Skip to content

Resenha Crítica | Margaret (2011)

Antes da celebração com “O Vencedor” e “O Lado Bom da Vida”, o diretor David O. Russell realizou “Nailed”, uma comédia protagonizada por Jessica Biel e Jake Gyllenhaal. Produzida em 2008, as filmagens foram interrompidas quando inúmeros membros da equipe se desligaram do projeto ao não receberem seus salários. Cinco anos depois, há indícios de que “Nailed” será lançado em breve. Pior foi o caso do cineasta Kenneth Lonergan com o seu “Margaret”.

Protagonizado por Anna Paquin, “Margaret” foi filmado em 2005 e lançado comercialmente nos Estados Unidos seis anos depois. Com um circuito restrito, ninguém foi vê-lo. Kenneth Lonergan parecia ter ambições de fazer um grande filme dramático, aquele que um dia poderia vir a ser sua obra-prima em uma breve carreira atrás das câmeras.

Com um roteiro que continha originalmente 368 páginas, “Margaret” começou a ter problemas justamente na pós-produção. Além das divergências entre Kenneth Lonergan e o estúdio Fox Searchlight, o orçamento se esgotou, impedindo que a montagem fosse concretizada. “Margaret” só voltou a ver a luz do dia quando ninguém menos que o cineasta Martin Scorsese apareceu para dar uma força (Lonergan escreveu “Gangues de Nova York”). Ainda assim, “Margaret” recebeu duas versões: a já extensa versão para cinema e a versão do diretor com aproximadamente três horas de duração.

É possível um filme com tantos problemas para ser finalizado preservar a visão original de seu realizador e resultar em algo positivo? Quanto o caso “Margaret”, a resposta é sim. Apesar do tempo, a história permanece atual e o elenco não está muito diferente do que é hoje. Porém, “Margaret”, assim como a protagonista vivida por uma notável Anna Paquin, não agradará a todos.

Paquin vive Lisa Cohen, uma jovem afetada com a separação de seus pais (vividos pela excelente J. Smith-Cameron e o próprio Kenneth Lonergan) e ainda presa em uma fase de descobertas em que há a mistura de amadurecimento e ingenuidade. Em um dia comum como qualquer outro, visualiza o motorista de ônibus Maretti (Mark Ruffallo) com um chapéu de caubói que gostaria de comprar. Enquanto ele conduz o veículo, Lisa o distrai ao querer saber em que lugar conseguiria encontrar um modelo igual. Por mais inocente que seja a situação, ela apresenta como consequência um trágico acidente. A vítima é uma senhora (Allison Janney) que, antes de morrer, confunde Lisa com sua filha.

A princípio, Lisa parece processar tudo rapidamente. No entanto, não demora para desmoronar. Os atritos com a mãe, uma atriz do teatro em ascensão, são intensificados e, na tentativa de superar o trauma, Lisa procura conversar com Maretti somente para culpá-lo a seguir pelo atropelamento, embora ela própria tenha dúvidas quanto a sua própria participação na concretização da tragédia.

O que temos a partir disso é um drama que se beneficia justamente pela dureza usada para a construção da personalidade de Lisa. Trata-se de uma garota em conflito consigo mesma, externando-o de um modo capaz de ferir as pessoas queridas ao seu redor. “Margaret”, nome que faz referência a um poema de Gerard Manley Hopkins, é concluído sem dar um nó resistente em todas as relações que se desenham, como o de Lisa com o professor interpretado por Matt Damon. Por outro lado, vê na protagonista um espelho para nossa incapacidade de passar incólume ao testemunhar uma tragédia.

Margaret, 2011 | Dirigido por Kenneth Lonergan | Roteiro de Kenneth Lonergan | Elenco: Anna Paquin, J. Smith-Cameron, Mark Ruffalo, Allison Janney, Matthew Broderick, Kieran Culkin, Krysten Ritter, Jean Reno, Jeannie Berlin, Sarah Steele, John Gallagher Jr., Cyrus Hernstadt, Stephen Adly Guirgis, Betsy Aidem, Adam Rose, Nicholas Theodore Grodin, Rosemarie DeWitt, Glenn Fleshler, Stephen Conrad Moore, Gio Perez, Kenneth Lonergan, Jake O’Connor, David Mazzucchi, Jerry Matz, Hina Abdullah, Matthew Broderick, Josh Hamilton, Olivia Thirlby e Matt Damon

6 Comments

  1. “Margaret” é um filme sobre o qual ouço falar há muito tempo!! Uma pena que ninguém assistiu a esse longa, nem nos Estados Unidos. O Kenneth Lonergan é um bom diretor e roteirista e a Anna Paquin também é uma boa atriz. Espero ter a mesma chance que você e poder conferir o filme, mas que não demore muito tempo! rssrsrs

    • Kamila, até hoje aguardo pelo lançamento desse filme em DVD no Brasil. Se não me engano, ele só está disponível no Netflix.

      • Oi sei que apesar de estarmos em 2016 sexta de madrugada passou este filme na globo,dormimos com a tv ligada então acordei com os gritos da protagonista desesperada com a vitima do acidente no colo… é interessante o filme☺

  2. Pedro Tavares Pedro Tavares

    Filmaço.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: