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Resenha Crítica | Heleno (2011)

HelenoAlém de jogadores de futebol, nomes como Neymar e Ronaldo também fazem às vezes de celebridades. Reconhecidos mundialmente, esses craques da bola são figuras fáceis em programas televisivos e em páginas de revistas e jornais (não sendo exclusividades apenas no caderno Esporte). Entre as décadas de 1940 e 1950, Heleno de Freitas também se encaixava neste perfil de celebridade, embora os seus tormentos particulares o tornassem um indivíduo obscuro e, por isto mesmo, interessante.

Nascido dia 12 de fevereiro de 1920 na cidade de São João Nepomuceno, em Minas Gerais, Heleno de Freitas é ainda considerado um dos maiores jogadores brasileiros da história do futebol. Além dessa fama, prevalecia em campo também o seu temperamento difícil. Adorava admitir que nenhum de seus colegas de time foi capaz de se aproximar de suas habilidades. O comportamento lhe rendeu problemas por todos os times que o contratou, desde o Botafogo até o Boca Juniors.

Longe de torcedores que sempre o ovacionava, Heleno tinha uma vida privada ainda mais tumultuada. Tratava-se de um homem incapaz de se manter fiel a uma única mulher e passava uma boa parte do tempo livre sustentando o seu vício por drogas. O relacionamento com tantas mulheres o fez contrair sífilis, doença que se recusava a tratar.

Mantendo-se fiel aos fatos que marcaram a existência de Heleno (ou que contribuíram para o fim dela), o longa-metragem de José Henrique Fonseca ainda assim consegue meios de dar luz a um homem difícil. Em um lance ousado, Heleno foi todo fotografado em preto e branco por Walter Carvalho.  A ausência de cores não apenas dialoga com o perfil de Heleno de Freitas, como torna deslumbrante certas passagens de sua vida. Na mais marcante dela, o protagonista treina em um campo fora do Brasil tomado por uma densa névoa.

O registro do mito só resulta imperfeito porque pouco dos seus feitos impressionantes com a bola se vê na tela. Mesmo que Rodrigo Santoro tenha mergulhado de cabeça no papel, entregando-se tanto a sensualidade de Heleno quanto a deformidade física mental que o atingiu em seus últimos anos de vida (o ator perdeu aproximadamente doze quilos para representar a fase em que o personagem está em um sanatório), faltou espaço para aquele Heleno que continua vivo no coletivo brasileiro.

Título Original: Heleno
Ano de Produção: 2011
Direção: José Henrique Fonseca
Roteiro: Felipe Bragança, Fernando Castets e José Henrique Fonseca
Elenco: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Erom Cordeiro, Orã Figueiredo, Henrique Juliano e Duda Ribeiro

4 Comments

  1. Achei a atuação de Rodrigo Santoro boa, e só não curti mais Heleno porque o roteiro não foi tão bem desenvolvido como poderia. Achei certas abordagens muito rasas (senti falta de um Heleno “mítico”, que sobrevivesse à derrocada moral apresentada; é quase impossível estabelecer alguma conexão com os dramas do personagem).
    Fotografia notável.
    Abraços, Alex!

  2. “Heleno” foi um filme que me surpreendeu. Concordo quando você diz que falta um pouco do “futebol”, da construção dele como um grande jogador. Mas, no geral, acho que o filme lida bem com o personagem: especialmente Rodrigo Santoro, impecável no charme e na decadência do personagem-título. Grande atuação!

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