Resenha Crítica | Amor (2012)

Amor | AmourAlém de um dos cineastas europeus mais aclamados no cinema contemporâneo, Michael Haneke é autor de obras que exigem do espectador um grande preparo emocional. Suas histórias são protagonizadas por personagens comuns que surpreendem com os seus impulsos mais obscuros. Se “Caché” e “A Fita Branca” continham um mistério que nos permitiram conhecer a face oculta de crianças e adultos, “Violência Gratuita” e “A Professora de Piano” têm indivíduos movidos por extremos.

Amor é o sentimento mais belo que pode ser vivido e compartilhado, mas não se deixe levar pelo título. “Amor” confirma um cineasta cru e livre de respostas fáceis ao encenar as relações humanas. O resultado agradou a Academia, pois “Amor” é finalista em cinco categorias do Oscar 2013: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz (Emmanuelle Riva, a mais velha candidata já indicada ao prêmio), Melhor Roteiro Original e Melhor Filme Estrangeiro.

“Amor” entrega todas as cartas na cena inicial, mas é interessante não revelá-la ao espectador. O melhor é dizer o que vem a seguir, o cotidiano do casal Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Riva). Ambos já passaram dos 80 anos e vivem em paz em um aconchegante apartamento. De repente, Georges se assusta ao se deparar com Anne sem esboçar qualquer reação diante de uma simples conversa matinal. O rápido episódio serve de prenúncio da via-crúcis que este senhor atravessará ao descobrir que Anne está com uma doença degenerativa.

Como se espera, Michael Haneke, que também assina o roteiro, não ameniza a nova dinâmica entre o casal. Por mais simples que seja a sua câmera estática, o desconforto proporcionado é atordoante. Ao estabelecer uma longa duração entre os planos, que por sua vez não permitem tanta proximidade com os personagens, Haneke provoca a sensação de passividade, enfatizando o começo do fim na velhice. Uma experiência dolorosa e nada mais.

Título Original: Amour
Ano de Produção: 2012
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco, Carole Franck, Dinara Drukarova, Laurent Capelluto, Jean-Michel Monroc, Suzanne Schmidt, Damien Jouillero e Walid Afkir

Data:
Filme:
Amor
Avaliação:
3
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | Amor (2012)

  1. Dos 9 filmes indicados ao Oscar 2013 de Melhor Filme, “Amor” é o meu favorito. Um filme dilacerador sobre o ocaso da vida, com duas performances sensacionais da dupla de atores centrais.

    • Kamila, dos indicados ao último Oscar, o meu favorito é “A Hora Mais Escura” – da categoria de filme estrangeiro, gostei mais de “No”. Sinto que este foi um filme que só me provocou um profundo incômodo, nada mais.

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  1. Ponto Crítico – Jan/13 | Cine Resenhas

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