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Resenha Crítica | Silent Hill – Revelação 3D (2012)

Silent Hill - Revelação 3D | Silent Hill - Revelation 3D

Gamers costumam ser muito severos com a adaptação cinematográfica de um jogo eletrônico. Não se trata apenas da exigência de um roteiro que siga fielmente a história antes explorada através de um console, mas também de haver a sensação de que está interagindo com aquilo que contempla como espectador. Não é uma missão impossível de ser cumprida, como provara o francês Christophe Gans em “Terror em Silent Hill”.

Tendo “O Pacto dos Lobos” como sua obra máxima, Christophe Gans promoveu com “Terror em Silent Hill” um festival macabro que não trai as origens do material adaptado por Roger Avary (Oscar pelo roteiro de “Pulp Fiction – Tempo de Violência”). Como esperado em um competente artista europeu, Gans fez, portanto, o melhor filme oriundo do universo dos videogames, imaginando estágios e modos peculiares para exibir os eventos infernais que tomam a desconhecida cidade de Silent Hill.

Lamentavelmente, a sequência, “Silent Hill – Revelação 3D”, não conta com a dupla formada por Gans e Avary. A responsabilidade para tocar a sequência ficou a cargo de Michael J. Bassett, que a executa obtendo um resultado que deixaria Uwe Boll orgulhoso – ou envergonhado, para se ter uma noção da calamidade que é “Silent Hill – Revelação 3D”.

A história é ambientada alguns anos após os eventos do filme original e personagens importantes retornam, a exemplo de Heather (Adelaide Clemens, uma Michelle Williams de segunda), agora uma adolescente que não se recorda de sua mãe e das experiências que viveu com ela em Silent Hill. Com problemas de adaptação, Heather ao menos tem o seu pai Harry (Sean Bean) para apoiá-la. O regresso de Heather à Silent Hill se dá quando Harry é sequestrado por um desconhecido. Desolada, ela contará com a companhia de Vincent (Kit Harington, do seriado “Game of Thrones” e em seu primeiro papel no cinema), um colega de classe que pode ou não ser confiável.

Embora contenha elementos de “Silent Hill – Origins” e “Silent Hill – Downpour” (respectivamente, quinto e oitavo capítulo lançado da franquia de jogos), “Silent Hill – Revelação 3D” nada mais é do que um rascunho muito mal concebido do desenvolvimento de “Terror em Silent Hill”. Personagens secundários, cenários e a sensação de perigo formam elementos que parecem meras reciclagens do filme de Christophe Gans e Michael J. Bassett piora as coisas apresentando soluções de bandeja, uma vez que Heather encontra as suas respostas com a mesma facilidade que qualquer um com problemas de coordenação motora tem para passar uma fase de “Super Mario World”.

De qualquer modo, não dava para aguardar um resultado melhor de “Silent Hill – Revelação 3D”. Rodado com um orçamento que sequer se aproxima da metade do valor que viabilizou “Terror em Silent Hill”, esta sequência anda tendo sérias dificuldades para ser lançada no Brasil após fracassar nas bilheterias estadunidenses. Aproveite a deixa: reveja o filme original e ignore a existência de “Silent Hill – Revelação 3D” imaginando outras possibilidades para a oportuna conclusão em aberto filmada em 2006.

Silent Hill: Revelation 3D, 2012 | Dirigido por Michael J. Bassett | Roteiro de Michael J. Bassett, baseado no jogo eletrônico “Silent Hill”, da Konami | Elenco: Adelaide Clemens, Kit Harington, Sean Bean, Carrie-Anne Moss, Martin Donovan,  Malcolm McDowell, Deborah Kara Unger, Roberto Campanella, Erin Pitt, Peter Outerbridge, Heather Marks e Radha Mitchell | Distribuidora: Playarte

6 Comments

  1. Adaptações para o cinema de games são uma coisa complicada. Não consigo me lembrar de um bom filme nesse gênero. De todo jeito, essa é a segunda opinião ruim que leio sobre este longa nesta semana.

    • Kamila, “Terror em Silent Hill” é uma boa adaptação de um game.

  2. Marcelo Fs Marcelo Fs

    Gosto tanto do primeiro filme que achei que, por causa da demora na chegada da continuação o filme valeria a pena, mas não valeu. Uma pena. O clima de Sillent Hill é tão sombrio que até aqui nesse filme se perdeu.

    • Também sou apaixonado por “Terror em Silent Hill”. A troca de diretor e a redução de custos obviamente comprometeu demais o resultado da sequência.

  3. Marcio Roberto Marcio Roberto

    Eu amo de paixão o primeiro filme, e depois de tantos anos de espera já tava muito ansioso e entusiasmado para ver esta sequência, mas… Nossa, quando acabei fiquei tão… Inexpressivo, sabe? Na verdade durante boa parte do filme eu nem sabia o que tava acontecendo, pois o tinha visto primeiro no youtube e a imagem tava escura, mas depois de finalmente vê-lo em dvd, percebi logo um dos maiores erros dele: cenas corridas. Enquanto o primeiro utilizava uma pegada mais lenta e poética, este parte pra algo mais dinâmico e de mais ação, mas peca pela falta de profundidade. No fim, ficou a desejar principalmente como continuação, pois atropela sem dó a história do primeiro. Embora a Adelaide faça o que pode assim como o coitado do Sean Bean, eles não conseguem salvar esta sequência corrida, esburacada e vazia, que acabou enterrando os planos de uma trilogia.

    Ps: Sobre o lance do Boll, não exageremos, pois afinal é muito difícil superar House of the Dead, né? Kkkkkkkk eu não assisti, mas depois de ler as análises do Boca do Inferno e ver os vídeos no youtube, nossa!!

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