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Resenha Crítica | Chamada de Emergência (2013)

Chamada de Emergência | The CallEspecialista em thrillers, o diretor americano Brad Anderson vem se provando um autêntico discípulo de Alfred Hitchcock. Após “Próxima Parada: Wonderland” e “Feliz Coincidência”, duas obras que mostram que os filmes românticos podem enveredar por caminhos inóspitos, Anderson mergulhou no gênero que finalmente o tornaria conhecido através de “O Operário” e “Expresso Transiberiano”. O toque hitchcockiano se dá no tormento de protagonistas inocentes encurralados em um crime que os definem como principais culpados.

Em “Chamada de Emergência”, primeiro filme em que Brad Anderson finalmente atinge um sucesso comercial, esse elemento é retrabalhado. Há aqui uma situação pouco usual: o indivíduo cujo desempenho, bem-sucedido ou malsucedido, não é considerado por se tratar apenas de um intermediário. Aí está a originalidade de “Chamada de Emergência”, pois a perspectiva de um crime não se dá integralmente pelo psicopata que o comete, o policial que tenta impedi-lo ou a vítima que tenta escapar ilesa. O interesse da história reside na operadora do 911 Jordan Turner (Halle Berry), justamente o elo de ligação entre as três figuras citadas.

Após atender a chamada de emergência de uma adolescente que não conseguiu escapar de um maníaco que invadiu sua casa, Jordan se sente uma fracassada. Passa a tomar medicamentos para controlar sua ansiedade diariamente e desiste do atendimento para liderar o treinamento de novos funcionários da colmeia (assim é chamado o ambiente em que trabalha, pois as inúmeras ligações em curso rendem um som ambiente que se assemelha àquele emitido por abelhas operárias).

A chance de Jordan se redimir aparece quando Casey Welson (Abigail Breslin, crescendo e aparecendo) é sequestrada por um homem que pode ser aquele que cometeu o assassinato que a traumatizou. Será ela que ajudará Casey pelo telefone para contornar sua condição. É necessário muito fôlego, pois qualquer ação mal planejada condenará Casey, confinada no porta-malas de um veículo com placa adulterada.

Como o esperado, Brad Anderson tem pleno domínio sob o suspense. Além do ritmo frenético de fazer qualquer um roer as unhas, o cineasta recorre a close-ups para dar ênfase ao nervosismo não somente das protagonistas como também do vilão interpretado por Michael Eklund, cuja face é desvendada aos poucos. A decisão é acertada, pois causa nossa proximidade com a desesperadora situação.

“Chamada de Emergência” só não atinge notas mais elevadas porque há uma pequena gafe em seu último ato. Trata-se do cenário em que a busca de Casey é transferida. Sem fazer grandes revelações, pode-se dizer que tal ambiente se tornaria inexplorado a partir do instante em que a identidade do vilão é desvendada pela polícia. Parece um mero detalhe, mas isto prejudica a credibilidade que “Chamada de Emergência” sustentava até então.

The Call, 2013 | Dirigido por Brad Anderson | Roteiro de Richard D’Ovidio | Elenco: Halle Berry, Abigail Breslin, Michael Eklund, Morris Chestnut, David Otunga, Michael Imperioli, Justina Machado, José Zúñiga, Roma Maffia, Evie Thompson, Denise Dowse, Ella Rae Peck, Jenna Lamia, Ross Gallo e Tara Platt

2 Comments

  1. A premissa de “Chamada de Emergência” é muito interessante, porém tenho lido que o filme tem alguns problemas de roteiro, especialmente no seu ato final. De todo jeito, é uma obra que eu pretendo assistir.

    • Kamila, acho a solução final bem adequada. O problema é justamente o ambiente em que ela acontece. Só vendo o filme mesmo para comprovar.

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