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Resenha Crítica | A Bela Que Dorme (2012)

36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Em fevereiro de 2009, morreu Eluana Englaro. Italiana de 38 anos, Eluana sofreu um acidente em 1992 que a deixou em um coma irreversível. Cientes de que nada seria capaz de reverter a situação, os pais de Eluana travaram uma grande batalha para que pudessem deixá-la finalmente partir interrompendo tudo aquilo que ainda a mantinha viva.

A prática da eutanásia gera grandes protestos em países religiosos como a Itália. Sendo um diretor que se move através das histórias que marcaram a sua pátria, Marco Bellocchio faz uma versão ficcional do caso Eluana, apresentando personagens que de alguma maneira estão conectados com indivíduos estagnados na passagem entre a vida e a morte.

O primeiro foco se dá no senador Uliano Beffardi (Toni Servillo). Ainda atormentado pela perda de sua esposa, ele deve tomar uma decisão delicada: se mostrar a favor ou contra a prática da eutanásia. A escolha se mostra difícil não apenas pela pressão emitida pelo partido político que representa, mas pela intromissão de sua filha Maria (Alba Rohrwacher), uma ativista pró-vida, e o estado de Eluana que se mostra similar àquele que condenou sua esposa.

Embora Maria também seja um componente importante na história, outros dois personagens ganham maior destaque. Sempre excelente, Isabelle Huppert interpreta uma atriz que abdicou da carreira para aguardar, em tempo integral, que algum milagre faça a sua jovem filha despertar de um coma também irreversível. A outra personagem fundamental em “A Bela Que Dorme” é Rossa (Maya Sansa), uma viciada em drogas que está decidida em tirar a própria vida. Sensibilizado com a convicção de Rossa, um médico chamado Pallido (Pier Giorgio Bellocchio) não mede esforços para fazê-la mudar de ideia sobre a decisão tão extrema.

Após conduzir o aclamado “Vincere” e  “Irmãs Jamais” (ainda não lançado em circuito comercial), Marco Bellocchio pode até acertar em não levantar bandeiras quanto ao assunto polêmico que aborda, mas o resultado final de “A Bela Que Dorme” deixa um saldo devedor. Além de criar situações inconvincentes com a intenção de extrair grandes emoções (momentos em que personagens são “salvos” diante de alguma ação de risco se repetem mais de uma vez), o cineasta reserva apenas para o final a elaboração de interações capazes de compartilhar o seu convencimento de que a prática da eutanásia não se aproxima da complexidade de uma existência interrompida por uma ação fatídica.

Título Original: Bella addormentata
Ano de Produção: 2012
Direção: Marco Bellocchio
Roteiro: Toni Servillo, Isabelle Huppert, Alba Rohrwacher, Michele Riondino, Maya Sansa, Pier Giorgio Bellocchio, Gianmarco Tognazzi, Brenno Placido e Carlotta Cimador

One Comment

  1. Esse foi um dos filmes que a BRAVO! desse mês recomendou que fossem assistidos na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Gostei do seu texto e mostra que a obra é mesmo muito interessante. Espero ter a mesma chance de conferir o filme.

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