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Resenha Crítica | O Porto (2011)

Aki Kaurismäki é um dos poucos cineastas finlandeses que consegue garantir distribuição (mesmo que limitada) de seus filmes no Brasil. Feito que vem muito do sucesso de uma trilogia formada por “Kauas pilvet karkaavat” (produção de 1996 inédita no país), “O Homem Sem Passado” (2002) e “Luzes na Escuridão” (2006), filmes que tratam, respectivamente, de um protagonista sem presente, sem passado e sem futuro.

Em “O Porto”, Aki Kaurismäki traz uma história cheia de otimismo que difere da trilogia que o tornou mundialmente conhecido. Nela, Marcel Marx (André Wilms) vive um engraxate que no passado foi um talentoso escritor. Durante uma de suas andanças, ele se depara com Idrissa (Blondin Miguel), um menino africano que está ilegalmente em Havre, região portuária no norte da França. Como a sua esposa Arletty (Kati Outinen) está internada no hospital e Idrissa não tem absolutamente ninguém para ajudá-lo (toda a sua família foi flagrada pelas autoridades), Marcel oferece sua residência como abrigo para o menino. A ação atinge as pessoas mais próximas do protagonista, que ajudarão a proteger Idrissa do inspetor Monet (Jean-Pierre Darroussin), que o procura incessantemente.

Todas as características do cinema de Aki Kaurismäki permanecem intactas em “O Porto”. O cineasta não se alonga ao contar sua história e a situa em cenários que provocam estranheza pelas cores rústicas. Além do mais, a música, com exceção da apresentação de uma banda em um bar, é ausente em toda a narrativa e há muitos closes que valorizam os olhares por vezes desesperançosos dos personagens. Porém, a impressão mais forte acaba sendo a modesta história de Aki Kaurismäki, que aposta que uma resolução feliz só é alcançada através de pequenas ações bem intencionadas.

Título Original: Le Havre
Ano de Produção: 2011
Direção: Aki Kaurismäki
Roteiro: Aki Kaurismäki
Elenco: André Wilms, Kati Outinen, Jean-Pierre Darroussin, Blondin Miguel, Elina Salo, Evelyne Didi, Quoc Dung Nguyen, François Monnié, Roberto Piazza, Pierre Étaix, Jean-Pierre Léaud e Vincent Lebodo

4 Comments

  1. Olha, eu gosto muito desse filme, acho essa coisa do otimismo uma marca bastante interessante na obra do Kaurismäki (e nem acho que os filmes da trilogia se distanciam muito disso, pelo menos Nuvens Passageiras, o primeiro, tem uma ideia de otimismo já desde o título e que se arremata na cena final, como a exata cena final de Luzes na Escuridão tem um tom de esperança belíssimo). O mais incrível para mim é como o diretor se utiliza de uma estética crua, seca, um tanto parada, para expressar algo tão vivo. Kaurismäki ainda acredita no ser humano, apesar de tudo, e isso é muito bonito de se ver. O final desse aqui é surpreendente pela forma como nos fazer crer que as boas intenções, como você coloca, opera milagres, literalmente. Acho isso de uma coragem super bem-vinda no cinema de hoje.

    • Rafael, exatamente. Não é preciso atitudes tão mirabolantes assim para termos resoluções felizes. Gosto do filme exatamente por encenar isto.

  2. Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

    Adoro esse diretor. Seu melhor trabalho é Nuvens Passageiras que você precisa conhecer Alex!

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