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Resenha Crítica | Diana (2013)

Diana

Na brilhante cena de abertura de “Diana”, um travelling persegue aqueles que seriam os últimos passos de Lady Di antes do trágico acidente automobilístico que a aguardara. Se não bastasse estar acompanhada de seus seguranças em sua própria fortaleza, a câmera se manifesta como um intruso, um paparazzi obstinado em registrá-la. Quando Diana para repentinamente de andar, a câmera repete a mesma reação como se tivesse sido flagrada. Segundos depois, Diana volta a se mover até o elevador que, não é nenhuma surpresa, contém uma câmera de vigilância para espioná-la.

Após essa amostra da falta de privacidade que perseguiu Diana inclusive em seus últimos minutos de vida, “Diana” retrocede alguns anos para confirmar que as expectativas criadas com base em sua cena de abertura definitivamente não vão ao encontro das demais intenções apresentadas. Afinal, o roteiro de Stephen Jeffreys não está interessado em uma cinebiografia para uma das figuras públicas mais amadas pela população do Reino Unido e sim no livro de Kate Snell, “Diana – O Último Amor de uma Princesa”, que gerou polêmicas ao apontar uma possível teoria da conspiração relacionado a morte de Lady Di e o romance com um médico paquistanês chamado Hasnat Khan.

Entre tantas histórias possíveis, “Diana” se aproveita justamente daquela costurada por especulações para se promover. Grande atriz, a australiana Naomi Watts faz o que pode para garantir o nosso interesse por essa fantasiosa encenação do relacionamento entre a princesa e um plebeu. A atração entre ambos acontece naquela tradição retomada na horrorosa versão musical de “Os Miseráveis”: assim como os jovens Cosette (Amanda Seyfried) e Marius (Eddie Redmayne), Diana e Hasnat (Naveen Andrews, o Sayid do seriado “Lost”) se descobrem perdidamente apaixonados através de uma troca banal de olhares.

No momento em que Diana conheceu Hasnat, ela já vivia uma crise em seu casamento com Carlos, o Príncipe de Gales, algo exaustivamente exposto na mídia e a razão pela ampliação do número de paparazzis em seu encalço diariamente. Encontrou em Hasnat o homem ideal para permanecer com sua personalidade simples contaminada pelos seus deveres como princesa. Consegue viver muitas aventuras com ele, embora precise recorrer à peruca morena ou fazer artimanhas para trocar de veículos sem ser notada pela imprensa. No entanto, como persistirá um romance considerado impossível?

O médico Hasnat Khan existe e confirmou publicamente ter namorado Diana, mas nem ele é capaz de aprovar o modo como o relacionamento é retratado no longa-metragem de Oliver Hirschbiegel, bem distante dos tempos em que dirigia obras excelentes como “A Experiência” e “A Queda! – As Últimas Horas de Hitler”. Também, não havia como ser o contrário. A Lady Di que vemos aqui está longe de seu esplendor. Pior: comporta-se como uma velha moça tola que idealiza um amor digno de um conto de fadas.

Embora o assédio dos paparazzis seja representado na maioria das cenas de “Diana”, o risco em apontá-los como uma das causas que provocaram a morte de Lady Di é grande demais. Há até ocasiões em que tais inimigos se tornam seus aliados somente para despertar reações de ciúme de seu amado. O drama prefere exibir uma Diana que luta contra as minas terrestres na África e que abandonava o conforto do seu palácio para apoiar causas sociais não porque ela era alguém que menosprezava os protocolos da realeza, mas porque havia por trás dela um homem bom o suficiente para incentivá-la a ser querida. Em tempos em que o cinema oferece tantos retratos de mulheres em luta, é inadmissível que um de seus mais notáveis modelos reais necessite de um homem para se afirmar.

Diana, 2013 | Dirigido por Oliver Hirschbiegel | Roteiro de Stephen Jeffreys, baseado no livro “Diana – O Último Amor de uma Princesa”, de Kate Snell | Elenco: Naomi Watts, Naveen Andrews, Douglas Hodge, Geraldine James, Charles Edwards, Daniel Pirrie, Cas Anvar, Juliet Stevenson, Jonathan Kerrigan, Laurence Belcher, Harry Holland, Leeanda Reddy, Art Malik, Michael Hadley, Rose O’Loughlin | Distribuidora: Imagem Filmes

One Comment

  1. Tinha até boas expectativas em relação à “Diana”, principalmente por causa dos nomes envolvidos no longa, mas, infelizmente, me parece que as expectativas não foram correspondidas. Uma pena a recepção que o filme tem recebido. De todo jeito, é uma obra que quero conferir, ainda mais porque gosto muito do trabalho de Naomi Watts como atriz.

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