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Trabalhar Cansa

Trabalhar Cansa | Hard Labor

Pouco explorado no cinema nacional, o horror ganha com “Trabalhar Cansa” um forte representante. Porém, o longa-metragem de estreia da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra está longe de abraçar as convenções do gênero. Há elementos sobrenaturais suficientes em “Trabalhar Cansa”. No entanto, é na rotina dos personagens que visualizamos os elementos que nos amedronta diariamente.

Helena (Helena Albergaria) é uma dona de casa que está prestes a gerenciar um mini-mercado situado em um bairro nobre paulistano. O problema é que, alguns dias antes de erguer as portas em rolos, Helena passa por uma adversidade familiar: seu marido Otávio (Marat Descartes, sempre excelente) foi demitido do cargo de gerente de uma grande corporação e está com dificuldades de encontrar um novo emprego.

Mesmo que a crise financeira se anuncie, Helena vê em seu investimento uma possibilidade de prosperar. Enquanto Otávio se ausenta para participar de processos seletivos exaustivos (senão patéticos), Helena decide contratar a jovem Paula (Naloana Lima) para cuidar do apartamento e de sua filha Vanessa (Marina Flores).

Os dias passam e Helena passa a testemunhar estranhos fenômenos se materializando ao seu redor. Primeiro é o vazamento em seu estabelecimento e o odor insuportável que ele origina. Depois vem as expectativas não cumpridas pelos seus funcionários e certa desarmonia em seu lar. Seria tudo fruto das exaustões física e psicológica diante da dureza em driblar as contas ou ela estabeleceu involuntariamente o contato com algo que vai além de sua capacidade de compreensão?

Em tom de crônica social, “Trabalhar Cansa” consegue criar expectativa ao jamais deixar explícitas as estranhezas que permeiam a narrativa. Prefere fazer um estudo sobre como todos nós somos afetados intensamente em uma sociedade capitalista. Antes bem abastados, o casal Helena e Otávio agora enfrenta a concorrência desleal tanto dos pequenos empreendimentos quanto do mercado de trabalho. A realidade também é cruel para Paula, que dificilmente escapará de funções pouco ou nada valorizadas em uma capital em que todos sonham ser profissionalmente bem-sucedidos.

A certa distância, “Trabalhar Cansa” remete a temas trabalhados posteriormente no celebrado “O Som ao Redor“. É interessante também como as duas obras são próximas em suas imperfeições. Assim como na ficção do pernambucano Kleber Mendonça Filho, “Trabalhar Cansa” chega a uma etapa em que precisa descortinar parte de seu mistério e as respostas não são suficientemente satisfatórias. Agora em trabalho solo, Marco Dutra finaliza “Quando Eu Era Vivo”, uma promessa de resgate da atmosfera de “Trabalhar Cansa” e da superação de si mesmo como diretor e roteirista.

Trabalhar Cansa, 2011 | Dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra | Roteiro de Juliana Rojas e Marco Dutra | Elenco: Helena Albergaria, Marat Descartes, Naloana Lima, Gilda Nomacce, Marina Flores, Lilian Blanc, Thiago Carreira, Hugo Villavicenzio, Thais Almeida Prado, Rodrigo Bolzan, Maristela Chelala, Marina Corazza, Doró Cross, Carlos Escher e Heitor Goldflus | Distribuidora: Lume Filmes

One Comment

  1. […] a dor de suas três protagonistas. São nas músicas escritas por Marco Dutra (diretor de “Trabalhar Cansa“) que “O que se Move” atinge seu limite. Embora desempenhadas com intensidade […]

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