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Resenha Crítica | Quando as Coisas Acontecem (2011)

Onde as Coisas Acontecem | Union Square.

Diretora de dois dos três segmentos do formidável telefilme “O Preço de uma Escolha”, Nancy Savoca não estabeleceu uma carreira expressiva no cinema, mas prova com o seu recente “Quando as Coisas Acontecem” que é capaz de tirar ótimas interpretações de seu elenco através de uma história muito íntima. Título original (Union Square é um bairro de Manhattan, Nova York) somente vende um filme que, ao contrário do que se espera, é situado em um apartamento na maior parte do tempo.

É para o cenário não tão amplo habitado pelo casal Jenny (Tammy Blanchard) e Bill (Mike Doyle) que vai Lucy (Mira Sorvino), uma mulher madura que é extravagante com as peças que veste e possivelmente desequilibrada pelo que sugere as ligações feitas para o seu amante ao início de “Quando as Coisas Acontecem”. Lucy é irmã de Jenny e faz três anos que estão sem se ver. A visita inesperada de Lucy deixa Jenny atordoada, pois ela é uma mulher muito diferente de antes. Esconde de Bill, um sujeito saudável e irritantemente controlador, seu histórico familiar desapontador e as origens modestas no Bronx.

Mais do que realizar fantasias com o amante que vive em Manhattan, Lucy se hospeda no apartamento da irmã para acertar alguns ponteiros com ela. Traz consigo uma notícia devastadora e suas lágrimas repentinas sugerem alguém capaz de tirar a própria vida a qualquer instante. Não demora para percebemos que entre duas irmãs tão distintas há muitas características em comum e imutáveis, embora Jenny realmente se esforce para manter a máscara de alguém equilibrada e segura de si mesma.

O tema central de “Quando as Coisas Acontecem” é os laços familiares, algo já abordado à exaustão no cinema independente americano. Porém, há nesta realização de Nancy Savoca uma perspectiva diferenciada através das inúmeras tentativas de Lucy e Jenny em reestruturarem uma família em frangalhos. Uma surpresa apresentada no terceiro ato da história confirma essa intenção.

Atrizes excelentes que geralmente não recebem papéis à altura de seus talentos, Mira Sorvino e Tammy Blanchard brilham ao compreenderem tão bem suas personagens e não deixam o desinteresse surgir inclusive em ocasiões em que a diretora de fotografia Lisa Leone encontra dificuldades em registrar cenas externas com suas duas Canon 5D. O sotaque do Bronx empregado por Sorvino e os flertes de Blanchard com filtros de cigarros dizem muito sobre o passado jamais explícito de Lucy e Jenny.

Union Square, 2011 | Dirigido por Nancy Savoca | Roteiro de Mary Tobler e Nancy Savoca | Elenco: Mira Sorvino, Tammy Blanchard, Mike Doyle, Michael Rispoli, Patti LuPone, Christopher Backus, Daphne Rubin-Vega, Michael Sirow, Harper Dill e Holden Backus | Distribuidora: Vinny Filmes

 

One Comment

  1. Para mim, Tammy Blanchard é a melhor atriz a ser ainda descoberta por Hollywood. Ela é muito boa, muito talentosa e ainda não teve um papel à sua altura. Vou tentar achar este filme para assistir e prestigiar a Tammy.

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