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Os Amantes Passageiros

Os Amantes Passageiros | Los amantes pasajeros

Após um longo período lidando com dramas de camadas autobiográficas (“Volver”) ou que lhe tiraram de uma zona de conforto (“A Pele que Habito”), Pedro Almodóvar talvez tenha se encontrado em um momento de bloqueio criativo. A solução encontrada para abater esse mal provavelmente foi planejar um retorno às origens modesto e totalmente despretensioso. Este é o raciocínio que nos leva até “Os Amantes Passageiros”, seu mais recente longa-metragem.

Antes de inaugurar uma fase densa em sua carreira com “Tudo Sobre Minha Mãe”, Almodóvar era reconhecido por comédias como “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervo” e “Labirinto de Paixões”. São delas que o próprio cineasta extrai ideias para compor “Os Amantes Passageiros”, cuja história acompanha um grupo de passageiros alocados na primeira classe de um avião que talvez não chegue ao seu destino devido aos procedimentos de voo não despeitados antes da decolagem.

No primeiro ato de “Os Amantes Passageiros”, Almodóvar faz uma piada sensacional. De olho na crise financeira que atinge a Espanha, o cineasta e roteirista emite comentário social ao fazer com que os seus personagens proletários, devidamente situados na segunda classe do avião, durmam durante a catástrofe que se anuncia. Por outro lado, são os endinheirados da primeira classe que camuflam a situação lidando com crises existenciais (originadas pela de orientação sexual ou por casos extraconjugais) ou simplesmente farreando no ambiente claustrofóbico.

O problema de “Os Amantes Passageiros” está no limite dessa alegoria imaginada por Almodóvar. As gargalhadas iniciais são amortecidas por risos esporádicos porque a história parece não suportar o enclausuramento em um único cenário, como se nota a partir do momento em que “Os Amantes Passageiros” transfere as atenções para uma personagem situada fora do voo.

Almodóvar também parece distante dos tempos áureos em que era capaz de criar humor subversivo através de seus personagens, pois os gays de “Os Amantes Passageiros” se aproximam da caricatura e até soltam a franga ao cantarem e dançarem “I’m so Excited!”, um dos maiores sucessos do grupo “The Pointer Sisters”.  Prova de que até as obras mais descompromissadas de grandes nomes do cinema precisam de controle para não fazer o público embarcar em viagens turbulentas.

Los amantes pasajeros, 2013 | Dirigido por Pedro Almodóvar | Roteiro de Pedro Almodóvar | Elenco: Carlos Areces, Javier Cámara, Raúl Arévalo, Lola Dueñas, Hugo Silva, Antonio de la Torre, José Luis Torrijo, José María Yazpik, Cecilia Roth, Penélope Cruz, Antonio Banderas, Carmen Machi, Blanca Suárez, Guillermo Toledo, Paz Vega e Miguel Ángel Silvestre | Distribuidora: Paris Filmes

2 Comments

  1. Perdi a chance de assistir “Os Amantes Passageiros” nas duas últimas semanas, uma vez que o filme esteve em cartaz no Cine Cult por aqui. De toda maneira, me parece que esse foi um Almodóvar que passou completamente despercebido em todos os cantos. E isso, nem sempre, é um bom sinal….

  2. Uma decepção só esse filme, principalmente depois do arraso que é “A Pele Que Habito”. Afetadíssimo além do necessário e com um humor descontrolado. Não curti!

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