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Os Cinco Filmes Prediletos de Kamila Azevedo

Recentemente, admiti que manter um blogue de cinema era mais divertido ou mesmo construtivo no passado. Especificamente, em 2007, ano em que nasceu o Cine Resenhas. Penso que foi um momento em que tudo era mais interativo, onde postar uma impressão sobre um filme sempre rendia um debate saudável, permitindo conhecer amigos que compartilham a mesma paixão pelo cinema. De lá para cá, a blogosfera ficou saturada. Muitos blogues encerraram suas atividades e um texto bem produzido rende mais comentários vazios sobre a avaliação (numérica ou com estrelas) que você deu do que a relevância da obra analisada, o que acaba sendo bem desmotivador.

Felizmente, ainda há pessoas que velam pelo bem da blogosfera cinéfila. Kamila Azevedo definitivamente é uma delas. Nascida e criada em Natal, Kamila é editora do Cinéfila por Natureza desde novembro de 2005. Quase sete anos depois, continua preservando o endereço com fervor. Além de comentar os últimos filmes que assistiu na tela grande, Kamila ainda escreve sobre suas recentes leituras, as grandes premiações cinematográficas e teatro. É muito popular no Cinéfila por Natureza o Cena da Semana, seção em que tece comentários pessoais sobre momentos-chave de filmes ou mesmo de acontecimentos do dia a dia.

Fã de carteirinha do ator Edward Norton, da atriz Audrey Hepburn e do cantor Marcelo Camelo, Kamila se destaca pela escrita singular, permitindo que os seus leitores consigam captar o que há de mais emotivo em um filme. Verdadeiro exemplo disto se vê na lista a seguir, em que Kamila nos apresenta os seus cinco filmes favoritos.

As Horas, de Stephen Daldry (The Hours, 2002)
Meu filme e livro favoritos. Acredito muito que uma boa adaptação cinematográfica é aquela que oferece uma visão independente do livro na qual se inspira e acho que a dupla David Hare e Stephen Daldry foi muito feliz ao transporem a narrativa de Michael Cunningham para a grande tela, especialmente porque a narrativa é muito densa e complicada. Três mulheres, em três décadas distintas, todas lidando, de uma certa maneira, com os mesmos conflitos, com as suas alegrias e tristezas, e sendo deparadas com decisões importantes a se tomar. O que eu mais amo em “As Horas” é que o filme mostra a nossa capacidade de livre arbítrio e revela como a nossa vida está diretamente relacionada às escolhas que fazemos. É um filme que mostra, por meio da coragem de Virginia Woolf, de Laura Brown e de Clarissa Vaughan, que o importante é sempre encarar a vida de frente e que não é sinônimo de fraqueza desistir no meio do caminho.

Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornattore (Nuovo Cinema Paradiso, 1988)
Esse é um filme que tem um significado especial pra mim, pois foi um dos primeiros longas que assisti no cinema. Tanto que me lembro até hoje das circunstâncias nas quais o assisti. Tinha 8 anos e estávamos passando a Semana Santa em João Pessoa-PB, com um grupo de amigos dos meus pais. Numa noite, eles decidiram colocar a gente (todos os filhos) na sala de cinema da galeria de lojas que tinha dentro do hotel, enquanto eles iriam aproveitar a noite da cidade. O filme que estava passando era “Cinema Paradiso”. Enquanto as outras crianças ficavam se divertindo jogando pipoca na tela, eu fiquei completamente hipnotizada pelo que vi em tela. Foi uma das experiências mais mágicas da minha vida dentro da sala escura. Por meio da relação entre Alfredo e Totó, da trilha de Ennio Morricone e da maestria das imagens de Giuseppe Tornatore, me apaixonei por completo pela sétima arte e, desde esse dia, a minha vida não foi mais a mesma.

Orgulho e Preconceito, de Joe Wright (Pride & Prejudice, 2005)
Sou uma besta para comédias românticas e essa, definitivamente, é a minha favorita de todas. Já perdi as contas de quantas vezes assisti. O que mais me fascina nessa história é a forma como a Jane Austen enxerga o amor. Acertadamente, ela sabe que um sentimento desses vem do conhecimento entre as pessoas. E é justamente essa a jornada de Mr. Darcy e de Elizabeth Bennet nesse filme. A partir do preconceito dele e do orgulho dela e da forma como isso vai entrando na relação que se estabelece entre eles, temos o território perfeito para o nascimento de uma das mais belas histórias de amor da literatura/cinema. Além disso, este é um filme especial por se caracterizar como uma comédia de costumes sobre a Inglaterra do século XIX em que o destino das mulheres, na realidade, estava muito condicionado ao casamento que elas arranjavam. E era essa a conjuntura em que se encontravam as cinco filhas da família Bennet. Um filme viciante!

O Mágico de Oz, de Victor Fleming (The Wizard Of Oz, 1939)
Para mim, esse longa é uma daquelas obras atemporais. Acho maravilhosa a forma como foi concebida do ponto de vista estético, com o Kansas de Dorothy sendo retratado em preto e branco e o mundo de Oz sendo todo colorido, quase que representando a abertura de um território novo para a jovem Dorothy. Mas, talvez o que eu mais goste neste filme é o fato de que a jornada da personagem principal nos lembra que é possível para a gente sonhar e desejar viver experiências diferentes, pois a gente tem a certeza de que temos sempre a segurança de nossa casa e de nossa família para nos acolher se algo der errado. Afinal, parte do nosso futuro está em saber de onde viemos.

Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (Sunset Blvd., 1950)
Na minha opinião, este é o melhor filme de todos os tempos. O roteiro é muito corajoso, especialmente na crítica que faz à indústria cinematográfica hollywoodiana. De um lado, um aspirante à roteirista. Do outro, uma ex-estrela do cinema mudo que, agora, vive na obscuridade. Ambos estabelecem uma relação de extrema dependência entre si, pois um possui um interesse bastante específico no outro. Com base nisso, o grande diretor Billy Wilder construiu um longa cheio de momentos clássicos sobre personalidades doentias e sobre um sistema que é repleto de falhas. A cena final, desde já, é um dos momentos mais definitivos da história do cinema, com a grande atuação de Gloria Swanson, ela mesma uma ex-estrela do cinema mudo que caiu no esquecimento na transição pro cinema falado.

9 Comments

  1. Sou fã de carteirinha da Kamila. E dos filmes que ela adora.

  2. Que lista bonita, Kamila. Bem equilibrada e bem pessoal, como deve ser.

  3. Paulo Ricardo Paulo Ricardo

    Conheci a SBBC no blog do Vinicius que se chamava “Central de Prêmios”.Depois conheci o Hollywoodiano do flamenguista aí de cima rsrs e por último o “Cinéfila Por Natureza” da Kamila.O “Apimentário” do Cristiano é bem bacana tbm.Enfim…me sinto parte de um grupo de fãs de cinema e cultura e como cinéfilo e leitor a identificação foi rápida.Pensei em ter um blog,mas me sinto confortavel em dividir meu amor pela sétima arte com os membros do SBBC.Dos 5 filmes favoritos dela o único que eu não tinha conhecimento é “Cinema Paradiso”.Adoro “As Horas” e “Crépusculo dos Deuses” me tocou de forma profunda.Surpreso com a ausencia de “Bonequinha de Luxo”.

    Abraço Alex

  4. […] quiser ler a minha modesta contribuição ao Cine Resenhas, é só clicar aqui. Compartilhe isso:FacebookTwitter (function(d, s, id) { var js, fjs = d.getElementsByTagName(s)[0]; […]

  5. Alex, muito obrigada pelo convite, que muito me honrou. Adorei participar desta seção, que é uma das mais legais que você mantém aqui. Agradeço também as suas palavras carinhosas no texto que introduz o post. Além, também, das palavras carinhosas dos amigos que aqui comentaram. :)

  6. Também sou muito fã da Kamila e fiquei ainda mais depois dessa seleção. She rocks! :)

  7. Belas escolhas, sem dúvidas e como disse, Rafael, equilibrada e pessoal como deve ser.

  8. Fã da Kamila [3]. Parabéns pela seleção, belíssimos filmes =D

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