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O Grande Mestre

O Grande Mestre | Yi dai zong shi

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Realizador de filmes como “Amor à Flor da Pele” e “Um Beijo Roubado”, o chinês Wong Kar Wai é considerado único no modo como registra os romances entre seus personagens. Trata-se de um cineasta que usa intensamente os aspectos técnicos ao seu dispor (fotografia, música, direção de arte) para criar interações em que um mero detalhe emite um sem número de significados e emoções. Por tudo isso, causa estranhamento o seu envolvimento em uma cinebiografia sobre Ip Man.

Para falar a verdade, cinebiografia é uma mera formalidade para descrever “O Grande Mestre”, uma vez que Wong Kar Wai não recorre a características convencionais para contar a história de seu protagonista, notório no Ocidente por ter sido o mentor do astro das artes marciais Bruce Lee. Antes a favor de histórias de amor, agora sua estética singular opera uma trama em que os principais tópicos são honra e vingança.

“O Grande Mestre” inicia com uma batalha arrebatadora sob chuva intensa entre Ip Map (Tony Leung) e Gong Yutian (Wang Qingxiang), dois mestres rivais. Estamos ao final da década de 1930 e a vitória de Ip Map neste embate promove uma rede de intrigas liderara por Gong Er (Zhang Ziyi, que há muito não brilhava), filha de Gong Yutian. Na segunda metade de “O Grande Mestre”, Ip Map torna-se uma figura secundária quando Gong Er também planeja lutar com Ma San (Zhang Jin), pupilo de seu pai e agora inimigo.

Troca de olhares e gestos entre casais apaixonados são substituídos em “O Grande Mestre” por golpes mortais da arte do kung-fu, embora Wong Kar Wai jamais deixe de sugerir que há algo além do ódio em embates belamente coreografados. Neste aspecto, “O Grande Mestre” em nada deve aos épicos conduzidos por Zhang Yimou (“A Maldição da Flor Dourada”, “O Clã das Adagas Voadoras”, entre outros). O contrário se diz sobre a narrativa, que cobre grande parte da existência de Ip Map com desordem. As mudanças de foco em personagens, os letreiros explicativos e um terceiro ato com múltiplas possibilidades de conclusão frustram as expectativas investidas neste retorno de Wong Kar Wai ao longa-metragem.

Yi dai zong shi, 2013 | Dirigido por Wong Kar Wai | Roteiro de Wong Kar Wai, Xu Haofeng e Zou Jingzhi | Elenco: Tony Leung, Zhang Ziyi, Zhang Jin, Wang Qingxiang, Song Hye-kyo, Le Chung, Tsui Elvis, Liu Chia Yung, Tsang Chiu Yee, Lo Hoi-Pang, Lau Shun, Zhou Xiaofei, Wang Mancheung, Ng Ting Yip, Cho Man Keung, Tony Ling, Shang Tielong, Hung Sui Kai, Darren Leung, Lo Meng, Li Huiwen, Xhao Benshan e Chang Chen | Distribuidora: California Filmes | Ciclo de Filmes Chineses / Perspectiva Internacional

2 Comments

  1. Gosto do cinema de Wong Kar Wai. Acho que ele é um daqueles cineastas raros que consegue fazer poesia visual, com os muitos silêncios de sua narrativa. Adorei seu texto e espero ter a mesma chance que você e conferir “O Grande Mestre”.

  2. Uma pena que este “O Grande Mestre” não parece fazer jus a carreira do diretor, mas de qualquer forma chamou minha atenção.

    Sou fã de Amor à Flor da Pele, grande filme.

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