Skip to content

Resenha Crítica | Resident Evil 5 – Retribuição (2012)

Com “Resident Evil 4 – Recomeço”, Paul W.S. Anderson deu novo fôlego a um universo que ele mesmo criou com “Resident Evil – O Hóspede Maldito”. O diretor inglês não apenas resgatou o que havia de melhor na franquia “Resident Evil” como também a elevou a um novo patamar com o uso perfeito da tecnologia 3D. Testemunha da evolução do formato com “Avatar”, Paul W.S. Anderson contou com o auxílio de James Cameron para usar nos sets de filmagens as mesmas câmeras com sistema 3D desenvolvidas para a ficção científica de maior bilheteria na história do cinema.

Aqueles que tiveram a oportunidade de assistir “Resident Evil 4 – Recomeço” nos cinemas em 3D provavelmente ficaram boquiabertos com uma série de cenas, especialmente aquela em que Alice (Milla Jovovich) e Claire Redfield (Ali Larter) enfrentam o assustador Axeman, o monstrengo que usa um machado gigante para dilacerar suas vítimas. O uso bem empregado do 3D também contribuiu para que o filme, adaptado de um dos games mais populares da Capcom, estabelecesse uma interação inédita com a plateia, um feito até então não alcançado por outros títulos do mesmo segmento.

Portanto, nada mais esperado do que Paul W.S. Anderson conseguir repetir esta prazerosa experiência com “Resident Evil 5 – Retribuição”, capítulo também rodado com a mesma tecnologia e que inicia do mesmo ponto em que “Resident Evil 4 – Recomeço” havia terminado. Infelizmente, “Resident Evil” não escapou da maldição da parte cinco, aquela em que franquias cinematográficas (especialmente do gênero horror) atingem o fundo do poço em seu quinto episódio.

Quem não tiver tempo de fazer uma maratona “Resident Evil”, “Retribuição” presta um grande serviço com uma introdução em que Alice relembra os principais eventos de “O Hóspede Maldito”, “Apocalipse”, “A Extinção” e “Recomeço”. Após ela, não demoramos para perceber que as ideias de Paul W.S. Anderson para a franquia se esgotaram, uma vez que a história é praticamente a mesma de sempre. Alice continua com a sua missão de deter os planos da Umbrella Corporation em dizimar a raça humana. O problema é que ela foi novamente manipulada pela organização, despertando em um cenário em que velhos conhecidos como Rain (Michelle Rodriguez) e Carlos Oliveira (Oded Fehr) são clones com identidades distintas. Na liderança deste time do mal está Jill Valentine (Sienna Guillory), também manipulada pela Umbrella Corporation.

Maior vilão de “Recomeço”, Albert Wesker (Shawn Roberts) permanece vivo, mas desiste dos seus planos anteriores de eliminar Alice, uma vez que a Rainha Vermelha (codinome do sistema de defesa com inteligência artificial da Umbrella Corporation) está disposta em fazer com que as criaturas mutantes acabem com o grupo minúsculo de sobreviventes que restaram na Terra. Para impedir que isto aconteça, Alice une forças com outros heróis, como Ada Wong (Bingbing Li), Leon Kennedy (Johann Urb), Barry Burton (Kevin Durand) e até mesmo Luther West (Boris Kodjoe), que apareceu em “Recomeço”.

Verdade que, apesar do sucesso, a franquia “Resident Evil” não tem uma reputação muito favorável. Porém, a precariedade que “Retribuição” atinge é embaraçosa. Milla Jovovich continua mostrando suas incríveis habilidades físicas, mas ela nunca esteve tão blasé como se vê aqui. Pior são os casos de Michelle Rodriguez, Oded Fehr e Sienna Guillory, que foram infelizes em retornarem à franquia e que estão constrangedores ao lidarem com ao menos dois papéis.

As sequências de ação também ficam devendo. Há uma tentativa de emular as peculiaridades do game, contando a história como se seus personagens passassem por fases. No entanto, ela resulta frustrada pela pouca habilidade de Paul W.S. Anderson em equilibrar dois segmentos, especialmente no segundo ato, em que a tensão da ação protagonizada por Alice e Ada em Nova York é enfraquecida toda vez que o foco muda para a missão liderada por Leon, Barry e Luther em Moscou. Sem dizer que Paul W.S. Anderson reaproveita sem qualquer cerimônia os melhores momentos de “Recomeço” (como a abertura situada em Tóquio) e usa inúmeras vezes o bullet time, deixando qualquer fã de “Matrix” saturado.

Se há algo de animador em “Resident Evil 5 – Retribuição” é a sua conclusão. Depois de uma hora e meia de personagens andando quase a esmo, “Retribuição” surge com a promessa de um encerramento épico. Como já foi noticiado, Paul W.S. Anderson tem planos de concluir a franquia em seu sexto capítulo. Porém, para que isto aconteça, dependerá da boa vontade do público com “Retribuição” – será se ele se contentará com tão pouco?

Título Original: Resident Evil: Retribution
Ano de Produção: 2012
Direção: Paul W.S. Anderson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Sienna Guillory, Michelle Rodriguez, Bingbing Li, Boris Kodjoe, Johann Urb, Robin Kasyanov, Kevin Durand, Ofilio Portillo, Oded Fehr, Colin Salmon, Shawn Roberts e Aryana Engineer

5 Comments

  1. Acredita que nunca assisti a nenhum “Resident Evil”? E com tantas continuações, vou ser sincero: tenho preguiça de correr atrás…

    • Matheus, pelo tempo que te conheço, posso dizer que esta não é uma franquia que você ia curtir. Na verdade, ela nem é grande coisa. Mas você sabe como é guilty pleasure, né? A gente defende até o fim. No entanto, este quinto episódio de “Resident Evil” não ficou bom ou divertido, o que é uma pena.

  2. Uma bomba! O diretor apelou na linguagem de videogame (os planos descritivos da rainha vermelha, por exemplo), a ediçao é exageradamente segmentada como se fosse fases de jogos, o recorrente uso dos bullet time, como já foi mencionado… Isso sem mencionar nos atores canastrões (me espanta alguns deles não terem sido completamente cortados na ilha) e o roteiro capenga que é composto por frases de efeito por 80% das vezes. Além da direçao pouco criativa com a introduçao de trás pra frenteem câmera lenta… seguida pela mesma cena correndo naturalmente (e a protagonista acordando de um sonho 2 vezes em menos de 20 min de filme)… Dispensável!

  3. […] por “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge“ Michelle Rodriguez, por “Resident Evil 5 – Retribuição“ Nina Ivanisin, por “Slovenian Girl” Rihanna, por “Battleship – A […]

  4. Marcio Roberto Marcio Roberto

    O filme mais fraco da franquia. Nem a Milla consegue salvar esse. É clichê, batido, preguiçoso e continua com os eternos erros de continuação que são marca registrada da franquia. Pra assistir só em dvd mesmo.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: