Resenha Crítica | O Uivo da Gaita (2013)

O Uivo da Gaita

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Rodado simultaneamente com o longa-metragem de ficção “O Rio nos Pertence” e o documentário “Meta Mancia” (atualmente em fase de pós-produção), “O Uivo da Gaita” é um dos vértices da Operação Sonia Silk, projeto realizado coletivamente e com poucos recursos. Assim como em “O Rio nos Pertence”, “O Uivo da Gaita” se mostra econômico nos diálogos para que possa desenhar sua história com o suporte das imagens.

Entre “O Rio nos Pertence” e “O Uivo da Gaita”, é possível notar um avanço. A decisão de trocar os cômodos vazios e obscuros de “O Rio nos Pertence” para os ambientes arquitetônicos de “O Uivo da Gaita” favorece o filme, uma vez que a fotografia de Ivo Lopes Araújo consegue criar imagens sedutoras através de três locações: o Porto do Rio de Janeiro, a Casa das Canoas de Oscar Niemeyer e a praia de Niterói.

No prólogo de “O Uivo da Gaita”, Antonia (Mariana Ximenes) e Luana (Leandra Leal) se refugiam em uma praia paradisíaca para viver um relacionamento proibido. Imediatamente, a história retrocede para mostrar que Antonia é comprometida com Pedro (Jiddu Pinheiro). Apesar de viver em uma bela residência e de ser incondicionalmente amada por Pedro, Antonia parece viver uma mentira. Seu desejo de fuga se amplia com a aparição de Luana, com quem praticará junto com Pedro alguns jogos sexuais.

Atrizes com beleza hipnotizante, Mariana Ximenes e Leandra Leal jamais foram contempladas de modo tão intenso por uma câmera. Embora consigam incorporar seus papéis com o auxilio de alguns diálogos triviais abafados pela música de Guilherme Vaz, Mariana e Leandra sustentam “O Uivo da Gaita” pelo que sugere o choro não contido, os olhares de desejo e a agitação de corpos que querem se entregar um para o outro.

O experimentalismo não é bem-sucedido porque “O Uivo da Gaita” é um filme desprovido de um bom texto. Quando Bruno Safadi busca agregar algum peso ao que os seus personagens dizem de aparentemente relevante, absolutamente nada é elucidado. Não se sabe exatamente os motivos de Antonia se sentir tão sufocada, de Pedro não ser o marido que corresponde às expectativas e de onde veio Luana. Questões sem respostas mais por uma premissa limitada do que a pretensão de criar um cinema de sensações alcançadas unicamente por toques e gestos.

O Uivo da Gaita, 2013 | Dirigido por Bruno Safadi| Roteiro de Bruno Safadi | Elenco: Mariana Ximenes, Leandra Leal e Jiddu Pinheiro | Mostra Brasil

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | O Uivo da Gaita (2013)

  1. “Questões sem respostas mais por uma premissa limitada do que a pretensão de criar um cinema de sensações alcançadas unicamente por toques e gestos.” sera que nao esta sendo subjetivo? eh dificil compreender coisas que saem do padrao, que quebram paradigmas. nao gostar td bem, agora, falar que isso foi por falta DE ASSUNTO? Qual eh, o filme nao tem falas e nem “respostas” pq tem uma premissa limitada? nao foi de proposito isso? poxa, vida, para com isso, bicho shauhsaushua nao tem falas, nem “respostas”, pronto, deguste, foi proposital e muito inovador

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  1. Bate-papo com Leandra Leal, Jiddu Pinheiro e Ricardo Pretti, de “O Uivo da Gaita” | Cine Resenhas
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