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Resenha Crítica | Histeria (2011)

Histeria | HysteriaAntes de iniciar as filmagens ou mesmo escalar o elenco de “Histeria”, a diretora inglesa Tanya Wexler não quis saber de segredo. Revelou na primeira oportunidade que a sua história seria sobre a invenção inusitada do doutor Joseph Mortimer Granville: o vibrador eletromecânico. Uma vez estabelecida a intenção de seu novo longa-metragem, Tanya Wexler teria apenas duas saídas. A primeira seria preencher sua comédia com piadas vulgares. A outra possibilidade, esta felizmente adotada, seria o efeito moral que um dos acessórios sexuais mais populares entre as mulheres contemporâneas causou na época em que foi criado.

Além de servir de título, histeria também é denominada uma perturbação exclusiva às mulheres, causando desde instabilidade emocional até distúrbios sensoriais. Mal sabia Mortimer Granville (Hugh Dancy) que iria lidar exatamente com este sintoma em suas futuras pacientes. Antes um jovem doutor bem-intencionado com métodos de trabalho contestados por seus antigos patrões, Mortimer é contratado pelo doutor Robert Dalrymple (Jonathan Price) para auxiliá-lo no tratamento de mulheres que sofrem de histeria.

O que hoje seria considerado um procedimento polêmico era tratado como um “mal necessário” há dois séculos. Trata-se da massagem pélvica, ou simplesmente masturbação. Isto mesmo. Para combater a histeria, havia consultórios médicos com profissionais incumbidos desta tarefa. Mortimer “fideliza” a clientela e ganha um voto de confiança de Robert, que vê nele um bom partido para a sua filha Emily (Felicity Jones). Já com o seu grande amigo Edmund St. John-Smythe (Rupert Everett, sempre um destaque), um cientista viciado em criação de bugigangas, inventará o objeto que substituirá o seu empenho manual.

Se lidasse apenas com isto, “Histeria” já se garantiria como um bom entretenimento. Há graça no estranhamento causado pela naturalidade que é discutido um tema tabu. Porém, o acréscimo de Charlotte Dalrymple, filha mais velha de Robert, à história torna “Histeria” uma obra excelente. Interpretada por Maggie Gyllenhaal com um entusiasmo fascinante, Charlotte é o elemento que garante um novo olhar ao episódio narrado, aquele em que as mulheres e suas necessidades eram tratadas como algo secundário. O fato de ser uma americana incorporando uma inglesa motivada em ajudar os menos favorecidos só lhe acrescenta. Temos aqui alguém com convicções deslocadas diante da sociedade que habita e, exatamente por isto, um verdadeiro modelo de mulher à frente de seu tempo.

Título Original: Hysteria
Ano de Produção: 2011
Direção: Tanya Wexler
Roteiro: Jonah Lisa Dyer e Stephen Dyer
Elenco: Hugh Dancy, Maggie Gyllenhaal, Jonathan Price, Felicity Jones, Rupert Everett, Ashley Jensen, Sheridan Smith, Dominic Borrelli, Anna Chancellor, Kim Criswell, Georgie Glen, Elisabet Johannesdottir, Gemma Jones, Kate Linder, Teresa Mahoney, Corinna Marlowe, Tobias Menzies, Catherine Meunier, Malcolm Rennie, Jonathan Rhodes, David Ryall, Leila Anaïs Schaus, Jules Werner, Nicholas Woodeson

4 Comments

  1. Não tinha ouvido falar nesse filme antes, mas o seu ótimo texto mostra o quanto essa obra parece ser interessante. Vou tentar conferir, quando puder.

    • Kamila, é uma comédia excelente, talvez a melhor do ano passado. Acho que chega em DVD neste mês. Não deixe de assistir.

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