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Resenha Crítica | Terapia de Risco (2013)

Terapia de Risco | Side Effects

Já tendo voltado atrás quanto a sua decisão de se aposentar, Steven Soderbergh recentemente apresentou “Terapia de Risco” ao público  com a promessa de que este definitivamente seria o seu último longa-metragem. A justificativa para tomar uma decisão tão drástica é pífia: Soderbergh disse estar exausto do modo como a indústria de cinema se move. Avaliando a quantidade de produções que tem passe livre para realizar anualmente e todo o elenco e equipe ao seu dispor, tal frustração artística se mostra inconcebível.

De qualquer maneira, sua despedida acontece com a apresentação de duas surpresas. A primeira surpresa vem do fato de “Terapia de Risco” ser um modelo de thriller estranho em sua carreira e com o qual conduz muito bem. Já a segunda surpresa é que o longa-metragem protagonizado por Jude Law e Rooney Mara é ótimo, um resultado que Soderbergh obtém com muita dificuldade.

A verdade é que os méritos de “Terapia de Risco” se devem mais pelo texto de Scott Z. Burns. Para quem não lembra, o roteirista é o responsável pelos únicos bons filmes de Soderbergh nos últimos cinco anos: “O Desinformante!” e “Contágio”. As histórias de Scott Z. Burns são bem estruturadas e inteligentes, capazes de impedirem Soderbergh a sair dos trilhos.

Na trama, Emily (Rooney Mara, bem melhor que em “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”) é uma jovem que aguarda ansiosamente pelo retorno do marido Martin (Channing Tatum), há quatro anos atrás das grades. Embora as razões não fiquem muito claras, há indícios de que Martin havia revelado informações sigilosas da empresa em que trabalhava, resultando em sua prisão. Mesmo com Martin agora ao seu lado, Emily não superou a depressão que surgiu com a ausência dele, fazendo-a tomar atitudes graves como chocar o seu veículo contra a parede de um estacionamento ou quase pular nos trilhos de uma estação de metrô.

Ao ser hospitalizada, Emily é atendida por Jonathan Banks (Jude Law), psiquiatra para o qual ela se oferece como paciente. Nas sessões de terapia, Jonathan passa a receitar drogas experimentais com a intenção de fazer Emily se livrar definitivamente da depressão. Para cada uma, há efeitos colaterais drásticos ao ponto de fazê-la cometer um crime. Acusada de assassinato, Jonathan tenta protegê-la ao mesmo tempo em que se esquiva de possíveis acusações de negligência ao ter receitado antidepressivos de modo inadequado, pois ele participa de programas de estudo realizados por fabricantes que o influenciam a testar novas drogas em seus pacientes.

O que faz “Terapia de Risco” funcionar é a precisão com que suas reviravoltas são aplicadas. Elas não acontecem de modo gratuito, pois a todo o instante o filme oferece indícios para que o público, a este ponto empático com a figura de Jonathan, desconfie do curso que a história está seguindo. De certo modo, “Terapia de Risco” também remete a clássicos do gênero. Adrian Lyne é uma influência assumida por Soderbergh e “Terapia de Risco” desconstrói a figura masculina e a feminina, uma vez que Emily passa a assumir um perfil que causará a impotência de Jonathan diante de sua vida profissional e privada, um revés exibido em “Atração Fatal”. Uma pena Steven Soderbergh não ter demonstrado o mesmo padrão de qualidade visto em “Terapia de Risco” ao longo de sua carreira pouco memorável.

Side Effects, 2013 | Dirigido por Steven Soderbergh | Roteiro de Scott Z. Burns | Elenco: Jude Law, Rooney Mara, Catherine Zeta-Jones, Vinessa Shaw, Channing Tatum, Ann Dowd, David Costabile, Polly Draper, James Martinez, Peter Friedman e Mamie Gummer | Distribuidora: Paris Filmes

5 Comments

  1. Sim, é um filme interessante de acompanhar, mas as séries de reviravoltas seguidas, na minha opinião, acabam prejudicando “Terapia de Risco”. Concordo, no entanto, que a parceria Scott Z. Burns e Steven Soderbergh rendeu bons filmes.

    • Kamila, não penso assim. Se as reviravoltas existissem apenas para provocar uma sensação de surpresa no público eu teria me incomodado. No entanto, como sempre há um indício de que as coisas não são como parecem, as reviravoltas foram bem aplicadas aqui. Gostei muito do filme.

  2. Eis um filme que vai muito bem até certo ponto mas que, bem como a Kamila disse, é prejudicado pela série de reviravoltas que adota. Fiquei incomodado com essa insistência de “Terapia de Risco” querer surpreender a todo custo…

    • Matheus, não vejo desse jeito. As surpresas não me parecem aleatórias, a todo o instante há o indício de que algo irá acontecer.

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