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Resenha Crítica | Só Deus Perdoa (2012)

Only God Forgives

Cineasta dinamarquês, Nicolas Winding Refn tornou-se mundialmente conhecido com o sucesso de “Drive”, seu primeiro filme rodado nos Estados Unidos. Sua condução não lhe rendeu somente o cobiçado prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes como também materializou na tela elementos pop ainda celebrados pelo mesmo público que assistiu “Drive” há dois anos. Representando nova parceria de Nicolas Winding Refn com o seu protagonista de “Drive”, Ryan Gosling, “Apenas Deus Perdoa” prometia repetir o mesmo êxito.

Autor do roteiro original, Nicolas Winding Refn faz com “Apenas Deus Perdoa” uma obra mais pessoal. Por mais difícil que seja associar a ação da história ao seu criador, Winding Refn encontrou a inspiração para moldá-la através das crises existências que vivenciou com o nascimento de sua filha mais nova. Fez assim um filme econômico no uso das palavras, com referências míticas e que reproduz, ao seu modo, o perfil de heróis (ou anti-heróis) de faroestes.

Por mais difícil que seja processar, temos definitivamente um filme em que acompanhamos uma grande parte dos acontecimentos pela perspectiva de um vilão, embora isto seja uma definição não muito apropriada para Julian (Ryan Gosling). Antes de assumir a função de protagonista, acompanhamos brevemente o seu irmão Billy (Tom Burke). Assassino cruel e pedófilo, Billy é eliminado pelo pai de uma prostituta menor de idade que assassinou brutalmente. A partir deste instante, Julian, um traficante de drogas que age em Bangcoc, é surpreendido com a presença de sua mãe Crystal (Kristin Scott Thomas), que o pressiona a se vingar dos responsáveis pela morte de Billy.

A partir de então, desenha-se a clássica história familiar de honra e vingança. Fica claro um relacionamento dúbio entre Julian e Crystal, uma mãe que não nega seu favoritismo pelo primogênito morto. Há também Chang (Vithaya Pansringarm), uma engrenagem essencial da história. Sempre portando uma espada e uma postura de samurais, Chang foi o intermediário que garantiu a execução de Billy. Embora extremamente severo, Chang é a representação de um xerife sempre acima da lei. Não à toa, todos os policiais de Bangcoc lhe servem como meros subordinados.

Inspirado pelo trabalho do cineasta nascido na Argentina Gaspar Noé (algo evidenciado pelo uso forte do vermelho, cor que se confunde naturalmente com a brutalidade encenada) Nicolas Winding Refn faz um filme visualmente perturbador, mas emocionalmente oco. Com exceção da interpretação e caracterização incríveis da sempre bárbara Kristin Scott Thomas, “Apenas Deus Perdoa” parece preenchido de objetos inanimados, a exemplo de Ryan Gosling, que faz aqui uma versão ainda mais vazia de seu personagem em “Drive”. Tantas intenções se perdem diante de personagens incapazes de sequer sugerirem o que internamente os atormentam. Não que a indiferença também não nos contamine: todas as jovens absurdamente neutras diante do massacre de um noivo reproduzem perfeitamente nossa reação do início ao fim de “Apenas Deus Perdoa”.

Only God Forgives, 2012 | Dirigido por Nicolas Winding Refn | Roteiro de Nicolas Winding Refn | Elenco: Ryan Gosling, Kristin Scott Thomas, Vithaya Pansringarm, Gordon Brown, Yayaying Rhatha Phongam, Tom Burke, Sahajak Boonthanakit, Pitchawat Petchayahon, Charlie Ruedpokanon, Kovit Wattanakul, Wannisa Peungpa e Narucha Chaimareung | Distribuidora: Radius-TWC

One Comment

  1. Marcelo Fs Marcelo Fs

    Quero ver o filme pela sua elogiada técnica e pela presença de uma das melhores atrizes da atualidade; Scott Thomas, que consegue salvar qualquer trabalho. Agora o protagonista me irrita bastante. As opiniões estão bastante divididas sobre este filme.

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