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Resenha Crítica | O Substituto (2011)

Há vários exemplos de encenações dramáticas entre alunos e professores no cinema que buscam comprovar a importância que um tem para o outro através de um relacionamento inicialmente conturbado, mas que chega ao final com alguma mensagem edificante. Aqueles que esperam que a fórmula se repita em “O Substituto” ficarão estarrecidos, entretanto.

O inglês Tony Kaye não conseguiu distribuição para nenhum dos seus projetos após “A Outra História Americana”, mas a fúria com que conduz sua obra permanece intacta. Em “O Substituto”, Adrien Brody vive Henry Barthes, um professor substitutivo que consegue a oportunidade de trabalhar temporariamente na escola dirigida por Carol Dearden (Marcia Gay Harden). A sua vida privada é tão desmotivadora quanto a profissional, investindo o tempo entre visitar o avô moribundo (Louis Zorich) e habitar o seu apartamento vazio e melancólico.

Henry é o personagem central de “O Substituto”, mas a história sempre registra o íntimo dos profissionais que o cercam, todos igualmente infelizes. São professores presos em um ambiente em que claramente não há alunos interessados em avançarem em suas vidas, enfraquecendo qualquer intenção de se inserirem como figuras exemplares na memória de indivíduos tão jovens e que desconhecem o mundo cão presente fora da salas de aula.

Qualquer diretor que se dedique em fazer um drama que não console o espectador ao mostrar um registro tão próximo do nosso dia a dia automaticamente se garante como um artista de olhar autêntico. Se Tony Kaye não conquista outros méritos é porque a todo o momento notamos a sua mão pesada em “O Substituto”.

Com uma câmera agressiva e o texto feroz de Carl Lund, o cineasta parece interessado apenas na desgraça que ronda a existência dos seus personagens, sem oferecer qualquer oportunidade para que isto seja revertido. Não parece suficiente atordoar-nos ao mostrar o passado e presente horrendos de Henry, é preciso também destacar a insignificância do professor interpretado por Tim Blake Nelson diante dos outros ou o efeito nulo provocado pelas palavras ditas pela psicóloga incorporada por Lucy Liu.

Se “O Substituto” não é mais doloroso de se ver é porque há ao menos algum indício de otimismo neste limbo, algo que se vê na presença de Erica (a excelente Sami Gayle), garota de programa e menor de idade que cruza o caminho de John. Se mantivesse o equilíbrio que se vê no relacionamento entre ambos em todas as outras passagens da história, “O Substituto” provavelmente não nos marcaria apenas pelos motivos errados.

Título Original: Detachment
Ano de Produção: 2011
Direção: Tony Kaye
Roteiro: Carl Lund
Elenco: Adrien Brody, Marcia Gay Harden, James Caan, Christina Hendricks, Lucy Liu, Blythe Danner, Tim Blake Nelson, William Petersen, Bryan Cranston, Sami Gayle, Betty Kaye, Louis Zorich e Isiah Whitlock Jr.

2 Comments

  1. Eu achava que o Tony Kaye tinha ficado traumatizado com o cinema depois da experiência em “A Outra História Americana”. Não sei se esse “Desapego” é o primeiro filme dele após esse. Mas, a ideia por trás dele me parece ser diferente e interessante. Onde que tu descobre esses filmes, Alex??? rsrsrs

    • Kamila, se não me engano, este “Desapego” é o terceiro longa-metragem dele após “A Outra História Americana”, mas foi o único a ganhar circuito comercial. “Desapego” foi exibido ano passado no Brasil, na 35ª Mostra Internacional de Cinema e já foi lançado em DVD nos Estados Unidos.

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