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Resenha Crítica | Holy Motors (2012)

Holy MotorsEmbora não seja um indivíduo recluso e inacessível como o americano Terrence Malick, Leos Carax é um dos raros artistas que foi capaz de gravar o seu nome na história do cinema produzindo pouco. Mesmo com alguns curtas a tiracolo, há um grande intervalo entre “Os Amantes de Pont-Neuf” e “Pola X” e, agora, “Pola X” e “Holy Motors” – oito e treze anos, respectivamente.

Em “Holy Motors”, Leos Carax parece realizar uma ode ao cinema. Através de seu ator-fetiche Denis Lavant, o cineasta e roteirista cria um indivíduo que, a bordo de uma luxuosa limusine conduzida por Céline (Edith Scob), transita por ambientes em que desempenhará papéis distintos. Em um momento, Lavant surge como um pai que busca sua filha adolescente em uma festa. A seguir, o mesmo Lavant se desdobra ao fazer um assassino em conflito com a sua réplica.

Naquele que é o melhor segmento de “Holy Motors”, Leos Carax revê sua colaboração para o longa-metragem “Tokyo!”, “Merde”. Desta vez, a grotesca criatura que vive no esgoto desempenhada por Lavant invade as ruas de Paris e sequestra a estonteante modelo Kay M (participação especial de Eva Mendes) durante um ensaio fotográfico. Além da mistura de horror e humor, há aqui uma bela recriação de Pièta, a arte cristã em que visualizamos a Virgem Maria com o corpo de Jesus Cristo em seus braços após sua crucificação.

Destoantes entre si, os segmentos de “Holy Motors” são preenchidos por signos e atmosferas que fazem menção a vários gêneros cinematográficos. O resultado desagrada porque faltou a Leos Carax, provavelmente afetado pelo tempo em que não conduziu um longa-metragem, um recurso eficaz para sintonizá-los. A todo o instante em que se cria uma possibilidade para compreender o íntimo de um protagonista perdido entre identidades, a narrativa regride ao ponto de nos desligarmos por completo dos segmentos que virão a seguir. Vale pelo notável empenho de Denis Lavant em mergulhar em um sem-número de personagens.

Título Original: Holy Motors
Ano de Produção: 2012
Direção: Leos Carax
Roteiro: Leos Carax
Elenco: Denis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes, Kylie Minogue, Elise Lhomeau, Jeanne Disson, Michel Piccoli, Leos Carax, Nastya Golubeva Carax, Reda Oumouzoune, Zlata, Geoffrey Carey, Annabelle Dexter-Jones, Elisa Caron, Corinne Yam, Julie Prévost, Ahcène Nini, Laurent Lacotte, David Stanley Phillips, Matthew Gledhill, Hanako Danjo e Leos Carax

9 Comments

  1. Não sei se existe, por parte do filme, essa necessidade de sintonizar os personagens. O jogo que Carax nos propõe me parece diverso: através desses muitos personagens refletir sobre a própria natureza do cinema em contar histórias. E daí, pergunta: queremos mais histórias? quantas histórias o cinema ainda poderá nos contar? por que contá-las? ainda há quem se interesse por elas? É um filme cheio de significados e nuances. Lavant é um camaleão.

    • Rafael, pois estes foram questionamentos dos quais o filme não me transmitir para investigá-los. Acredito que tudo aqui não passa mesmo de uma junção de gêneros para, enfim, compreendermos o protagonista, algo que o próprio Carax já admitiu. Mas adoro o resgate do sinistro personagem de “Merde”. Dá vontade de rever o segmento.

  2. Eu ao contrário de grande maioria não achei uma obra-prima, é de fato muito interessante, e eu ainda me questiono se as histórias tem alguma ligação de fato – mas é um bom trabalho de Carax, só!

    • Cleber, para mim o filme não passa de uma junção de curtas, havendo um resultado final bem aborrecido.

  3. Não consegui ter uma opinião definida sobre esse filme, é criativo, mas peca por uma narrativa abstrata demais. Concordo com o que falou sobre Denis Lavant e seu esforço dramaturgico.

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