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A Garota do 14 de Julho

A Garota do 14 de Julho | La fille du 14 juillet

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Coincide com o verão francês o feriado de 14 de julho, o dia da Bastilha, que celebra o episódio em que a população conspirou para a queda deste que era a fortaleza da monarquia francesa e um dos alvos da Revolução Francesa em 1789. É comum neste feriado as ruas do país serem tomadas por milhares de cidadãos, que assistem aos desfiles de autoridades e membros do Exército Francês que ressaltam os temas da bandeira francesa: Liberdade (azul), Igualdade (branco) e Fraternidade (vermelho).

Vigia em um museu, Hector (Grégoire Tachnakian) se encanta por Truquette (Vimala Pons) enquanto esta flerta com ele. A tentativa de aproximação entre ambos deve acontecer no feriado de 14 de julho, pois eles decidem, na companhia de Charlotte (Marie-Lorna Vaconsin), Pator (Vincent Macaigne) e Bertier (Thomas Schmitt) ir ao litoral para se divertirem. Tinha tudo para ser um período agradável se o governo não adotasse uma medida digna da França dos velhos tempos: limar nada menos do que um mês das férias de verão. Temendo as perseguições dos policiais, o grupo acaba se dividindo acidentalmente em dois. De um lado, temos Truquette sendo alvo das investidas de Bertier. Do outro, Hector, Charlotte e Pator se veem no centro de um conflito entre policiais e rebeldes.

Em seu primeiro longa-metragem, Antonin Peretjatko recorre ao colorido dos filmes franceses produzidos nos anos 1970 e ao humor escrachado para narrar o amor que se desenha entre Hector e Truquette, a garota do 14 de julho. A escolha é, até certo ponto, certeira, pois o humor é uma ferramenta infalível para avaliar ou criticar os rumos políticos de um país. Embora ambientado nos dias atuais, “A Garota do 14 de Julho” se aproveita da divisão do simpático quinteto para demonstrar que a noção de liberdade permanece tão ilusória quanto era antes da ocasião em transformou em feriado nacional a queda da Bastilha. As autoridades estão sempre à espreita coagirem aqueles que se opõem a algo ou que desafiam os bons costumes, a exemplo da cena hilária em que banhistas são obrigadas a ficar nuas porque usar sutiãs é imoral.

Se “A Garota do 14 de Julho” são se permite a alcançar momentos mais brilhantes é porque Antonin Peretjatko nem sempre é astuto ao domar o humor. Há muitos instantes em que ele parece exagerar nas doses e o recurso de voltar ao tempo ou encenar pensamentos (a todo o instante Truquette se vê com Hector em um romance de Tchekhov). Em sua próxima desventura em longa-metragem, o cineasta promete mostrar novas inquietações com humor. Mais confiante, Peretjatko deve confirmar o potencial que sugere possuir em alguns instantes de “A Garota do 14 de Julho”.

La fille du 14 juillet, 2013 | Direção de Antonin Peretjatko | Roteiro de Antonin Peretjatko | Elenco: Vimala Pons, Grégoire Tachnakian, Vincent Macaigne, Marie-Lorna Vaconsin, Thomas Schmitt, Serge Trinquecoste, Esteban, Philippe Gouin, Lucie Borleteau, Pierre Méréjkowsky, Nicolas Moreau, Albert Delpy, Julia Roman, Marc Faget e Bruno Podalydès | Competição Novos Diretores

3 Comments

  1. Parece ser um filme com uma temática e uma premissa bem diferente, mas que não foi bem aproveitada.

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