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Resenha Crítica | Paraísos Artificiais (2012)

Paraísos ArtificiaisQuando o trailer de “Paraísos Artificiais” foi exibido nos cinemas, esperava-se pelo pior. A impressão transmitida é de que veríamos a uma insossa recriação do universo rave, evento organizado em um ponto privado em que jovens se lançam a todos os tipos de liberdades (drogas, bebidas, sexo com desconhecidos) durante horas a fio. A surpresa é que uma proposta à primeira vista tão banal rende um dos melhores filmes nacionais a pintar no circuito comercial recente.

O sucesso do filme se dá pelo envolvimento de José Padilha como produtor e Marcos Prado como diretor. Dois dos profissionais mais competentes em atividade no Brasil, ambos já trabalharam juntos na produção dos dois “Tropa de Elite”. Em “Paraísos Artificiais”, José Padilha fica com a produção enquanto Marcos Prado assina a direção de seu primeiro longa-metragem de ficção.

Com narrativa não linear, “Paraísos Artificiais” tem como protagonistas Érika (Nathalia Dill) e Nando (Luca Bianchi). Atuando como DJ, Érika vai à Amsterdã com sua melhor amiga Lara (Lívia de Bueno) com a intenção de fazer sua primeira apresentação no festival Shangri-La. Por lá, elas conhecem Nando, um playboy envolvido com tráfico de entorpecentes. Enquanto visualizamos com clareza este mundo de falsas satisfações, há também o desenvolvimento de um drama recente que  se conecta imediatamente com essas passagens na Holanda.

Escrito com a colaboração de Cristiano Gualda e Pablo Padilla, Marcos Prado enxergou em seu texto a possibilidade de materializar na tela as bad trips experimentadas pelo trio. O trabalho técnico é espetacular ao representar com imagens fortes estes instantes, a exemplo daquele em que Érika se vê ao redor de búfalos selvagens ou quando ela, Nando e Lara iniciam um relacionamento a três enquanto usam uma maquiagem fluorescente.

Para não ficar preso somente neste cenário, Marcos Prado molda uma narrativa cuja reta final se concentra mais nos anseios e relacionamentos familiares dos protagonistas. Mesmo que muitas queixas tenham sido feitas devido a esta escolha, os desenlaces, que em sua maioria dependem de algumas coincidências para acontecerem, permitem maior empatia com os personagens e enriquecem “Paraísos Artificiais”, um bom título que ameniza o gosto amargo deixado no ano retrasado pelo cinema brasileiro.

Título Original: Paraísos Artificiais
Ano de Produção: 2012
Direção: Marcos Prado
Roteiro: Cristiano Gualda, Marcos Prado e Pablo Padilla
Elenco: Nathalia Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno, Bernardo Melo Barreto, César Cardadeiro, Divana Brandão, Cadu Fávero, Erom Cordeiro, Roney Vilela, Emilio Orciollo Neto, Mathias Gottfried e Yan Cassali

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