Resenha Crítica | The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva (2011)

The Woman - Nem Todo Monstro Vive na Selva | The Woman

Desconhecido entre os leitores brasileiros, Jack Ketchum tem uma carreira relativamente bem-sucedida como autor de histórias de horror. Até então, entre as suas obras já levadas para o cinema, apenas “Rastros de Vingança” não é inédita no Brasil. Daí a falta de referências de um nome notório entre os americanos pela violência que impõe em suas histórias, a exemplo de “The Girl Next Door”, uma versão ficcional para a trágica história de Sylvia Likens, uma jovem assassinada em Indianapolis em 1965 – além da adaptação cinematográfica de Gregory Wilson, o mesmo fato originou “Um Crime Americano”, com Ellen Page e Catherine Keener.

Um dos títulos a compor o segundo volume da Ghost House Underground, “Offspring” é uma adaptação para lá de barata escrita pelo próprio Jack Ketchum e dirigida por Andrew van den Houten que mostrava um grupo de canibais atacando cidadãos de um pequeno minicípio em busca de um bebê. Mal conduzida, a história mostrava que os protagonistas tinham instintos tão primitivos quanto os ameaçadores canibais. Tendo uma integrante desse grupo como único elo com “Offspring”, “The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva” é, surpreendentemente, uma sequência superior em todos os aspectos. Aliás, sequer é necessário assistir “Offspring” para embarcar em “The Woman”, que recebeu lançamento discreto por aqui em homevideo em dezembro de 2012.

Creditada como A Mulher, essa personagem selvagem interpretada por Pollyanna McIntosh vive no meio de uma floresta frequentada por Chris Cleek (Sean Bridgers) em períodos de caça. A princípio um sujeito de boa índole e profissionalmente bem-sucedido, Chris se revela um monstro a partir do instante em que captura A Mulher, mantendo-a presa em seu porão somente para saciar os seus desejos mais perversos, como humilhá-la para convertê-la em alguém que possa viver na sociedade. Além do mais, Chris é capaz de destroçar a própria família. Além de incentivar o seu filho Brian (Zach Rand) a praticar atos violentos, ele abusa sexualmente da filha adolescente Peggy (Lauren Ashley Carter) e agride a esposa Belle (Angela Bettis).

Diretor do ótimo “May – Obsessão Assassina”, Lucky McKee lida aqui com uma moral bem distinta daquela trabalhada por Andrew van den Houten em “Offspring”. Sim, o protagonista se revela tão primitivo quanto A Mulher, mas a violência contra o sexo feminino é o tema mais forte desta vez. Muito bem conduzido, “The Woman” apresenta muitos instantes em que visualizamos a brutalidade física. Porém, o efeito nas personagens e, consequentemente, na audiência é psicológico, havendo até mesmo um sentimento de cumplicidade entre A Mulher e Peggy, a única que agirá quando a situação de passividade atingir o limite do suportável. Por culpa da previsibilidade, a violência gráfica que invade o último ato da história é contemplada com um impacto menor do que o aguardado. Até aí, “The Woman” já cumpriu sua missão de compreender a sociedade selvagem em que vivemos.

The Woman, 2011 | Dirigido por Lucky McKee | Roteiro de Jack Ketchum e Lucky McKee | Elenco: Pollyanna McIntosh, Sean Bridgers, Lauren Ashley Carter, Angela Bettis, Zach Rand, Rsyla Molhusen, Chris Krzykowski, Marcia Bennett, Gordon Vincent, Shelby Mailloux, Amanda Daryczyn e Carlee Baker

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

43 Comentários em Resenha Crítica | The Woman – Nem Todo Monstro Vive na Selva (2011)

    • Marta, você precisaria ser um pouco mais clara. A música incidental é composta por Sean Spillane. Já as canções ouvidas ao longo do filme você pode consultar através do track list que informei acima para o Luciano.

  1. A menina-cachorro era filha do casal, ela nasceu com anoftalmia (doença ocular onde a criança nasce sem olho), foi rejeitada pelos pais, por isso o homem repetiu por duas vezes a frase: “você sabe o que é anoftalmia?”. Acredito que a criança tenha sido jogada para ser comida pelos cães, mas foi adotada por eles, por isso agia como um cachorro. Da mesma maneira a garota selvagem era filha do casal e foi jogada na selva para servir de alimento para os lobos, mas também foi adotada por eles. Por isso que no final do filme a garota selvagem mata a mulher. Acredito que foi uma maneira do criador do filme punir todos os monstros e suas perversidades.

    • Ta ,mas a Peg estava gravida do proprio pai então??? E pq a garota selvagem disse -canibal-quando colocou a mao na barriga de Pegg ? E pq elas foram embora com a Darlin e deixaram a Pegg ? Não consegui entender muito esse final .

      • Acabei de assistir esse filme pelo SPACE, e confesso que não entendi e não gostei do final desse filme!!! realmente ele prende a nossa atenção, mas deixa muitas pontas, nao gostei! é aquele filme que acaba e vc diz: AFF!

    • A menina que se comporta como cachorro foi de fato rejeitada pelo pai ,porém “A Mulher”,protagonista,é remanescente de um grupo de selvagens canibais da primeira obra do escritor: “Offsprig”.

  2. Valeu Tatiane! Eu tbm nao entendi a parte da menina cachorro… Na verdade não entendi bem o final.
    Graças a vc ficou tudo mais claro agora.

  3. Entendi a questão da menina-cachorro ser filha deles, ter anoftalmia e ter sido jogada aos cães que acabaram cuidando dela e ficou sendo tratada desta forma.
    Quando a mulher da selva, pelo que entendi percebeu, mesmo selvagem, a grande atrocidade que as filhas do casal também estava sujeitas.
    Nas cenas finais, quando a mulher selvagem arranca o estômago (acho que era) do algoz, para mim foi simbólica. Ela come parte, e dá o restante para a menina-cachorro. Quando a filhinha do casal oferece a água, após ela oferece a mão com sangue, e a menina lambe e sorri. Quando ela oferece a Peggy, ela não aceita, e o gesto da mulher selvagem colocando a mão sobre a barriga da Peggy, pelo que entendi foi a forma que explicou ser sangue da barrida do algoz, do pai da Peggy. Como que dizendo que estavam todas livres dele.
    Para mim, pelo menos no meu entendimento, a saída das duas selvagens, sendo que a mulher selvagem levou a pequena pela mão, foi para salvar ela da selvageria dos homens, que foi o que conheceram. E a escolha da Peggy em seguí-las, foi a decisão que tomou em relação a toda aquela selvageria que tinha vivido até então.
    Simbolicamente, a liberação das mulheres em relação a toda a violência a que todas 4 tinham sido submetidas.

  4. filme extremamente bom super recomendo como disse o crítico nem todo monstro vive na selva e a trilha sonora é ótima, aliás alguém conhece a banda? Pelo que entendi todas a sua músicas são de uma mesma banda.

  5. Filme fraco,porem bem criativo.Nao é de fato uma obra prima do genero horror,que seguindo este contexto acabará a ter um desfecho mediano .O que intriga é a maneira na qual o autor transpareceu o tema central,profundo,surreal e canibalesco…bem legal neste quesito

  6. Eu assistir ontem e lendo aqui tirei. Muitas duvidas… O que eu não entendi foi a cena que ela mata mãe das meninas e mostra uma cena de duas mulheres na cama abraçadas… Uma era a mãe da família e a outra? Quem era?

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