Hoje em dia tem sido fácil se deparar com duas produções que lidam com uma temática quase idêntica. Assim que caiu em domínio público, o livro “A Guerra dos Botões” recebeu duas novas versões cinematográficas produzidas no mesmo ano na França – uma delas foi dirigida por Yann Samuell e já ganhou comentário aqui. Outro caso é o que envolve o diretor Alfred Hitchcock, que recebeu duas homenagens no ano passado. No cinema, Hitch foi incorporado por Anthony Hopkins em “Hitchcock“, produção que nos revela os bastidores de “Psicose”. Já a HBO contratou Toby Jones para vivê-lo em “The Girl”, telefilme em que é dissecado o tumultuado relacionamento profissional entre Hitch e sua última musa loura, Tippi Hedren, nas filmagens de “Os Pássaros” e “Marnie – Confissões de Uma Ladra”.
Hoje faremos uma rápida análise sobre “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador”. Separados por um intervalo de aproximadamente dois meses, as duas produções receberam lançamento no primeiro semestre do ano passado e apresentam tons distintos para o conto da Branca de Neve. Enquanto o público-alvo do filme de Tarsem Singh é o infantil, o estreante Rupert Sanders está interessado em chamar a atenção dos adolescentes. Confira a seguir quem é o melhor nesta edição do Filme Vs. Filme.
Cineasta indiano, Tarsem Singh despontou como um artista capaz de criar imagens poderosas com o clipe “Loosing My Religion”, da banda “REM”. Desde então, realizou quatro longas-metragens em que buscou preservar esta qualidade. Seu último trabalho é “Espelho, Espelho Meu”, em que atualiza livremente a famosa história dos irmãos Grimm cuja versão cinematográfica mais famosa é a clássica e insuperável animação da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões”. Sua intenção é comandar uma produção também direcionada ao público infantil e o resultado é satisfatório. Algumas cenas em que há um tom cartunesco não funcionam, como aquela em que o serviçal interpretado por Nathan Lane é transformado em uma barata como castigo imposto pela Rainha Má de Julia Roberts. Aliás, a estrela, que há anos estava devendo uma boa aparição na telona, está bem à vontade incorporando a vilã, representando uma das melhores qualidades de “Espelho, Espelho Meu”. Além de Julia Roberts, Lily Collins (como Branca de Neve), Armie Hammer (como o Príncipe) e o septeto de intérpretes anões comprovam a acertada escalação para formar o elenco da fantasia. Além do visual, é impossível não se deslumbrar com os figurinos da japonesa Eiko Ishioka, cujo último trabalho antes de morrer confere exageros e fortes tonalidades que casam com perfeição com o universo de Branca de Neve.
Título Original: Mirror, Mirror
Ano de Produção: 2012
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Jason Keller e Marc Klein
Elenco: Julia Roberts, Lily Collins, Armie Hammer, Sean Bean, Nathan Lane, Mare Winningham, Michael Lerner, Robert Emms, Martin Klebba, Danny Woodburn, Mark Povinelli, Joe Gnoffo, Jordan Prentice, Sebastian Saraceno, Ronald Lee Clark, Chantal Hunt, Jason Cavalier e Kimberly-Sue Murray
A pulada de cerca entre o diretor Rupert Sanders e a protagonista Kristen Stewart fora dos bastidores repercutiu muito mais que a versão gótica do conto de “Branca de Neve e os Sete Anões” realizada pela dupla. Fuxicos à parte, “Branca de Neve e o Caçador” surge com a intenção de se transformar em uma franquia, mas o pontapé inicial não é muito promissor. A maior expectativa aqui era acompanhar a história pela perspectiva de Ravenna, a madrasta má encarada com o talento e beleza usuais de Charlize Theron. Quando a Branca de Neve de Kristen Stewart sai da posição de coadjuvante, “Branca de Neve e o Caçador” caminha em duas direções. A primeira é preservar o conto original e a segunda acrescenta novos elementos (o que inclui a entrada do Caçador de Chris “Thor” Hemsworth) que configurarão em uma resolução diferente do esperado. Mesmo que tenha feito mais sucesso que “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador” é inferior em termos de entretenimento. O trabalho técnico é impecável (grandes atores como Bob Hoskins e Eddie Marsan surgem aqui diminutos como os anões que se aliam a Branca de Neve), mas Kristen Stewart é um erro para viver a jovem heroína. Não se trata apenas por ser apontada como mais bela Ravenna (definitivamente ela não é), mas de convencer como uma guerreira. É difícil acreditar na bravura de Branca de Neve quando a história nos quer fazer crer de que ela pode brandir espada e escudo sem qualquer treinamento prévio. Se a intenção é assistir a uma versão obscura de Branca de Neve, é melhor procurar por “Floresta Negra”, ótima produção televisiva com Sigourney Weaver e Sam Neill.
Título Original: Snow White and the Huntsman
Ano de Produção: 2012
Direção: Rupert Sanders
Roteiro: Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Ian McShane, Toby Jones, Nick Frost, Ray Winstone, Sam Claflin, Bob Hoskins, Eddie Marsan, Lily Cole, Vincent Regan, Johnny Harris, Dave Legeno, Rachael Stirling, Jamie Blackley, Noah Huntley, Joey Ansah, Brian Gleeson, Sam Spruell e Craig Garner

Acho que as únicas coisas comparáveis nos dois filmes são as interpretações das vilãs. Roberts e Theron estão ótimas.
No mais, acho Espelho, Espelho Meu um equívoco colorido, enquanto confesso que me diverti com Branca de Neve e o Caçador e adorei a sacada meio esquizofrênica de Ravenna. O problema (gravíssimo) do filme de Sanders é a completa inabilidade interpretativa da dupla central.
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Cecilia, gosto muito das vilãs do filme e da Branca de Neve de Lily Collins. Não digeri tão bem “Espelho, Espelho Meu” em alguns momentos, mas acredito que é uma versão que faz mais jus à protagonista do que “Branca de Neve e o Caçador”.
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NÃO GOSTEI DE BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR, MUITO SEM GRAÇA .. MÁS AMEI E ME DIVERTI MUITO COM ESPELHO ESPELHO MEU KK ENGRAÇADO E NÃO FOJE DA VERDADEIRA HISTÓRIA…
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Greice, pois é. Embora mais infantil, “Espelho, Espelho Meu” nos faz crer que estamos realmente diante de uma adaptação de “Branca de Neve”.
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[…] Katherine Heigl, por “Como Agarrar Meu Ex-Namorado” Kristen Stewart, por “Branca de Neve e o Caçador“ Marion Cotillard, por “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge“ Michelle […]
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Espelho espelho meu é muito fraquinho…
Branca de Neve e o caçador eu não assisti…
Agora Floresta Negra é simplesmente Sensacional!!!!
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Edgard, “Floresta Negra” é mesmo sensacional. Pena que, por ser uma produção televisiva, tenha caído no esquecimento.
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[…] “Espelho, Espelho Meu” “Jane Eyre” “O Morro dos Ventos Uivantes” “W.E. – O Romance do […]
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[…] representad0 por “Branca de Neve e o Caçador”, o estúdio de efeitos especiais Rhythm and Hues gerou vários debates entre especialistas ao […]
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[…] cinéfilos ao firmar parceria com Tarsem Singh, com quem colaborou de “A Cela” até “Espelho, Espelho Meu”. Com o recente falecimento de Eiko, é difícil imaginar o quão afetado ficará os seus […]
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Acho que Chris Hemsworth é um ótimo ator mas não conseguiu aprofundar mais o personagem, no entanto Kristen Stewart precisa aprender a se expressar mais já vi muitos filmes dela e ela nunca muda suas expressões ou se entrega totalmente a personagem, ela nunca sai do jeito ‘Bella” que a vemos, Charlize Theron deu um show com certeza. E em espelho espelho meu Julia Roberts foi o ponto alto, Lilly Collins foi uma graça, e a produção virada ao publico infantil foi uma boa acertada, mas com alguns exageros que com certeza deixaram a desejar. Na minha humilde opinião fico com a minha segunda opção, e não deixo de creer que Floresta negra deveria ter tido mais destaque.
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[…] para lá de livres de “Branca de Neve e os Sete Anões” simultaneamente. Em comum, “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador” têm a ambição em transformar Branca de Neve em um reflexo do que as garotas de hoje visualizam […]
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[…] 2012: “Espelho, Espelho Meu” Em 2011: “Potiche – Esposa Troféu“ Em 2010: “Alice no País das Maravilhas“ Em […]
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[…] visto em duas releituras recentes em live-action de “Branca de Neve e os Sete Anões”, “Espelho, Espelho Meu” e “Branca de Neve e o Caçador”, a protagonista já não é mais a garota indefesa de outrora. É preciso vê-la liderando uma […]
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