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Dark Blood

Dark Blood

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Produções como “De Olhos Bem Fechados”, “O Corvo” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” por pouco foram ameaçadas com o falecimento repentino de um de seus principais alicerces. Se Stanley Kubrick partiu pouco tempo após concluir suas responsabilidades como diretor de “De Olhos Bem Fechados”, uma série de ajustes permitiram que as adaptações de quadrinhos “O Corvo” e “Batman  – O Cavaleiro das Trevas” sobrevivessem, respectivamente, com a morte acidental de Brandon Lee e a overdose de Heath Ledger. “Dark Blood” não contou com a mesma sorte, pois seu protagonista River Phoenix morreu quando ainda faltavam três semanas para a conclusão das filmagens.

Realizador das duas versões de “O Silêncio do Lago”, o francês George Sluizer teve de interromper o processo de construção de “Dark Blood”, uma vez que não visualizou um modo de seguir com as filmagens sem a presença de seu astro. Sem dirigir um longa-metragem desde 2002, Sluizer se viu enfermo e sem muito que fazer. Veio assim o desejo de rever o material de “Dark Blood”, originalmente filmado em 1993 e que agora é exibido de modo inacabado.

A história é simples. Harry Fisher (Jonathan Pryce) é um ator de cinema que já não vive momentos de glória. Há quase dois anos sem trabalhar, Harry decide fazer uma viagem com a sua esposa Buffy (Judy Davis) com a intenção de negociar sua participação em um projeto com roteiro de gosto duvidoso. O trajeto envolve as estradas do Arizona e é por lá que o carro do casal decide parar de funcionar.

Embora seja imediatamente socorrido por um rapaz (Lorne Miller) que não diz uma palavra (e cuja mãe é interpretada por Karen Black, que faleceu recentemente), o casal enfrenta novos transtornos quando o veículo teima em pifar outra vez no dia seguinte. Desta vez, será um personagem creditado como Boy (interpretado por River Phoenix) que os ajudarão – ou atrapalharão, pois o sujeito mostra ter um comportamento instável e demora mais do que deveria para consertar o carro de Harry e Buffy.

Para economizar tempo e dinheiro, é costume uma produção seguir um cronograma que vai de encontro com a narrativa. Portanto, os últimos minutos de um longa-metragem podem ser filmados no início ou meio da produção. Ainda assim, George Sluizer se viu sem o registro de acontecimentos cruciais no roteiro de “Dark Blood”. Para tapar os buracos, o realizador utilizou um método eficiente: congelar a tela e narrar o que não foi encenado.

Além de servir como modelo de estudo sobre a construção de um filme, “Dark Blood” também é um material curioso que ganha às telas de cinema após quase duas décadas engavetado. Cessam aí as virtudes de um filme em sua essência fraquíssimo e terrivelmente escrito. O trio de talentosos protagonistas é incapaz de conferir credibilidade a papéis confusos (nunca sabemos se Buffy ama ou odeia Harry e se sente atração ou repulsa por Boy) e a violência progressiva dá espaço para uma resolução absurda em que todos saem impunes. Nem as paisagens do deserto são capturadas de modo a causar tensão devido à ameaça que oferecem por terem servido de cenário para testes nucleares. Talvez fosse melhor que George Sluizer prosseguisse com o seu filme trancado a sete chaves.

Dark Blood, 2012 | Dirigido por George Sluizer | Roteiro de Jim Barton | Elenco: River Phoenix, Jonathan Pryce, Judy Davis, T. Dan Hopkins, Karen Black, John Trudell, Julius Drum, Rodney A. Grant, George Aguilar e Lorne Miller | Perspectiva Internacional

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