa do Patrick Wilson, que é um dos atores que eu mais gosto e que adoraria ver com uma carreira bem sucedida.

    • Kamila, também não é por aí. Dizer que o filme não deu certo é um pouco demais, uma vez que ele tem um resultado final positivo. A minha queixa aqui é com a direção do Jason Reitman. Como afirmo na minha resenha, a condução dele é fria demais. Já havia percebido que ele não era tudo isso com “Amor Sem Escalas” e aqui pude confirmar que ele não é um cineasta especial.

  2. Acho difícil se empolgar com “Jovens Adultos” porque o filme tem uma protagonista muito difícil. Ninguém torce por ela sem certo remorso. Afinal, a missão dela é estragar um casamento completamente pacífico… Mas a Charlize está ótima. Ela vale o filme!

    • Matheus, comigo aconteceu justamente o contrário, pois é exatamente esse caráter difícil da personagem que me fez ficar antenado até a conclusão. Mas a Charlize realmente eleva o filme.

  3. Também percebi essa frieza que você menciona, que eu considero mais um distanciamento de abordagem, como se Reitman tivesse pavor de errar a mão e entregar algo melodramático demais. O filme é bom, mas te mantém a um palmo de distância, e isso pode acabar em indiferença. Só acho que não ficou ruim porque Theron é boa demais,

    • Gustavo, você disse exatamente o que penso sobre “Jovens Adultos”, especialmente sobre o fato da condução de Reitman sempre nos manter a um palmo de distância. E Charlize Theron está cada vez melhor, não?

  4. […] por Fumar”, “Juno”, “Amor sem Escalas” e “Jovens Adultos” são definitivamente bons filmes. No entanto, há algo no modo como Reitman conduz os […]

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