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Resenha Crítica | Confissão de Assassinato (2012)

Confissão de Assassinato | Nae-ga sal-in-beom-i-da

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Há na Coreia do Sul (e em outros países, como o Brasil) uma lei que assegura que um indivíduo seja legalmente perdoado quando sua captura não é realizada em até 15 anos após um ato criminoso. Somente para relembrar um caso famoso e recente, houve relatórios policiais que associavam Robert Wagner com a morte misteriosa de sua esposa e estrela Natalie Wood, cujo cadáver foi encontrado na Ilha Catalina, Califórnia. Embora nada de definitivo tenha sido divulgado sobre a reabertura do caso, a justiça nada poderia fazer caso Wagner fosse confirmado como assassino.

Em “Confissão de Assassinato”, essa curiosidade é o que serve de mote para a trama. O bem afeiçoado Lee Du-seok (Park Shi-hoo) vem a público com um potencial best-seller em que assume a autoria de inúmeros crimes realizados há mais de quinze anos. Isto tira do anonimato o detetive Choi (Jeong Jae-yeong), o responsável pela investigação desse assassino em série que matou brutalmente doze mulheres.

Mesmo que Choi (e muito menos a gente) não acredite que Lee esteja verdadeiramente arrependido como descreve nas páginas no autobiográfico “Confissão de Assassinato”, nada o impede de se transformar em uma celebridade nacional. Potenciais vítimas há 15 anos, agora as garotas o admiram como se estivessem diante de um Justin Bieber. No entanto, nem todos estão satisfeitos com essa impunidade, a exemplo de Han Ji-soo (Kim Young-Ae), uma senhora que perdeu sua filha para Lee e que agora planeja fazer justiça com as próprias mãos.

Se fosse só isso, “Confissão de Assassinato” certamente prenderia a atenção até o final. No entanto, “convencional” é definitivamente uma palavra que não existe no vocabulário do cinema coreano. Se “Confissão de Assassinato” inicia violento e estilizado, logo dá espaço para um humor para lá de debochado. E os risos não se apresentam somente nas ocasiões em que colegiais seguem os passos de Lee como uma celebridade, como também nas inúmeras reviravoltas pregadas pelo roteiro, como o sequestro de Lee, um dos mais absurdos já encenados na história do cinema.

Pode-se supor que o diretor e roteirista Jung Byung-gil tenha usado o humor como reflexo para os absurdos de tudo o que é relacionado à justiça ou mesmo ao funcionamento do sistema da fama. No entanto, cobrar alguma sanidade diante do que é testemunhado seria o mesmo que remover aquilo que torna justamente “Confissão de Assassinato” o filme mais inusitado a pintar na programação da última edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Agora é torcer para que esta estreia de Jung Byung-gil faça sua merecida carreira. Títulos como “Confissão de Assassinato” definitivamente não merecem ficar reclusos a festivais.

Nae-ga sal-in-beom-i-da, 2012 | Dirigido por Jung Byung-gil | Roteiro de Jung Byung-gil | Elenco: Jeong Jae-yeong, Park Shi-hoo, Kim Young-Ae, Choi Won-yeong, Jang Gwang, Jo Eun-ji, Kim Yeong-ae, Min Ji-a e Young Choi Won | Foco Coreia

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