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Resenha Crítica | Minhas Sessões de Luta (2013)

Minhas Sessões de Luta | Mes séances de lutte

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Um dos cineastas franceses mais autorais em atividade, o veterano Jacques Doillon permanece como um artista com muitas obras ainda inéditas no Brasil, mas é um nome de prestígio na Mostra. Além dos títulos exibidos em edições anteriores, Doillon aparece com dois filmes neste ano: “Um Filho Seu” e “Minhas Sessões de Luta”.

Em “Minhas Sessões de Luta”, Doillon recorre a uma narrativa comum no cinema francês. Há pouquíssimos personagens, ambientes e explicações sobre o que está se passando. Bem distante do carisma de seu papel em “Os Nomes do Amor”, Sara Forestier surge em “Minhas Sessões de Luta” como uma protagonista destrutiva e sem nome que perdeu o pai recentemente.

O relacionamento entre ambos não era harmonioso e a garota parece desolada com a ausência de uma figura paterna. Ela busca consolo em Lui (James Thiérrée), um homem mais velho do que ela e com quem protagonizou uma situação mal resolvida. Lui é um homem solitário que propõe uma terapia inusitada para ela se libertar de suas amarguras. Trata-se de um método em que a “paciente” exterioriza suas dores não pela revelação de confidências, mas pelo contato físico.

Sara Forestier e James Thiérrée se entregam fisicamente de modo muito intenso neste jogo proposto pelo cineasta. A cada sessão, o contato entre ambos fica mais selvagem. Primeiro vem os empurrões, depois as agressões e por fim o sexo. Mesmo com ensaios, não é um trabalho fácil para os protagonistas, que apresentam inúmeros hematomas quando estão totalmente nus para a câmera.

No registro dessas “sessões de luta”, Jacques Doillon cria imagens muito belas e sensuais. É especialmente impecável aquela em que a troca de palavras sujas culmina em uma transa na lama. Já no texto, “Minhas Sessões de Luta” é uma lástima. Na intenção de preservar descrições mais reveladoras sobre os dois personagens centrais, Jacques Doillon entrega figuras que só conseguem despejar nulidades desconexas ao abrirem a boca.

Mes séances de lutte, 2013 | Dirigido por Jacques Doillon | Roteiro de Jacques Doillon | Elenco:  Sara Forestier, James Thiérrée, Louise Szpindel, Mahault Mollaret e Bill Leyshon | Pespectiva Internacional

One Comment

  1. Nunca assisti a um filme desse diretor e lamento não ter a mesma chance que os paulistas e cariocas, que possuem essas mostras internacionais de cinema e que nos proporcionam as chances de entrar em contato com obras desse tipo. Boa Mostra, Alex!

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