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American Mary

American Mary

No grupo de cineastas de horror contemporâneo que ainda se forma, as irmãs gêmeas Jen e Sylvia Soska podem muito bem assegurarem uma vaga caso recebam futuras oportunidades para conduzirem outros filmes. Leitoras assíduas desde a infância dos romances de Clive Barker e Stephen King, dois expoentes da literatura macabra, e fãs confessas de Robert Rodriguez, Dario Argento e Eli Roth, as gêmeas Soska conseguiram grande destaque já no segundo longa-metragem de suas carreiras, o canadense “American Mary”.

Lançado recentemente nos Estados Unidos, “American Mary” apresenta um grande atrativo para os fãs da trilogia “Possuída”. Após viver Ginger Fitzgerald, a bela Katharine Isabelle recebe a oportunidade de bilhar como Mary Mason, personagem central da história. Estudante de medicina com dificuldades para pagar as contas, Mary decide trabalhar como stripper para aumentar o orçamento e não precisar recorrer à mãe. Quando descola uma vaga em uma casa noturna, Mary é imediatamente requisitada em seu primeiro dia para salvar a vida de um dos capengas do seu chefe que possivelmente se meteu em uma briga de negócios.

Após este episódio, Mary reconhece o seu talento nato para fazer cirurgias, ainda não tenha concluído a faculdade. Vê nisso a oportunidade de ganhar muito dinheiro através de operações ilegais. Em meio a isso, Mary é persuadida pelo supervisor do seu estágio a participar de uma festa em que terá a oportunidade de conhecer muitos cirurgiões renomados. Mary aceita e não demora a ser dopada e estuprada por um canalha. Ao invés de denunciá-lo, ela decide executar uma perversa vingança em que removerá aos poucos cada parte do corpo dele enquanto o mantém em cativeiro.

A princípio, as expectativas antecipam a impressão de que embarcaremos em um horror em que detalhes da anatomia humana são expostos e que muito sangue sujará a tela. Embora não se desprenda dessa exposição, as gêmeas Soska conduzem “American Mary” com muita elegância. Há até fascínio no modo como desfila freaks que estão dispostos a se submeterem as mais inimagináveis intervenções cirúrgicas para remodelarem os próprios corpos – uma das pacientes de Mary é quase idêntica a uma boneca de porcelana.

Após todas essas considerações, “American Mary” atinge um resultado somente mediano porque as gêmeas Soska ainda precisam aprimorar a escrita. Há um determinado momento em que a trama se perde ao desenvolver tantos pontos de interesse, rendendo atmosferas muito dispersas. Na indefinição de seguir uma história policial, de vingança ou beleza macabra, a conclusão se apresenta sem o mesmo cuidado preservado nos dois atos que o antecedem. De qualquer modo, as gêmeas Soska não enfraquecem a força de seus nomes, que em “American Mary” se mostram suficientemente dignos de serem espiados daqui em diante.

American Mary, 2012 | Dirigido por Jen Soska e Sylvia Soska | Roteiro de Jen Soska e Sylvia Soska | Elenco: Katharine Isabelle, Antonio Cupo, Tristan Risk, David Lovgren, Paula Lindberg, Clay St. Thomas, John Emmet Tracy, Twan Holliday, Nelson Wong, Sylvia Soska e Jen Soska | Distribuidora: Xlrator Media

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