Resenha Crítica | Diário de Um Jornalista Bêbado (2011)

Diário de Um Jornalista Bêbado | The Rum DiaryLançados no Brasil com uma diferença de quase três meses, “Diário de Um Jornalista Bêbado” e “Na Estrada” são inspirados em dois nomes essenciais da literatura norte-americana. Como repórter, Hunter S. Thompson inaugurou o Jornalismo Gonzo, que acontece quando um escritor se mistura com a própria história que está criando, independente da mídia que ela será direcionada. Sem formalidades e imparcialidade, o estilo pode ser reconhecido em “Medo e Delírio em Las Vegas”, que foi escrito por Thompson. Embora Jack Koureac, precursor da geração beat, nada tenha a ver com Hunter S. Thompson, é interessante notar que ambos se tornaram famosos pela rebeldia com que lidavam com a escrita. Uma sessão dupla com “Diário de Um Jornalista Bêbado” e “Na Estrada” seria recomendável se as adaptações não se mostrassem tão desapontadoras.

Na comparação com o trabalho de Walter Salles, o filme de Bruce Robinson leva uma pequena vantagem. Johnny Depp vive Kemp, alter ego de Hunter S. Thompson. Nos primeiros momentos de “Diário de Um Jornalista Bêbado”, Kemp é contratado por Lotterman (Richard Jenkins) para ser um dos repórteres de um jornal de Porto Rico. Incapaz de passar uma hora sem consumir alguma bebida alcóolica (a preferência, claro, é um bom copo com rum), Kemp parece incapaz de julgar a si mesmo ao se envolver com Chenault (Amber Heard), a tentadora noiva de Sanderson (Aaron Eckhart), poderoso empresário que convoca Kemp para auxiliá-lo a se popularizar como uma figura confiável, mesmo que por trás de tudo esteja se envolvendo com esquemas corruptos para a construção de propriedades no local.

Como se imagina, Kemp se aproveitará de sua função como jornalista para tentar tirar alguma vantagem de toda a situação, caracterizando assim o citado Jornalismo Gonzo. Com isto, Bruce Robinson, que não rodava um filme desde o suspense “Jennifer 8 – A Próxima Vítima”, aproveita para representar na tela o texto descompromissado de Hunter S. Thompson, por vezes explorando as inúmeras confusões originadas em noites de bebedeira com Sala, o colega de trabalho de Kemp interpretado pelo excelente Michael Rispoli.

Quando “Diário de Um Jornalista Bêbado” precisa encenar passagens em que há mais seriedade, sente-se que o filme atinge um limite. As consequências da amizade questionável entre Kemp e Sanderson acontecem sem nenhum impacto e o resultado final da adaptação não se aproxima da mesma curiosidade do livro quanto a origem do Jornalismo Gonzo. Por fim, mesmo que seja um ator excelente, Johnny Depp não faz um Kemp vibrante como o aguardado. Amigo íntimo de Hunter S. Thompson (que cometeu suicídio em 2005), Depp não parece plenamente à vontade ao dar vida ao alter ego de seu ídolo.

Título Original: The Rum Diary
Ano de Produção: 2011
Direção: Bruce Robinson
Roteiro: Bruce Robinson, baseado no romance homônimo de Hunter S. Thompson
Elenco: Johnny Depp, Aaron Eckhart, Michael Rispoli, Amber Heard, Richard Jenkins, Giovanni Ribisi, Amaury Nolasco, Marshall Bell, Bill Smitrovich, Julian Holloway, Bruno Irizarry, Enzo Cilenti, Aaron Lustig e Tisuby González

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

4 Comentários em Resenha Crítica | Diário de Um Jornalista Bêbado (2011)

  1. Já ouvi falar bastante sobre este filme, mas conferiria a obra somente pra ver o Johnny Depp na pele de uma personagem que ele conhecia tão bem. Esse me parece ser um longa bem diferente.

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: