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Elysium

Elysium

É impossível não fazer associações entre o primeiro longa-metragem de Neill Blomkamp, “Distrito 9”, com sua mais nova realização, “Elysium”. Para quem não se recorda, “Distrito 9” só ganhou vida porque Peter Jackson, ainda inebriado com o sucesso da trilogia “O Senhor dos Anéis”, decidiu viabilizá-lo ao se impressionar com “Alive in Joburg”. Rodado em 2006, o curta-metragem apresenta o cenário e alguns personagens futuramente desenvolvidos em “Distrito 9”. Os resultados obtidos foram o estrondoso sucesso de público e crítica, quatro indicações ao Oscar e um passe de primeira classe para Neill Blomkamp ir a Hollywood e fazer o que bem entendesse.

Quatro anos depois, temos como consequência “Elysium”. Assim como em “Distrito 9”, há aqui muito discurso social em um ambiente futurístico em que uma divisão de grupos está bem determinada. Estamos em 2154, ano em que 99% da população é pobre e habita um planeta Terra horroroso: não há uma cidade que não se pareça com uma favela e há indivíduos que trabalham ou como meros operários ou na criminalidade. Muito diferente é a realidade dos ricos que representam o 1% restante, pois eles vivem em Elysium, uma estação espacial que se assemelha aquilo que muitos idealizam como o paraíso.

Max (Matt Damon) é quem toma frente da história, um ex-presidiário que sobrevive trabalhando em uma fábrica de robôs que, quando ativados, oprimem todos aqueles que infligem as leis estabelecidas. Ao ser exposto à radiação, Max se vê com apenas cinco dias de vida. Sem ter o que fazer, ele recorrerá a única pessoa que poderá lhe oferecer uma chance para sobreviver. Trata-se de Spider (Wagner Moura), um hacker responsável por um transporte que pode levá-lo ilegalmente à Elysium, justamente o único local em que há uma máquina capaz de eliminar qualquer enfermidade em questão de segundos, e também por uma espécie de uniforme que potencializará sua força física.

Se fosse só isso, talvez “Elysium” apresentasse alguma eficácia. Mas não, Neill Blomkamp sentiu a necessidade de inserir mais personagens para assegurar a ação frenética e o texto dramaticamente pífio. Do lado do nosso herói Max, há outros mocinhos constantemente sujos, suados e mal vestidos com um bom plano odontológico (ao julgar pelos sorrisos Colgate) que podem ajudá-lo (como seu melhor amigo Julio, interpretado por Diego luna) ou simplesmente atrapalhá-lo (como Frey, interpretada por Alice Braga, enfermeira e amor de infância que cuida de uma garotinha com leucemia). Do outro, temos uma andrógena Jodie Foster na pele de Delacourt, uma secretária sem coração que impede a entrada de clandestinos em Elysium graças ao ameaçador Kruger (Sharlto Copley), sujeito que tem um impressionante histórico como criminoso.

“Elysium” já soma problemas em seus primeiros minutos. Também responsável pelo roteiro original, Neill Blomkamp é incapaz de descrever com minúcia seus cenários futurísticos. Tudo acontece na velocidade de um estalar de dedos, seja a introdução dos personagens principais, seja as distinções entre a Terra e Elysium – impor um clima seco ao primeiro e plasticidade ao segundo não são recursos visuais suficientes para nos convencer. Se o primeiro ato não é bem desenvolvido, os outros são ainda piores. Neill Blomkamp parece desorientado até mesmo no modo como registra os acontecimentos. Uma hora usa câmera na mão ou emula videogame com um mod de primeira pessoa  que se assemelha a um “Grand Theft Auto” e em outra recorre à câmera lenta ou a imagens serenas de flashbacks.

Em meio a tudo isso, teríamos ao menos o elenco miscigenado como uma decisão criativa, mas nem isso funciona, apesar de Wagner Moura conseguir brilhar através de sua pitoresca caracterização. Mesmo sendo uma escolha comercial, é difícil engolir Max, um personagem mexicano, interagindo a todo o instante em inglês perfeito com Frey, mais velha que ele e também mexicana. No fim, são detalhes que, quando reunidos, só condenam “Elysium” como uma colcha de retalhos de péssimas ideias que Neill Blomkamp talvez tenha descartado ao fazer seu “Distrito 9”. Ideias essas possivelmente apanhadas de sua própria lixeira.

Elysium, 2013 | Dirigido por Neill Blomkamp| Roteiro de Neill Blomkamp | Elenco: Matt Damon, Jodie Foster,Sharlto Copley, Alice Braga, Diego Luna, Wagner Moura, William Fichtner, Brandon Auret, Josh Blacker, Emma Tremblay, Jose Pablo Cantillo, Maxwell Perry Cotton, Faran Tahir, Adrian Holmes e Jared Keeso | Distribuidora: Sony

3 Comments

  1. Ao que tudo indica, “Elysium” é decepcionante. Quem diria, hein?? Parecia ser um filme legal. De todo jeito, vou prestigiar por causa das presenças de Alice Braga e Wagner Moura.

  2. Eu já acho que ele teve boas ideias, mas não soube como tirá-las do estágio inicial. Precisa sair um filme bom disso. Porque de boas ideias, o inferno do cinema está cheio.

    Abs!

  3. Um dos piores filmes de 2013. Uma desastrosa ficção científica, onde Neill Blomkamp só mostrou ser o cineasta que ele sempre aparentou ser. Nem Wagner Moura me agradou.

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