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Resenha Crítica | O Impossível (2012)

O Impossível | The ImpossibleMesmo sendo um episódio encenado brevemente, Clint Eastwood fez uma impactante recriação do tsunami que atingiu alguns países da Ásia em 2004 no filme “Além da Vida“. Porém, a intenção do cineasta foi usar a tragédia real como mero artifício de um drama que foca três protagonistas na linha tênue entre a vida e a morte. “O Impossível”, segundo longa-metragem do espanhol Juan Antonio Bayona, surge para compreender as consequências irreversíveis causadas em milhares de indivíduos que sobreviveram a esta histórica tragédia.

Maria e Henry (Naomi Watts e Ewan McGregor) são pais de Lucas, Thomas e Simon (respectivamente, Tom Holland, Samuel Joslin e Oaklee Pendergast), todos ainda pequenos. Mesmo que Henry esteja receoso quanto a sua situação profissional, a família acredita que passar a semana de natal na Tailândia será o melhor antídoto para esquecer qualquer preocupação. De modo breve, acompanhamos este quinteto se divertido como qualquer turista. No entanto, o que era para ser uma viagem tranquila se transforma em pesadelo quando esta família é atingida por um tsunami que invade a área de lazer do hotel em que estão hospedados.

Como se espera de qualquer filme catástrofe, a narrativa se concentra em poucos protagonistas na intenção de representar um coletivo.  Portanto, o roteiro de Sergio G. Sánchez acompanha a busca desesperada dos membros dessa família em se reencontrarem, uma vez que o tsunami separou Maria e Lucas de Henry, Thomas e Simon.

Com isto, “O Impossível” soma créditos não apenas por se aprofundar em sentimentos como esperança, solidariedade e desolação que rodeiam tragédias como esta, mas por se inspirar na história verídica de uma família que sobreviveu ao tsunami. Neste caso, da espanhola María Belón, uma pessoa essencial para a produção de “O Impossível”, uma vez que colaborou ativamente tanto no desenvolvimento do roteiro quanto o processo de composição de Naomi Watts para incorporá-la no cinema – o trabalho lhe valeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz neste ano.

Ainda que haja algumas escolhas pouco autênticas nesta produção espanhola falada em inglês, como as facilidades que os personagens centrais têm ao identificarem no meio da multidão inúmeras vítimas que dialogam no mesmo idioma (sente-se em certos momentos que a Tailândia é habitada mais por americanos e ingleses do que nativos) e o modo privilegiado como são tratados em um acontecimento em que todos se tornam iguais, “O Impossível” prova que é certeiro quando precisa arrebatar. Após a melancolia que preencheu  a resolução do mistério de “O Orfanato”, Juan Antonio Bayona agora provoca comoção ao mostrar que nada é mais poderoso que o espírito humano, independente de qualquer rastro de destruição provocado por um fenônemo inesperado.

Título Original: The Impossible
Ano de Produção: 2012
Direção: Juan Antonio Bayona
Roteiro: Sergio G. Sánchez, inspirado na história de María Belón
Elenco: Naomi Watts, Ewan McGregor, Tom Holland, Russell Geoffrey Banks, Marta Etura, Geraldine Chaplin, Sönke Nöhring, Dominic Power, Olivia Jackson, Oaklee Pendegast, Bruce Blain, Teo Quintavalle, Nicola Harrison, Samuel Joslin, Gitte Witt, Byron Gibson, Oak Keerati, Laura Power, Natalie Lorence, Ploy Jindachote e Johan Sundberg

6 Comments

  1. Filme excelente. Chorei muito vendo-o. Gostaria de ver Naomi Watts levando o Oscar, pena que não vai dar…

  2. Eu amei “O Impossível”. Acho que uma comparação com “Além da Vida” é até injusta, pois as propostas dos dois filmes são bem diferentes. O filme de Juan Antonio Bayona tem um caminho que me agrada mais, especialmente por mostrar a bondade nascendo de uma tragédia. O elenco dá performances maravilhosas, com destaque para Naomi Watts e Tom Holland. E a cena do tsunami é pra lá de impactante. Além disso, achei esse filme emocionante, sem ser manipulador.

  3. Eu acho O IMPOSSÍVEL manipulador. Mas manipula com muitíssima categoria, isto é, sem pesar a mão com cenas gratuitas. Sabe que tem um material excelente para fazer chorar (e faz, muito), mas nunca deixa que a narrativa perca o bom gosto – ainda que certa sucessão de desencontros seja um pouco ilógica.
    Mas nada me irrita aqui, acho o desfecho perfeito (abre a nossa mente para a dura realidade, de que ricos e pobres, nem mesmo na tragédia, tendem a ser iguais todo o tempo). Elenco absurdo, direção firme, roteiro com ótimos momentos… O IMPOSSÍVEL é tranquilamente um dos melhores filmes lançados no Brasil em 2012.

  4. […] que faremos com base em todas as edições. Produção espanhola falada em inglês, “O Impossível” também agradou. Com 75% de aprovação, o longa-metragem registra a história real de uma […]

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