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Bling Ring – A Gangue de Hollywood

Bling Ring - A Gangue de Hollywood | The Bling Ring

Em seu quinto longa-metragem como diretora, Sofia Coppola continua interessada em acompanhar os “pobres ricos” que transitam em um mundo do qual é tão próxima. Por isso, muitos espectadores que a acompanham de “As Virgens Suicidas” até “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” já parecem esgotados da abordagem intimista que Sofia faz desses indivíduos da mais alta classe social. Aqueles que ainda estiverem dispostos a acompanhar seus relatos em celuloide poderão chegar à conclusão de que “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” é o seu melhor filme desde “Encontros e Desencontros”.

Publicado na edição de março de 2010 da revista Vanity Fair pela jornalista Nancy Jo Sales, o artigo “The Suspects Wore Louboutins” (“Os Suspeitos Usavam Louboutins”, em tradução literal) chamou a atenção de Sofia Coppola enquanto ela estava em um voo. Sofia não procurou pelas figuras reais, pois as personagens não sustentam os nomes das figuras reais e sua pesquisa não envolveu uma extensa entrevista com cada uma delas.

No plano estático e noturno que abre “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” flagra o quinteto de amigos Rebecca (Katie Chung), Marc (Israel Broussard), Chloe (Claire Julien) e as irmãs Nicki (Emma Watson) e Sam (Taíssa Farmiga) invadindo a mansão de uma celebridade. A seguir, a história nos apresenta cada um deles e como The Bling Ring ganhou forma. Trata-se de adolescentes de classe média alta alocados em um colégio particular para desajustados que encontram uma distração perigosa para se esquivarem de suas vidas politicamente corretas.

A princípio, são somente Rebecca e Marc que brincam de invadir a propriedade de Paris Hilton. Em outras visitas, que já incluem os endereços de estrelas como Orlando Bloom e Lindsay Lohan, Chloe, Nicki e Sam estão presentes para colaborarem em roubos de roupas e acessórios de luxo que, estimou-se na época, totalizam o valor de 3 milhões de dólares.

Como nem toda celebridade é tão desprevenida quanto Paris Hilton, que deixava a chave da entrada principal debaixo do capacho e nem tinha um sistema de segurança instalado para detectar intrusos, cada membro do The Bling Ring foi capturado. Este é um fato do qual Sofia Coppola não se importa em revelar antes do ato final de “Bling Ring – A Gangue de Hollywood”, pois seu interesse está em observar com o seu distanciamento habitual as personagens e a geração em que estão inseridas.

Em uma sociedade movida por interações instantâneas e o poder da imagem, é natural que a gangue tenha a ambição de fantasiar uma vida idêntica aquela de seus ídolos superficiais. A ironia fina destilada por Sofia Coppola no roteiro de sua própria autoria é o que o enquadra como um retrato quase notável da juventude de hoje. Aproveita-se de sua própria influência como artista autoral para reunir material cedido por estrelas hollywoodianas e usufrui dessa vantagem para rebater a inadequação destas como modelos de comportamento. Daí vem os risos por testemunharmos figuras tão patéticas e o frio na barriga por elas serem assustadoramente críveis.

The Bling Ring, 2013 | Dirigido por Sofia Coppola | Roteiro de Sofia Coppola, baseado em artigo de Nancy Jo Sales | Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson, Claire Julien, Taissa Farmiga, Georgia Rock, Leslie Mann, Carlos Miranda, Gavin Rossdale, Stacy Edwards, G. Mac Brown, Marc Coppola, Janet Song, Annie Fitzgerald, Paris Hilton e Kirsten Dunst | Distribuidora: Diamond Films

One Comment

  1. Acho a Coppolinha muito superestimada como diretora, mas, mesmo assim, tenho curiosidade em relação a este “Bling Ring”, apesar da recepção ao longa ter sido um tanto irregular.

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