Bem Amadas

Bem Amadas | Les bien-aimésO francês Christophe Honoré despontou como diretor de longa-metragem em 2002, mas só veio chamar a atenção dois anos depois com “Ma mère”, drama estrelado por Isabelle Huppert e Louis Garrel e de um mau gosto gritante. A seguir, não foi capaz de se desprender de personagens que vivem romances que não tendem a darem certo como o esperado. Felizmente, talvez com exceção de “Homme au bain” (filme ainda inédito no Brasil protagonizado pelo ator pornô François Sagat), Christophe Honoré criou obras mais envolventes, como o musical “Canções de Amor” e agora “Bem Amadas”.

Podemos dizer que há duas protagonistas. A primeira delas é Madeleine, vivida na fase jovem por Ludivine Sagnier. Ela tem obsessão por sapatos e isto explica a sua escolha profissional em trabalhar como vendedora em uma loja que contém alguns dos mais cobiçados calçados femininos. Ao desfilar nas ruas com um par que acabou de roubar, Madeleine é confundida com uma prostituta por um homem. Ao invés de ficar ofendida, a jovem usa a ocasião para convertê-la em uma segunda profissão. Assume que isto a salvou da prisão, pois do contrário não seria capaz de ter uma grana extra para comprar novos pares de sapatos.

Já a segunda protagonista é Véra, interpretada por Chiara Mastroianni. Ela é filha de Madeleine (aqui vivida por Catherine Deneuve, que, vale dizer, é mãe de Chiara Mastroianni também na vida real) e sua história é apresentada em meados dos anos 1990. Em um relacionamento aberto com o temperamental Clément (Louis Garrel), ela se envergonha do passado da mãe e se apaixona à primeira vista por um bateirista chamado Henderson (Paul Schneider) enquanto está de férias em Londres. A atração não é correspondida da forma que Véra aguarda porque Henderson é assumidamente homossexual. Ainda assim, ela está confiante de que conseguirá construir com ele um relacionamento que vá além da amizade.

Christophe Honoré faz suas duas protagonistas testemunharem alguns acontecimentos históricos. Enquanto a Madeleine jovem é afetada de alguma forma pela Primavera de Praga (ela se apaixona por Jaromil, um médico tcheco infiel vivido por Rasha Bukvic), Véra se mostra afetada por todo o impacto mundial provocado pela queda das Torres Gêmeas no 11 de setembro.

O erro em “Bem Amadas” não é dar conta de duas gerações tão destoantes, mas de apresentá-los usando alguns números musicais. Fã confesso de Jacques Demy, Christophe Honoré conta outra vez com a colaboração de Alex Beaupain para escrever músicas para o seu elenco soltar a voz. Ao contrário do que se viu em “Canções de Amor”, as letras de “Bem Amadas” são redundantes e jamais se encaixam com harmonia à história narrada. Uma vez ignoradas, o público será presenteado com um bom filme sobre amores não correspondidos.

Título Original: Les bien-aimés
Ano de Produção: 2011
Direção: Christophe Honoré
Roteiro: Christophe Honoré
Elenco: Catherine Deneuve, Chiara Mastroianni, Ludivine Sagnier, Paul Schneider, Louis Garrel, Radivoje Bukvic, Michel Delpech, Omar Ben Sellem, Dustin Segura-Suarez, Guillaume Denaiffe e Milos Forman

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Bem Amadas

  1. “Bem Amadas” está em cartaz em Natal, nesta semana. Para ser bem sincera, não acho que os filmes do Christophe Honoré sejam pra mim. Acho as obras dele muito superestimadas e não entendo a necessidade dele de insistir nesses números musicais…

  2. Eu consigo gostar bem desse filme, apesar de concordar contigo sobre a pobreza dos números musicais (quesito que em Canções de Amor é de uma maravilha só). No cinema do Honoré não existe promiscuidade e acho que essa levada do amor livre é um ponto bastante positivo aqui. Gosto dos personagens, seus dramas e suas interrelações, além do toque amoroso costumeiro dele.

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