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Resenha Crítica | Lola (2012)

Lola | LOLEmbora não seja um fenômeno inédito, não dá para compreender o que se passa na cabeça de um diretor que decide refilmar a própria obra. Alguns casos são compreensíveis, como um que envolve Alfred Hitchcock: não satisfeito com a versão inglesa de “O Homem Que Sabia Demais”, o mestre do suspense decidiu rodar a mesma história novamente, mas inserindo novos elementos que transformaram a versão americana protagonizada por James Stewart e Doris Day em algo totalmente inédito. Isto não se repete ao falarmos sobre a escolha de Lisa Azuelos em refilmar “Rindo à Toa”, sucesso francês produzido em 2008 que agora recebe uma nova versão. Se o motivo não foi dinheiro, então podemos alegar insanidade.

Se “Rindo à Toa” já era horrível, o que aguardar da adaptação americana, que não tira e nem põe absolutamente nada? Pois não é preciso nem trinta minutos para antecipar que, ao final de “Lola”, Lisa Azuelos teve apenas o trabalho de traduzir o seu roteiro do francês para o inglês. A desaprovação que “Lola” recebeu foi tão polêmica que nem a distribuidora Lionsgate oficializou os números obtidos pelo filme na bilheteria dos Estados Unidos, algo em torno de 40 mil dólares para uma produção que levantou 11 milhões de dólares para acontecer.

Logo no início da história, Lola (Miley Cyrus) compartilha com o público que seu apelido é LOL, abreviação para laughing out loud muito usada na Internet para indicar que alguém está dando “altas risadas” com algo. Trata-se de um indicativo do universo que hoje jovens e adultos experimentam, com valores atuais que se distanciam daqueles cultivados por outras gerações. Como espelho deste cenário, visualizamos as interações entre Lola e a sua mãe Anne (Demi Moore).

Apesar das diferenças de pensamentos, Lola e Anne são pessoas bem parecidas quando o assunto é amor. Lola está arrasada com a traição de seu recente namorado e encontra no melhor amigo dele, Kyle (Douglas Booth), um parceiro ideial. Já Anne se passa por mulher responsável e dona da razão, mas sequer esqueceu o ex-marido (Thomas Jane), com quem ainda sai e transa.

Ir adiante serviria apenas para confirmar o quão rasa é a história e os seus personagens. Seja em francês ou americano, Lisa Azuelos se mostra apaixonada pelas suas criaturas ao ponto de conduzi-los com muita ternura do início ao fim de “Rindo à Toa”/”Lola”. O problema é querer que tenhamos empatia por indivíduos tão fúteis e imaturos. Se de um lado há adolescentes desinteressados em crescer e que compartilham em um diário futilidades como se fossem verdadeiras tragédias gregas, os adultos são incapazes de assumirem as rédeas de qualquer situação, sendo despreparados especialmente para cumprirem os papéis de pais. Trata-se, enfim, de um mundo habitado por seres medíocres que Lisa Azuelos celebra sem qualquer cerimônia.

Título Original: LOL
Ano de Produção: 2012
Direção: Lisa Azuelos
Roteiro: Kamir Aïnouz e Lisa Azuelos, baseado no filme “LOL – Rindo à Toa”, escrito por Lisa Azuelos
Elenco: Miley Cyrus, Demi Moore, Ashley Hinshaw, Lina Esco, Ashley Greene, Douglas Booth, Thomas Jane, Gina Gershon, Adam G. Sevani, Austin Nichols, Michelle Burke, Jay Hernandez, Fisher Stevens, Jean-Luc Bilodeau, Nora Dunn e Austin Nichols

6 Comments

  1. Desde que tive coragem de assistir a um filme de Miley Cyrus (A ULTIMA MUSICA) e surpreendentemente tê-lo suportado, jurei que tentaria perder esse preconceito que muitas vezes crio em relação aos american teens. Mas confesso que tá difícil cumprir a promessa.
    E curioso é que este “mundo habitado por seres medíocres” está por toda a parte.
    Abraços!

    • Weiner, o problema é que Miley Cyrus está naquela fase complicada em que tenta se desvincular de uma personagem da Disney fazendo outras que fogem do perfil de garota de padrão comportamental irretocável. Creio que “Lola” seja resultado dessa transição, mas o filme não garante a ela o desafio de enfrentar um bom papel. Aliás, de bom esse filme não tem absolutamente nada. É um desafio tremendo acompanhar durante uma hora e meia as desventuras de personagens tão insuportáveis.

  2. Será que esse Kamir Aïnouz é parente do Karim Ainouz, o diretor de cinema? Sei que você é fã da Demi Moore e imagino que assistiu a este filme por causa dela, mas, sinceramente, não conheço a obra original e, do pouco que vi de “Lola”, achei esse um filme com cara e jeito de ser muito fraco.

    • Kamila, acredito que em comum Kamir e Karim têm só o sobrenome. E você tem razão, a presença de Demi Moore foi o que me chamou a atenção. Resolvi dar uma chance, pois ela está em uma fase da carreira em que anda se envolvendo em filmes muito bons (“Margin Call”, “Bastidores de Um Casamento”, “Amor por Contrato”), mas esse “Lola” foi um belo escorregão.

  3. […] se mostrou um mês bom para ir aos cinemas e também para alugar filmes, uma vez que apenas “Lola“, refilmagem americana descartável para a comédia francesa “Rindo à Toa”, […]

  4. […] ou aparelhos móveis. Ao contrário de nomes como Lisa Azuelos, realizadora da versão francesa e americana de “Rindo à Toa”, Stephen Chbosky entende este recado, pois “As Vantagens de Ser […]

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